Gloria Pires revê sua vilã Maria de Fátima: “Me levou a outro patamar profissional”

A atriz fala do sucesso Vale Tudo, disponível a partir de domingo no Globoplay


  • 18 de julho de 2020
Foto: Montagem


Em 1988, o Brasil se perguntava: “Quem matou Odete Roitman?”, a grande vilã de Vale Tudo, papel feito brilhantemente por Beatriz Segall. Mas ela tinha uma forte concorrente nas vilanias: Maria de Fátima. A personagem acabou marcando para sempre a vida e carreira de Gloria Pires, então com 25 anos. “Foi um divisor de águas para mim. Com ela que passei à idade adulta e também para um outro patamar profissionalmente”, afirma a atriz.

Escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, com direção de Dennis Carvalho, Ricardo Waddington e Paulo Ubiratan, a obra chega neste domingo, 17, ao Globoplay, para assinantes. E retrata as mazelas humanas e sociais do Brasil, mostrando a corrupção arraigada, a falta de ética e tudo o que um ser humano é capaz pela ganância. Em Vale Tudo, as nuances entre honestidade e desonestidade são exploradas em diferentes medidas e abordagens.

A própria Odete Roitman é um desses exemplos. Rica e manipuladora, a empresária faz tudo por seus interesses, assim como Marco Aurélio (Reginaldo Faria), vice-presidente de sua empresa que, não tem o menor escrúpulo e é capaz de qualquer coisa para se dar bem. Mas a relação em que essa ambivalência mais se destaca mais é entre Raquel Accioli (Regina Duarte) e a filha Maria de Fátima (Glória Pires). “Achei que esse antagonismo ia conquistar o espectador”, conta o autor Gilberto Braga.

Ao contrário da mãe, que sempre batalhou para sobreviver honestamente, Maria de Fátima é movida pelo desejo quase doentio de subir na vida e com aversão à sua origem e à pobreza. Assim, ela passa por cima de tudo e todos para atingir seus objetivos. Tanto que vende a única propriedade da família, no Paraná, e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro para tentar a carreira de modelo. Desesperada e preocupada, Raquel vai atrás da filha e passa a vender sanduíches na praia.

Enquanto isso, a jovem malvada se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), um aproveitador que a estimula a seduzir o milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes) e a se casar por interesse. Gilberto Braga também comenta o fato de ter duas das maiores vilãs da teledramaturgia em uma mesma novela. “A diferença maior entre as duas é que Odete Roitman tinha o poder e Maria de Fátima queria chegar lá. O desempenho das duas atrizes ajudou muito a que alcançássemos o sucesso”, diz.

Gloria Pires, que tinha apenas 25 anos quando interpretou Maria de Fátima, relembra momentos importantes deste trabalho.

Qual foi o seu maior desafio na construção dessa personagem tão intensa? Antes de qualquer coisa, preciso dizer o quanto adoro essa novela. O melhor do estilo Gilberto Braga está lá, com todas aquelas tintas do folhetim tradicional. O meu entendimento era que Maria de Fátima era uma personagem cerebral. Eu busquei fazê-la desprovida de empatia, como os psicopatas são, em vez de acentuar os atos condenáveis que cometeu contra a própria mãe.

Depois de fazer tanta maldade na ficção, você conseguia desligar totalmente da personagem? Não são as ações más ou boas que pesam na rotina da novela, são os sentimentos que levam àquilo, e nisso é que mora toda a questão do estresse.

Como era a repercussão nas ruas? Acho que Vale Tudo inaugurou uma questão que eu não havia reparado antes nas novelas, a empatia do público com a vilania. Isso é muito interessante porque a crítica social que a novela traz é muito próxima.

De que forma você classificaria a Maria de Fátima? Uma jovem mulher ambiciosa e sem empatia. Creio que se encaixa no perfil psicopata.

Maria de Fátima aprontou muito, o que ela fez que foi o pior, na sua opinião? Sem dúvida, deixar a mãe desamparada.

Teve alguma cena que te marcou mais? Houve uma que fiquei bloqueada. Era com o pai, Rubinho (Daniel Filho). Ela o desclassificava, como “fracassado” que era, o humilhava.

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