Tempo de evolução e espiritualidade para a jornalista Anne Lottermann

Ela relembra trajetória como professora no sul até o JN e se emociona ao falar de filhos e superação


  • 05 de setembro de 2020
Foto: Reprodução Instagram


Por Daniela Sallet

Ela mescla, harmoniosamente, a voz firme com a leveza nos gestos e figurinos básicos. Do alto do seu 1m74cm de altura e raros acessórios, apresenta, todas as noites, a previsão do tempo no Jornal Nacional e do SP2 da Globo. O papel da gaúcha Anne Lottermann é traduzir ao público a análise técnica dos meteorologistas sobre os fenômenos climáticos. Já a serenidade que transmite no vídeo é a mesma de quando fala da origem simples da família de Santa Rosa, a 530 quilômetros de Porto Alegre, como aconteceu durante live no Instagram do Portal ArteBlitz  

Os pais trabalhavam na zona rural, e Anne queria ser professora. Cursou o Magistério na pequena Cândido Godói, no Instituto Estadual Cristo Redentor, nome que tinha algo de profético. No primeiro dia de aula na escola, ela usava uma camiseta com a estampa do Maracanã e do Cristo Redentor. “Jamais imaginava que fosse mudar para o Rio, não passava pela minha cabeça”, falou, categórica, a jornalista que também foi Soberana daquele município, escolhida em um concurso aos 15 anos.

Foto: Reprodução Instagram

Já professora formada, Anne saiu do Interior motivada por um “olheiro” que a conheceu dentro de um ônibus e identificou nela o perfil ideal de modelo. A garota de 17 anos primeiro foi a São Paulo, tentou o mundo da moda e, para se sustentar, atuou também na produção de eventos. Desistiu da moda para estudar Jornalismo. Foi para o Rio, fez a faculdade e conheceu Flavio Machado, futuro marido e pai dos filhos Gael e Leo.  Foi o empresário que a incentivou a entrar no mercado durante a graduação. Anne começou na Rádio Paradiso, foi para a Band Rio, fazendo apuração das notícias policiais e, depois, a apresentação de um telejornal local, em Niterói. “Eu escrevia, gravava, editava, fazia tudo. Foi uma escola maravilhosa pra mim”, lembrou.

Anne seguiu para a Band São Paulo, onde morou por três anos. E tomou a decisão de retornar à casa carioca. “Eu tinha acabado de casar. Não faz sentido casar e ficar longe do seu marido, é aquela coisa de equilíbrio na vida, né?”.  Anne entrou na Globo News para um contrato temporário de seis meses. Em abril de 2011, fez a cobertura ao vivo da tragédia na escola do Realengo, quando um jovem armado invadiu o local e matou 12 alunos. “Ninguém esperava que eu pudesse segurar tanto tempo no ar.”  Mostrou o que sabia e foi efetivada na emissora onde está até hoje, agora no canal aberto e no principal telejornal.

Amorosa com os filhos, afetuosa com os colegas de trabalho, Anne Lottermann enfrentou um drama pessoal em 2017. Depois de 12 anos juntos, o marido faleceu, vítima de um câncer raro e agressivo. “Eu e o Flavio tínhamos uma coisa muito forte, uma parceria  incrível, a gente tinha certeza de que era um reencontro de almas” , comentou, emocionada. De família católica, Anne lembra que ia, frequentemente, às missas com a mãe. “Agradeço muito à ela porque fé é hábito, quanto mais você pratica, mais vai entendendo e mais forte sua fé fica. Não dá pra rezar, agradecer ou pedir só quando há um problema, tem que fazer disso uma coisa constante na sua vida”. Anne afirma ter encontrado muitas respostas no espiritismo, que começou a estudar ainda com o marido. “A vida nos encaminhou para o espiritismo, talvez até para nos preparar para aquele momento (de enfrentamento da doença)”.

Foto: Reprodução Instagram

Quem fala com Anne Lottermann, conhece uma mulher autêntica. E resiliente, que enfrenta sua dor olhando para as outras pessoas. Neste processo de superação, ela reflete: “Não posso fazer disso um drama, porque tem gente sofrendo a mesma dor que eu ou até pior. Eu perdi meu marido, mas minha sogra perdeu o filho dela. Eu não imagino a dor que é você perder um filho! Sempre me coloco no lugar dela que perdeu um filho, no lugar dos meus filhos que perderam o pai tão pequenininhos, no lugar de tantas outras pessoas que perdem os filhos de forma tão violenta, sem ter chance de brigar pela vida. A gente brigou pela vida dele até o final, até onde a gente conseguiu”, disse ela, emocionada.

A leveza que o telespectador encontra, diariamente, na jornalista tem muito da espiritualidade de Anne. “Sempre acho que nada é à toa e, se aconteceu, é porque eu preciso passar por isso, aprender com isso para a minha evolução, para a evolução dos meus filhos”. Filhos, aliás, é um tema que faz Anne abrir o sorriso. Quem navega por suas redes sociais, consegue entender que a maternidade é a grande realização da jornalista. “Eu amo ser mãe, nasci pra ser mãe. Falo que minha missão de vida é criar dois meninos e dar de presente para o mundo dois homens incríveis. Quero que meus filhos sejam respeitados e amados por onde eles passarem”, disse a inspiradora mãe de Leo e Gael.

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