Sergio Guizé, de O Outro Lado do Paraíso:

“Dizem que sou tímido, porque não falo muito. Mas o mais interessante é escutar, aprender”


  • 22 de novembro de 2017
Foto: Globo/João Miguel Júnior


Por Ana Júlia

Protagonista de O Outro Lado do Paraíso, Sergio Guizé, na pele de Gael, tem provocado indignação nos telespectadores pelas cenas fortes de violência contra a mulher, Clara (Bianca Bin). Já na vida real, com seu tipo low profile, tranquilo e tímido, o intérprete admite os erros do personagem, mas acha que, através do amor, ele pode se regenerar. “Ele vai para o caminho de luz, com certeza”, aposta.

Se essa previsão otimista de Guizé quanto ao futuro de Gael vai ocorrer ou não, só o autor Walcyr Carrasco pode dizer. O que nós sabemos é que esse ator de 37 anos, natural de Santo André, SP, tem brilhado a cada novo desafio. Com quase 20 anos de carreira, Guizé, que é cria do teatro – sua primeira peça foi O Beijo do Asfalto, em 1998 –, despontou mesmo na TV em Saramandaia, como o emblemático João Gibão. Depois, fez personagens principais em Alto Astral, Caíque, e Êta Mundo Bom!, o Candinho. “É passo a passo...”, diz ele, modesto, que também é vocalista da banda Tio Che.

"Acho que não é só esse personagem que representa o machismo na trama, tem personagens femininos que representam muito mais do que ele."

Como foi o processo de trabalho e o que esse papel tem mais instigado em você?

Foi um processo intenso. A gente começou a preparação lá em maio com o Eduardo Milewicz. Ali o elenco começou a se conhecer, pessoas de várias gerações, escolas. E eu acho que nesse começo já deu para se apaixonar pelo processo todo. Aí fomos gravar no Jalapão, onde eu acho que os personagens começaram a nascer, desde que a gente pisou naquele lugar mágico, forte, com um povo lindo. É uma história de amor diferente contada por personagens complexos, num lugar muito lindo.

Acredita que esse temperamento agressivo do personagem vai levar à discussão sobre a violência doméstica?

Acho que não é só esse personagem que representa o machismo na trama, tem personagens femininos que representam muito mais o machismo do que ele. Acho que a novela ainda vai levantar várias discussões. São temas fortes, importantes, acho que é o momento certo de discutir esses temas, preconceito...

"Estou tentando entender ainda o Gael, ele tem muitas viradas. Mas, acho, sim, que é espelhado em pessoas que conheci, que o Walcyr conheceu. É um personagem  muito possível."

Ele começou como um príncipe encantado para Clara e teve uma virada. E agora?

Eles se conhecem e casam muito cedo. E acontecem coisas muito boas e coisas ruins. Eu acho que ele vai tentar se transformar a partir do amor. Ele ama a Clara de verdade. Comete erros, acho que ele tem que pagar, mas acho que o amor vai transformar ele.

Acha que existem muitas pessoas como o personagem, com essa bipolaridade?

Olha, estou tentando entender ainda o personagem, muitas camadas, ele tem muitas viradas. Mas, acho, sim, que é espelhado em algumas pessoas que eu conheci, que o Walcyr conheceu, com certeza. Acho que ele é um personagem muito possível.

"A Marieta é uma escola. O seu Lima também. Nossa, estou encantado, eu vou lá para aprender..."

Na novela você contracena com gigantes da TV, Marieta Severo, Lima Duarte... Como está sendo essa parceria?

Maravihoso! Marieta é uma escola. O seu Lima também, gravo bastante com ele. Nossa, estou encantado, eu vou lá para aprender. E tem os meus amigos Bianca Bin, está fazendo tão bem, a gente já trabalhou junto, ela é maravilhosa. O Rafael Cardoso, que eu não conhecia, a Grazi Massafera, a Ju Caldas...

Sua carreira está numa crescente. Como avalia isso, afinal, é protagonista atrás de protagonista...

Olha, um é preparação para o outro, de alguma forma. A gente fala que preparação a gente vem fazendo desde o início, nas primeiras aulas de teatro. A gente vai se preparando para quando a cruz estiver mais pesada. E indo devagar, pensando no personagem mesmo para tentar contar essa história da melhor forma possível.

"Dizem que sou tímido, porque não falo muito. Mas acho que o mais interessante é escutar as pessoas, aprendo muito mais. E eu estou numa fase de aprender, aproveitar o que a vida tem para dar."

Como é criar um personagem com tantas nuances, há um método?

Eu vou buscando, levando presentes para o personagem, leio coisas, assisto, conheço pessoas, entrevisto pessoas, converso com diretores, eles são nosso grande apoio. É um jogo gostoso. Mas é um processo difícil, eu sofro. Na verdade, é um namoro novo, sabe? Você vai conhecendo, vai perguntando para quem sabe mais do que você, os outros atores, diretores, o Walcyr e a gente vai construindo ele aos poucos. Mas é um trabalho de imersão. Eu não fico esperando inspiração, de jeito nenhum.

Você chegou a entrevistar pessoas?

Sim, lá em Tocantins, eu sentava e conversava, perguntando da vida mesmo. E eu sou assim... Quero saber das pessoas. Às vezes, dizem que sou muito tímido, porque eu não falo muito. Mas acho que o mais interessante é escutar as pessoas falarem, acho que eu aprendo muito mais. E estou numa fase de aprender, aproveitar o que a vida tem para dar. 



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