Bruna Hamú e a felicidade de rever sua Bianca, de Malhação: “Tinha o mesmo sonho que eu de ser atriz”

Ela lembra a importância e os aprendizados com primeira protagonista e exalta parcerias em cena


15 de fevereiro de 2021

Foto: Higor Blanco

Por Luciana Marques

*A entrevista completa está disponível no vídeo, abaixo.

Aos 30 anos, Bruna Hamú não esconde o entusiasmo de poder rever, na TV Globo, o seu primeiro papel de destaque na TV, como a protagonista Bianca, de Malhação: Sonhos, exibida em 2014. As lembranças da época trazem um brilho a mais no olhar de Bruna. É que os sonhos da atriz e da personagem se conectavam de uma forma muito intensa. “Eu também tava começando na carreira e tinha esse sonho de ser atriz. Eu aprendi muito com ela. Eu nunca tinha feito teatro, e fazer ali na Ribalta foi um começo de sonho pra mim também”, conta.

Na entrevista, a atriz relembra parcerias em cena como com Arthur Aguiar, o Duca, com quem viveu o badalado casal #Duanca, com Guilherme Hamacek, o João, e com Isabella Santoni, a Karina, além dos aprendizados com atores veteranos e com toda a equipe e direção da novela assinada por Rosane Svartman e Paulo Halm. “A paixão que a gente teve pelo o que a gente tava fazendo reverberou até hoje, é muito lindo isso”, avalia.

Desde a atuação de destaque na trama teen, Bruna foi emendando trabalhos importantes, como a Camila, de A Lei do Amor, na faixa das 9. Mas no decorrer da novela, em 2016, ela deixou a trama por conta da descoberta de sua gravidez. Em 2019, voltou ao ar também no horário nobre como a Joana, de A Dona do Pedaço. No descontraído bate-papo, Bruna fala ainda de maternidade - o filho, Júlio, está com quase 4 anos -, de carreira, conquistas, época de modelo e muito mais...

Bianca (Bruna Hamú). Foto: Globo/Estevam Avellar

Como recebeu a notícia da volta de Malhação: Sonhos? Foi realmente um presente de Deus. Com a pandemia, muitos trabalhos pararam, pra mim não foi diferente. E falar de sonhos, é um tema simbólico para esse momento que a gente está vivendo na humanidade. Então eu acho que foi um presente mesmo poder reavivar os sonhos das pessoas, porque Malhação: Sonhos fala sobre isso, de correr atrás dos sonhos, sobre não desistir. E tudo isso num momento tão necessitado de sonhos, em que muita gente teve os seus sonhos perdidos, cancelados. Trazer Malhação: Sonhos de volta foi o reavivamento de um sonho pra mim também. E eu estou muito feliz por isso.

Na época de Malhação, você estava iniciando na carreira quando foi selecionada para viver a protagonista Bianca. Como recebeu a notícia, pesou pra você, bateu um frio na barriga, tipo, será que eu vou segurar?Com certeza! Graças a Deus eu tive todo o apoio da equipe, do Luiz Henrique Rios (diretor), ele foi maravilhoso comigo, essencial pra mim naquele momento. Ele falava pra mim, eu acredito em você. E ter o apoio das pessoas, saber que acreditam na gente traz um gás a mais, de saber que a gente pode acreditar na gente. Porque eu nunca tinha feito teatro, eu tinha feito um curso pequeno, e a protagonista tem um peso. Mas graças a Deus, sonho que se sonha é realidade e ninguém faz nada sozinho. Eu tive o apoio do todo o elenco e de toda a equipe. E a gente viveu esse sonho junto. Eu acredito que todos foram protagonistas dessa história. E poder ver esse sonho passando novamente na TV e as pessoas tão engajadas e felizes assistindo de novo, demonstra que toda a paixão que a gente entregou reverberou até hoje.

Foto: Sergio Baia

O que mais cativou você na personalidade da Bianca? A Bianca era muito meiga, doce, muito apaixonada pela família, apesar dos conflitos com a irmã. Pela morte da mãe, ela tinha um peso, não de educar, mas por ser a mais velha, cuidar da irmã mais nova. Só que ela também era nova, então ela enfiava os pés pelas mãos. Mas eu acredito que tudo o que ela fazia era para cuidar dessa irmã, do jeito dela. Ela era muito sonhadora, tinha o sonho de ser atriz, que coincidiu com o meu sonho da época. Eu também tava começando na carreira. E poder viver isso em paralelo com a Bianca foi enriquecedor. Acho que tudo se misturou, eu comecei a aprender muitas coisas. E poder estar naquele universo do teatro na Ribalta também me mostrou o começo de um mundo que eu estava querendo conhecer, assim como a Bianca. Então eu me conectei muito com ela nesse momento. Acredito que a Bianca tem muito de mim e vice e versa.

E o casal #Duanca, amado pelo público, como foi fazer essa construção com o Arthur Aguiar? Ah, pra mim foi um presente. Bom, foi o meu primeiro casal na TV (risos). Então, eu tive que aprender tudo. E o Arthur foi muito paciente comigo, ele me ensinou muito, ele foi muito humilde nesse sentido de me ensinar o passo a passo do que tem que fazer. Até na forma de atuar. E a Bianca era muito apaixonada pelo Duca, então, e eu tentei a todo o momento trazer toda essa paixão que ela tinha, trazer esse sonho dela, de constituir uma família. Eu acredito que o maior sonho dela depois de ser atriz era constituir uma família com o Duca. E eu fiquei muito feliz com o decorrer da novela, com as respostas do público quanto ao casal. Era um casal romântico, apaixonado, sonhador, e a gente tentou trazer isso da melhor forma possível. A gente tentou trazer uma leveza, até uma pitada de alegria, senão ficava uma coisa só melosa, a gente tentou dosar isso. E eu acredito que no final deu certo.

E a parceria com o Gui Hamacek, que fez o João? Nossa, maravilhoso! O Gui é um mega de um ator, é sensacional como ser humano também, de uma inteligência única, de um carisma único. Ele tem um humor refinado. E o João só foi o João porque era o Gui fazendo. Um nasceu para o outro.

Duca (Arthur Aguiar) e Bianca (Bruna Hamú). Foto: Globo/Renato Rocha Miranda

E a troca com a Isabella Santoni, vocês tiveram muitas cenas fortes, né? A gente teve seis meses de preparação e laços foram criados com os atores por conta dos personagens. E quando a gente começou a gravar, já estava numa unidade. O que foi muito importante para a novela e isso transpareceu para o público. E nesse tempo, eu tive muitas atividades com a Isa para criar esse laço de irmã, para trazer isso para uma realidade. E isso foi criado na vida real pra gente também, porque a gente tinha um afeto muito grande uma pela outra. Eu olhava para a Isa e achava que ela era minha irmã e a gente acabava vivendo isso no nosso dia a dia. E teve essas cenas da semana da sofrência... E eu sempre falo dessas sequências, porque elas me marcaram na minha vida pessoal também e na profissional. Eu acredito que depois dessas cenas, virou uma chavinha em mim como atriz. Eu acho que eu entrei nessas cenas em lugares que me despertaram para um novo nível como atriz. Eu saí do que eu tava e entrei num outro degrau, porque é de degrau em degrau...

Desde a novela, você foi mãe, a sua carreira foi crescendo, você fez teatro, cinema... realizou muitos sonhos? Sim, muitas coisas aconteceram, claro que não tudo. Tem muita coisa pra acontecer, em nome de Jesus (risos). Mas muitas coisas aconteceram, eu tava começando a minha carreira de atriz assim como a Bianca e a partir daí, muitas portas se abriram. Depois de Malhação, eu fiz teste para Lei do Amor, eu passei, fiz a Camila, uma personagem importante, foi desafiador porque ela era muito diferente de mim. Eu fiz também dois filmes, um deles Shaolim do Sertão, muito importante também, porque eu entrei num universo que eu não conhecia, da comédia. Passei dias com atores, comediantes, dos melhores que temos, aprendi muito. E depois fiz Cinco Júlias, um musical, meu primeiro teatro, nunca tinha cantado, fui muito feliz fazendo. Depois fiz Estação Rock e A Dona do Pedaço, um outro presente. Foi num momento que eu precisava, depois da maternidade e onde eu conheci e convivi com pessoas maravilhosas. É que depois de ter o Júlio, eu fiquei dois anos sem trabalhar, por uma decisão minha. Eu queria ver o meu filho crescer, ter esse momento com ele, porque depois não volta mais. E também foi importante saber o momento de voltar. Sou mãe e também sou mulher, tenho minha carreira, meus anseios. E isso foi importante pra mim naquele momento, trazer isso à tona de novo.  

Foto: Sergio Baia

Acha que tudo tem acontecido no momento certo, porque a carreira de ator não é fácil, né? Não é uma carreira fácil. Mas eu acredito que sim. Eu acho que nada é por acaso, eu acredito muito nisso, que tudo tem um porquê, um propósito na nossa vida. E olhando pra trás e vendo como as coisas aconteceram, acredito que foram exatamente da forma que deveriam ser. Claro que talvez no meio do caminho, por falta de maturidade, algumas coisas poderiam ter sido diferentes. Mas também não tem como voltar atrás e consertar. Então o que foi, já foi feito, e a gente aprende também com tudo isso. O legal da vida é que a gente aprende com os nossos erros. E isso nos torna pessoas melhores e mais evoluídas. Hoje, olhando para trás, eu estou muito realizada com tudo o que aconteceu.

O seu olhar sobre a profissão de ator mudou muito de seis anos atrás, época de Malhação, para hoje? Eu acho que eu sempre tive muito pé no chão com essa questão. A minha mãe me deu uma educação muito pé no chão nesse sentido, e eu agradeço isso muito a ela. Eu nunca fui deslumbrada com essas coisas, eu sempre soube de onde eu vim, o meu valor e o que me trazia valor. Então, eu nunca acreditei que esse tipo de coisa, glamour, fosse acrescentar na minha vida. Eu sempre tive isso muito claro na minha cabeça. Quando eu comecei, o meu maior desafio era conseguir dar conta daquilo. Era conseguir aprender, me desenvolver e a cada dia me tornar uma melhor atriz. Esse era o meu desafio. Eu não tinha muito na minha cabeça essa coisa de glamour, porque eu nunca gostei, na verdade.