Rosane Svartman e os recordes de Bom Sucesso: “Nunca é esperado”

Autora avalia triângulo Paloma, Marcos e Ramon e diz não descartar amor para Alberto


  • 28 de agosto de 2019
Foto: Reginaldo Teixeira/Divulgaçao


Por Luciana Marques

Cineasta, roteirista, diretora e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Rosane Svartman assina atualmente, junto com o parceiro Paulo Halm, a excelente trama das 7 Bom Sucesso. Ao completar o primeiro mês no ar, a novela atingiu 30 pontos de média em São Paulo, o que não acontecia no mesmo horário desde 2006. Já no Rio, a produção marcou 31 pontos, maior índice desde 2012. “Uma novela você joga ali, são cartas ao vento, que você não sabe o que vai dar certo”, conta.

Mesmo com a experiência de inúmeros trabalhos solo e em parceria com Halm, como Totalmente Demais, indicada ao Emmy Internacional, em 2017, e Malhação: Sonhos, que concorreu ao Emmy Kids nas categorias Digital (2016) e Melhor Série (2015), Rosane confessa que em época de novela no ar quase não tem unha. “Eu sou a ‘doida’ dos números, acompanho tudo, vejo o que escrevem nas redes sociais, o que falam no CAT... É uma forma de dialogar com o público”, explica.

No papo com o Portal ArteBlitz durante o debate do lançamento do livro O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma, do jornalista Valmir Moratelli, no Rio, ela avaliou a trama dos principais personagens, rasgou elogios a nomes do elenco e confessou estar numa “encrenca” quanto ao triângulo amoroso central: Paloma (Grazi Massafera), Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior).

Rosane entre Luiz Henrique Rios, diretor artístico da trama, e o parceiro na autoria, Paulo Halm. Foto: Globo/Estevam Avellar

Vocês se surpreenderam com toda essa audiência, o entusiasmo do público com a novela nesse início? Nunca é esperado! Uma novela você joga ali, são cartas ao vento...  Mas se você pensa também, ah, agora vou contar uma história que milhões de pessoas têm que gostar... Nossa, isso dá medo, a gente não consegue dar nenhum passo adiante, você engessa. Então o que a gente faz é: ‘Eu acredito nessa história', vai acontecer isso, é um passo de cada vez. E a gente acredita muito na história que a gente está contando. A gente mesmo fica querendo saber o que vai acontecer. Claro, a gente tem um planejamento, mas essa é uma pergunta difícil, como você sabe o que vai dar certo e o que não vai dar, se eu soubesse seria muito mais fácil.

Mas em um mês de novela, vocês estão batendo recordes no horário... Sabe o que acontece comigo? Eu sou uma pessoa tão ansiosa, que já nem tenho mais unha (risos). Eu penso, ai Meu Deus, e agora os outros cento e tantos capítulos, será que vamos segurar? Será que a gente vai merecer esse público, será que a gente vai conseguir? Eu acompanho todos números, leio tudo, vejo tudo, rede social, blog, peço dados ao CAT, porque são termômetros. Não é falar, ah, não estão gostando, eu vou mudar. Mas é, ah, isso aqui me deu uma ideia, será que se a gente for por aqui... É uma forma de dialogar com o público.

No início, as pessoas comentavam, será que vai dar certo colocar literatura, diálogos de grandes clássicos no texto num horário das 7, numa era tão tecnológica... E as pessoas compraram, né? Então, a gente parte da narrativa e vê para onde está indo. E as ideias vem às vezes até dos próprios atores, o Antonio Fagundes, por exemplo, é uma pessoa que lê muito, e volta e meia ele dá uma ideia. E outros também. Eu leio muito, o PP (Paulo Halm – autor) lê muito, as pessoas da equipe adoram ler também. E eu tenho vários amigos que são leitores vorazes. A gente comenta às vezes, ah, está acontecendo isso na trama, a gente quer falar de ciúmes, e alguém diz, Otelo, mas também tem Dom Casmurro... A gente pega de grandes histórias. Eu acho que quando a gente traz os livros, a literatura, a gente está celebrando o imaginário, como as histórias são importantes para a nossa vida. A gente precisa se inspirar, precisa de fruição, precisa refletir, dar um passo para trás, dar uma descansada e fantasiar um pouco. A literatura e a novela fazem um pouco isso. A gente vê pelo o que o personagem tá passando e pensa qual seria o grande livro para falar desse assunto.

A Grazi está surpreendendo vocês como a Paloma? A Grazi está surpreendendo muito. E alguém me mostrou que ela compartilhou um áudio da mãe dela falando da novela, eu fiquei tão emocionada. Porque desde o início que a gente conversou com ela, ela disse, minha mãe é a minha inspiração. E quando eu vi ela compartilhando o áudio, uma colaboradora me mostrou, eu disse, nossa! E sabe o que mais me emociona na Grazi? A gente olha o rosto dela na tela e passa tanta coisa, os sentimentos da personagem, se tá com vergonha, daqui a pouco vem uma segurança, vem uma raiva, e está tudo lá. Que atriz, que verdade que ela passa. E outra coisa que realmente eu fico sempre emocionada é a relação da Paloma com os filhos, a verdade, aquele afeto.

Vocês já estão com uma grande encrenca que é esse triângulo amoroso envolvendo Paloma. Tem uma parte do público que já ama #Maloma, Marcos e Paloma, mas outra que torce muito por Paloma e Ramon. E aí? Então, nós somos uma equipe, a gente fica discutindo. Por enquanto, a gente está colocando, implementando a história. Eu sempre acho que a gente não tem que colocar um personagem lá para ser apedrejado. A gente tem que defender todos os personagens, então a gente defende no triângulo amoroso. Assim como aconteceu em Totalmente Demais, dentro da equipe tinham todos os times, e agora dentro da nossa equipe a gente tenta entender realmente o que ela sente quando está com um e o que ela sente quando está com o outro. E defender os personagens para eles serem íntegros... A gente tenta pensar pela cabeça deles. Mesmo os que são os vilões a gente tenta entender o que estão pensando, por que agiram daquela forma, por que aquela pessoa se sente menosprezada, por que está sendo agressiva. Então eu, na verdade, defendo os dois. Acho que o Ramon tem qualidades incríveis e defeitos, assim como o Marcos. Vai ser uma encrenca! E a gente não tem nada fechado, decidido. A gente vai escrevendo, discutindo...

O Diogo (Armando Babaioff) está pintando aí como um psicopata, né? Ele vai ficando cada vez pior. Mas eu acho que ele vai se revelando não só para a audiência e para as pessoas em volta dele, mas para ele mesmo. Ele vai descobrindo até onde pode ir por ambição ou interesse. E o desafio dele é saber até onde ele vai.

Foto: Reginaldo Teixeira/Divulgação

E a Nana (Fabíula Nascimento) é uma grande personagem também, né? Numa entrevista com a Fabíula, ela me disse que a Nana não é burra, que ela acredita naquele homem, porque é quem está sempre ao lado dela... Ela não é burra. Como eu disse, eu adoro todos os personagens. Claro que a Nana antagoniza com a Paloma em vários momentos da trama. Mas tem uma coisa que a Gloria Perez me disse e ela tem razão, você tem que se colocar dentro da pele do personagem sempre. Mesmo personagens que são difíceis de você falar com a voz deles. Mas eu acho que no caso da Nana, ela está com tanta coisa na vida dela, e ela vai se revelar aos poucos. A gente vai conhecer mais do passado dela, o que fez ela ser tão durona, controladora. Nesse momento ela está com o pai doente, o problema da editora, o irmão que ela não sabe se confia... E aquele marido, de alguma forma, é o único que apoia ela. Ele falou isso num capítulo: ‘Eu faço ela sorrir...’ Quem mais faz ela sorrir? E é claro que ela ama a filha, mas se acha tão devedora daquele pai, daquele lugar, ela quer ser uma super heroína como aquele pai, tem um buraco aí tão grande pra Nana que é difícil pra ela. E a Fabíula está maravilhosa. A menina também que faz a filha dela, a Valentina (Vieira), eu fico com vontade de chorar nas cenas. A gente ama Valentina. Acho que todos os personagens a gente fica pensando, qual o desafio dele, em que ele tem que se transformar. Será que o antagonista tem que se transformar em algo ruim para conseguir o que quer?

O Alberto é um personagem que está sendo muito querido pelo público..Gente, mas e o que é o Fagundes?

E isso tudo apesar de ele ser turrão, ter uma relação complicada com os filhos... Então, é isso, tem até um capítulo em que ele fala, eu li os livros errados para os meus filhos, Peter Pan para o que não cresce, e a Bela e Fera para aquela que acha que vai me transformar em outra coisa. Mas tem uma coisa aí que ele e a Nana são muito parecidos, ele trabalhava o dia inteiro também, ficava fora, a gente está dando várias pistas disso também...  

O Alberto pode ganhar um amor nesses meses de vida que restam a ele? Tudo pode acontecer. A gente fala sobre isso. E é uma questão. A gente fala que são várias as trilhas que a gente quer abrir, quer que aconteça...

Gabrielle Joie: “Espero o dia em que não será preciso ficar reverberando nosso sofrimento”

Armando Babaioff: “Diogo é um parque de diversões para qualquer ator”



Veja Também