Veja o que Grazi Massafera faria se tivesse só seis meses de vida

Personagem da atriz em Bom Sucesso, Paloma inicia a trama sendo desenganada


  • 29 de julho de 2019
Foto: Globo/Estevam Avellar


 

Por Luciana Marques

*Confira a entrevista completa no vídeo, abaixo.

A partir desta segunda-feira, dia 29, Grazi Massafera tem tudo para mostrar novamente o porquê é uma das atrizes mais requisitadas de sua geração. Ela estreia na pele da protagonista Paloma, de Bom Sucesso, nova trama das 7. Batalhadora, guerreira, mãe de três filhos, a personagem é desenganada ao buscar um exame de rotina: só tem seis meses de vida. “Tudo muda, coisas dentro dela mudam. Acho que isso faz com que ela veja a vida de uma outra forma, pondere, questione, viva mais intensamente”, conta a atriz.

E é exatamente sobre isso que a novela de Rosane Svartman e Paulo Halm, com direção artística de Luiz Henrique Rios fala, de que a vida é finita e única. E a importância de se valorizar intensamente as pequenas coisas do cotidiano. “Na vida tudo passa, isso tudo passa (glamour, sucesso...) Eu só quero deixar uma história para a minha filha lembrar com orgulho”, reflete a mãe de Sofia, de 7 anos, da união com o ex, o ator Cauã Reymond.

Paloma (Grazi Massafera). Foto: Globo/Victor Pollak

Como otimizar o tempo de mãe, protagonista de novela? Eu tive o luxo de poder contar com o auxílio de pessoas da minha família, de anjos da guarda, que são meus funcionários, eu chamo de anjo da guarda porque quando a pessoa trabalha com amor, não tem preço. Então eu contei, conto com a ajuda dessas pessoas pra ter ali o auxílio junto comigo quando estou gravando, a Aline, a Raquel. A Paloma e tantas outras Palomas não têm, a situação é bem mais complicada. Imagina você ser mãe de três filhos, cozinhar, lavar, passar, cuidar, tem o colégio... E eu costumo dizer que quando são bebezinhos, é mais fácil, porque quando cresce, na hora de educar mesmo, vai ficando tudo mais complicado, eu estou sentindo isso na pele. Então há muitas Palomas por aí. Acaba sendo uma homenagem a elas.

Você está preparada para ser mãe de uma adolescente? Não tô! Porque eu fui adolescente do interior (Jacarezinho/PR), uma coisa é ser adolescente no Rio de Janeiro. Aqui é são muitos atrativos... Então eu conto com a ajuda do pai (Cauã Reymond), muita conversa com ela, já estou desenvolvendo o olho no olho. Coisas desse tipo... Eu tinha uma coisa com a minha mãe que eu não conseguia mentir pra ela. Então tudo eu dizia a verdade. E a gente criou uma conexão de mãe, amiga, e eu acho muito bonito até hoje. E eu tento ter isso já com a Sofia.

 

Se você tivesse no lugar da Paloma e recebesse um exame dizendo que você só tem 6 meses de vida. O que faria? Talvez algo parecido com ela. Eu ia viver intensamente esses meus seis meses. Ia mandar tudo para as “cucuias”, viajar para tudo o quanto é lado, comer, beber, agarrar muito a minha pequena.

Alberto (Antonio Fagundes), Marcos (Romulo Estrela), Paloma (Grazi Massafera) e Ramon (Davi Junior). Foto: Globo/João Cotta

Você tem 3 filhos na trama, na vida real pensa em ter mais? Eu quero!

Quantos? Não sei, peraí, deixa eu arrumar um pai...

A Paloma tem uma intimidade com a literatura, também tema da trama. E você, sempre teve essa conexão com os livros? Não, quando eu pegava o livro lá em casa, minha mãe dizia, “aí, vagabunda, vai trabalhar”. Sabe, o livro era uma coisa de não ter o que fazer. Pra maioria do brasileiro, infelizmente ainda é assim. Não julgo a minha mãe, minha família, mas é que tem uma conotação de que a pessoa não está fazendo nada... E pelo contrário, é tão lindo. E o hábito de ler tem quer ser desenvolvido desde cedo. Hoje eu leio muito com a minha filha. Recentemente eu estava lendo o livro de uma das palestrantes da novela, A morte é um dia que vale a pena viver. É maravilhoso esse livro. Eu comecei a ler, e de início a gente pensa, ai meu Deus, vai falar de morte. Mas você vai vendo que fala mais sobre a vida, sobre a qualidade da vida, sobre como você vive os seus dias aqui, porque a finitude existe para todos. Você não sabe qual o seu tempo, o do seu amigo. Só quando você tem uma doença grave você entra em contato real com esse tempo.

Seu parceiro de cena, Antonio Fagundes é um leitor voraz. Ele deu dicas a você de leitura? Eu não tô conseguindo ler, mas ele já me deu uma pilha de livros divinos e maravilhosos. E é um presente estar com esse homem, indicando livros pra você, contracenando, pôxa...

 

 

 

A Paloma formará um triângulo amoroso com o Ramon (Davi Junior) e com o Marcos (Romulo Estrela). Como vai ser isso? Quando ela descobre que vai morrer e depois descobre que não vai morrer mais, a vida dela muda. Tudo ao redor muda, coisas dentro dela mudam. Acho que esse contato faz com que ela veja a vida de uma outra forma, e pondere, e questione, e viva mais intensamente as coisas. Ela nunca se daria ao direito de uma paixonite, de viver aquilo com o Marcos. E depois que tudo aconteceu, ela se dá esse direito. E não é uma coisa que ela controla. O Marcos é uma pessoa que mexe com ela. Acho que todo o mundo já teve esse tipo de pessoa em sua vida, aquela pessoa que você está no mesmo ambiente e diz, caramba, eu tô estranha. O que está acontecendo? Não dá para explicar! O Ramon é o amor de quase infância, da adolescência, eles têm uma filha, desgastou, mas existe aquela raiz. Então isso é legal, a contradição, o conflito.

Você é uma das atrizes mais requisitadas na TV, na publicidade, e permanece sempre humilde. Qual o segredo, porque há pessoas que se perdem por muito menos... É saber que na vida tudo passa. Todo o mundo morre, a louca já tá falando de morte (risos). Mas tudo passa, a gente não é nada, eu só quero deixar uma história para a minha filha lembrar com carinho e orgulho de mim. De resto, o que a gente leva?

 

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