Bruno Mazzeo e o sucesso de Diário de um Confinado: “Só coisas boas, até para o meu casamento”

Série de crônicas, criada por ele e pela diretora Joana Jabace, sua esposa, está agora no Globoplay


  • 27 de julho de 2020
Bruno e Joana. Foto: Globo/Glauco Firpo


Bruno Mazzeo é sem dúvida um dos nossos melhores roteiristas na linha do humor atualmente, vide a excelente Filhos da Pátria, citando trabalhos recentes. Mas nesta época de isolamento social, ele surpreendeu mais uma vez com a série de crônicas Diário de um Confinado. Criada por ele e pela diretora Joana Jabace, com quem é casado, a trama, que que teve a temporada encerrada neste sábado, 25, na Globo, cativou de cara o público. A produção narra o dia a dia de Murilo (Bruno Mazzeo), um cidadão comum de classe média, na faixa de 40 anos, que vive as angústias e as melancolias do isolamento social. “Tudo foi bom: ter feito, ter feito rápido e nesse momento, ter feito com a qualidade que ficou na tela, ter feito com a Joana”, diz ele.

Mesmo em confinamento, Bruno e Joana contaram com participações especialíssimas, como Fernanda Torres, Débora Bloch, Renata Sorrah, Arlete Salles, Matheus Nachtergaele, Lázaro Ramos, Marcos Caruso e Lucio Mauro Filho. A partir de agora os 12 episódios da série estão disponíveis para assinantes do Globoplay, com direito a um making of, uma espécie de diário do Diário de um Confinado, que mostra as várias etapas do projeto. Ao fim dessa jornada, Bruno faz um balanço para lá de positivo do trabalho. E nós que agradecemos! Criado por Joana Jabace e Bruno Mazzeo, Diário de um Confinado é escrita por Bruno Mazzeo, com Rosana Ferrão, Leonardo Lanna e Veronica Debom, e tem direção artística de Joana Jabace. 

Qual balanço você faz de todo o processo de criação da série até esse final, faria tudo de novo? Faria, sim. Quando terminamos, a primeira sensação que veio foi de vazio. E isso acontece em todo trabalho quando acaba, porque a gente sempre fica muito envolvido. Nesse, especialmente, foi 100% de envolvimento, não tinha a volta para casa. E também, como sempre acontece, na sequência vem aquela sensação de dever cumprido. Depois da filmagem, continuamos trabalhando na série, na edição, na finalização, no lançamento, mas em um outro ritmo. O trabalho não acaba quando a gente termina de filmar. Para mim, o grande objetivo desse projeto era fazer. E valeu muito a pena ter feito! Antes de começarmos a gravar, eu ainda questionava se devia ou não fazer, sobretudo quando ainda estava no início dos textos. Hoje, depois de tudo, só agradeço por não ter desistido – muito graças à Joana, que me motivava nesses momentos, não deixava minha peteca cair. Foi muito importante, não teve nada negativo. Foi bom para mim, pessoalmente, como artista, para o meu sentimento de artista nesse momento. Conseguir ter feito aqui de casa, alcançando tantas pessoas. Foi muito bom para o casamento também, para a minha parceria com a Joana. Só teve coisas boas.  

Foto: Globo/Glauco Firpo

Muitos dos personagens da série, Murilo, a vizinha, a terapeuta, a mãe geraram muita repercussão e até memes nas redes. Como foram os comentários que chegaram até você? Pra completar todas as coisas positivas que comentei, ainda teve isso: a repercussão incrível. O que mais me deixou feliz foi que as pessoas, pelo menos as que vieram falar comigo, não estou saindo, então não estou sentindo a repercussão das pessoas nas ruas, mas pelas redes e pelas pessoas próximas, até colegas não tão próximos, é que todos entenderam a situação, valorizaram o fato de termos feito nesse momento, de termos feito em casa, de termos feito como fizemos. As pessoas assistiram sabendo que fizemos na raça. E uma sensação muito boa foi a da identificação do público. Isso significa que fizemos as opções certas, sobretudo em termos de comédia, da maneira de comunicar. Recebi muita mensagem de gente agradecendo por fazermos nesse momento. Mensagens até emocionantes, como a de uma moça dizendo que a mãe estava com Covid e o programa foi a primeira coisa que a fez sorrir. O programa acabou cumprindo várias funções: como artista, de sentir que a gente está comunicando e vai continuar, independente do momento que a gente viva; de mostrar que dá para fazer uma dramaturgia mais simples; e que a gente pode se reinventar. Senti um carinho muito grande das pessoas que viram, uma repercussão também em termos de volume que eu não esperava. E o núcleo em volta do Murilo era algo fundamental também e que funcionou muito, os personagens foram muito comentados.  

O último episódio da série é cheio de poesia, traz uma mensagem de esperança em meio às angústias. Acredita que todos sairão transformados de alguma forma depois disso tudo? O ideal era que ninguém saísse igual mesmo. Uma crise desse porte não pode passar como se nada fosse. Não dá para enfrentar um tsunami como se fosse uma marola. Acho que quem estiver ligado vai sair diferente, vai tentar tirar de uma tragédia como essa, pela qual a gente espera nunca mais passar, uma lição para levar adiante. Não pode ser à toa. Acho que é uma grande oportunidade de parar e olhar como estávamos vivendo e repensar como levaremos daqui em diante. Eu tive oportunidade de olhar para a minha vida de um outro lugar. Me coloco nessa porque hoje digo coisas que quero levar para a minha vida, mas que também não sei se vou conseguir. A vida é uma correria muito insana e a gente, nessa busca louca por sobreviver e viver, com todos os compromissos, acaba se atropelando. Antes do início do ‘Diário’, ainda no começo da quarentena, por algum momento, minha vida entrou num pause, meus trabalhos foram interrompidos, me fechei só com minha família, nunca havíamos tido tanto tempo juntos, era algo impossível na vida normal. E aí começamos a dar valor a coisas simples, que a gente só dá conta quando perde ou sente falta. Eu, por exemplo, estou sentindo muita falta dos meus amigos. De encontrá-los, falar da vida, rir, se abraçar. Às vezes, no dia a dia, a gente deixa de encontrar o amigo porque está cansado ou porque tem hora para acordar. Mas agora eu penso “tudo o que eu mais queria era um chopinho na esquina com os amigos”. As pequenas coisas, coisas simples, estão ganhando importância, deixando de estar no banal, como pegar um sol, deitar na areia sem fazer nada, dar um mergulho.

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