Thais Müller, a Minha Flor: “Ela tem uma força de mulher, saio diferente da novela”

Atriz de Topíssima produz nova peça infantil e fala da importância da arte para a formação de uma criança


  • 24 de outubro de 2019
Foto: Vinícius Mochizuki


Depois de um tempo se dedicando à tramas bíblicas, como Os Dez Mandamentos e Lia, Thais Müller está no ar na contemporânea novela Topíssima. No atual sucesso da teledramaturgia da Record TV, a atriz vive a divertida e certinha Minha Flor. Em capítulo recente, a jovem quase perdeu a vida ao ser atropelada misteriosamente. “Acho que saio da novela bem diferente de como comecei. Amo quando acontece essa troca com o personagem!”, diz ela sobre a personagem que faz par com Mão de Vaca (Fabio Beltrão).

Aos 27 anos, Thais já soma 24 de carreira. Filha dos atores Anderson Muller e Marcela Muniz, aos 3 anos ela estreou nos palcos em A Dama e o Vagabundo. Após inúmeras montagens infantis, foi reconhecida nacionalmente em O Cravo e A Rosa, aos 7 anos, como a “fofa” Rosa. O tempo passou e a atriz comenta sobre as cobranças em relação à estética para quem cresceu na TV. “Precisei me amar e amar meu corpo primeiro, pra depois começar a me dar bem com essa cobrança toda”, conta.

Na entrevista, Thais fala ainda de suas facetas como empresária da moda e produtora teatral, num momento em que os artistas enfrentam uma grande crise na cultura.

Fale de Minha Flor, de Topíssima....Como buscou inspiração, principalmente após alguns projetos bíblicos? Confesso que estava com saudade de fazer algo contemporâneo, mais próximo de mim. Mas o desafio foi enorme, pois a Minha Flor foi a minha primeira personagem que não era uma menina. Ela tem uma força de mulher, uma garra, corre atrás do que quer. Aprendi muito e trocamos demais.

 

Minha Flor (Thais Müller). Foto: Blad Meneghel/Record TV

Como foi gravar uma novela toda sem poder assistir suas cenas, sem ter o retorno da crítica e do público? É diferente do que estamos acostumados. Mas mesmo sendo uma novela fechada, a gente não teve acesso a todos os capítulos, a produção foi soltando os blocos aos poucos. Então para criar e traçar como seria a Minha Flor, não teve muitas mudanças. Mas a falta de ver o que estávamos fazendo, fazia com que a gente acreditasse muito no outro, nosso núcleo se uniu de uma forma muito bacana, dando dicas, escutando, a gente se ajudava muito. Foi essencial! Acho que tanto pra mim, como para todos da República. E o carinho que estamos recebendo do público agora, prova que fomos no caminho certo. A novela está linda!

Ser filha de dois atores (Marcela Muniz e Anderson Muller) ajuda mais ou atrapalha mais? Acho que tem os dois lados da moeda. Se eles pudessem escolher por mim, não teriam traçado esse caminho, mas depois que viram que não tinha mais jeito, me apoiaram desde o primeiro instante. Tem uma pressão por ser de família de artistas, mas eu prefiro pensar que tenho sorte de ser filha de dois atores que eu admiro demais! Existe inspiração melhor? 

Você tem uma loja em SP onde vende camisas unissex criadas por você. Como é sua relação com a moda? O que não entra no seu guarda-roupa? Eu acho que a moda retrata muito o que você quer dizer naquele momento, vestindo aquelas peças. Não sou muito ligada em tendências, mas gosto de experimentar tudo. Meu guarda roupa é bem eclético, eu sou bem assim também, tem todos os estilos, até porque acordo cada dia de um jeito. Isso que é divertido, você poder se vestir e ser uma pessoa diferente por dia.

E como é ser empresária no Brasil? Nosso país não é o lugar mais fácil para pequenos produtores, então por isso busco sempre, no dia a dia, enaltecer pequenas marcas, comprar de quem faz mesmo Pois essas pessoas fazem toda a diferença e se dedicam muito com o que estão produzindo, eu vivo isso na pele.

Foto: Vinícius Mochizuki

Não bastasse ser empresária de moda, você ainda tem produzido espetáculos. Fez o infantil Missão super secreta em 2018 e agora vai fazer a remontagem de O zoológico de vidro. Como escolhe os projetos que vai montar? O infantil já era um projeto antigo, produzi junto com meu pai, era um sonho nosso, um espetáculo lindo que eu queria muito colocar de pé. Já o Zoológico, veio através de um estudo teatral com um amigo, e nos apaixonamos imediatamente pelo texto. Então, acho que posso dizer, que os projetos que andam me escolhendo, de uma certa forma!

Qual a parte mais difícil de produzir? Falar de cultura no país está bem delicado. A arte está cada vez mais sem incentivos, tornando cada vez mais difícil produzir espetáculos sem um grande nome por trás. Mas a gente não desiste. Ser artista é resistência!

Acha que investir em produtos infantis de fato influencia na formação de plateias no futuro? Claro! É uma forma de mostrar para os pequenos que o teatro ainda vive. Tirar eles um pouco das telas, da internet, dos jogos e viver uma experiência real! Os pais precisam continuar a levar seus filhos ao teatro, é de grande importância pra pessoa que eles vão se tornar no futuro. Fora que é a plateia mais deliciosa e sincera que existe.

Você foi uma criança que estreou em O cravo e a Rosa. Até hoje saem entrevistas suas falando que você cresceu e deixou de ser “fofa”. Como analisa essa cobrança estética do público e da imprensa? Entendi que não é só o externo que importa, mas você se cuidar, comer saudável, praticar exercícios, faz um bem danado pro seu interior também, e sua forma física é só uma consequência disso. Mas acho que estamos caminhando para um lugar onde todos os corpos, de diferentes tamanhos e formas, são vistos como belos e importantes para nossa sociedade, e não existe ideia mais linda que essa.

E como é sua relação com as redes sociais? Relutei um pouco até me entregar e entender que essa aproximação com o público também faz parte do meu trabalho. Hoje, lido muito bem, gosto de compartilhar o meu dia, onde estou, dar dicas das coisas que gosto, e receber o carinho das pessoas que me acompanham que são incríveis.

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