Ricardo Pereira sobre “Clomeida”: “Sabíamos que era uma história de amor sofrida, mas foi impactante”

Ator comenta as cenas de triunfo do casal e exalta parceria de Simone Spoladore


  • 05 de março de 2020
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Luciana Marques

Em 15 anos no Brasil, o português Ricardo Pereira já fez cerca de 12 novelas, protagonistas, vilões, mas admite que viver o Almeida, em Éramos Seis, está sendo diferente. A torcida, então, pelo amor do personagem e de Clotilde (Simone Spoladore), o casal #Clomeida, foi algo que há tempos não se via. “A gente sabia que era uma história forte de amor sofrida, mas foi impactante demais. Eu falo isso de verdade. Você sente o público diferente nas ruas, foi uma novela que tocou diferente as pessoas”, avalia ele.

Ricardo exalta a parceria da colega Simone Spoladore. Ele diz que os dois se derão as mãos e foram juntos. “Eu acho que isso deu para ver no ar”, conta. No capítulo exibido ontem, dia 4 de março, o casal finalmente reata. A partir daí, o ator conta que o público será brindado com cenas fofas do par e também com o filho, Chiquinho. E não só no último capítulo. “A autora (Angela Chaves) quis mostrar a alegria deles, não só no final. Porque o público acompanhou, não criticou o Almeida, entendeu, mas acho que a torcida duplicou querendo que ele voltasse para a Clotilde”, fala.

Que balanço você faz do Almeida até agora na trama? Foi um prazer! Vem na contramão do que eu tenho feito. É um personagem que foi construído de forma que não vive sem o grande amor dele, a Clotilde. Então a Simone, que faz a personagem, teve muita importância na construção do Almeida. Acho que ele vive do olhar que tem para ela, do olhar que ela tem para ele. Muito de silêncio, de amor, de paixão, de um olho vibrante, com história. Um homem que carrega um carma muito grande da época. Um personagem muito bacana de fazer, muito adulto. E que deu para a gente construir fases diferentes dele. A gente sente a evolução na vida dele, um amadurecimento.

Clotilde (Simone Spoladore) e Almeida (Ricardo Pereira). Foto: Globo/Camilla Maia

Você sentiu que teve algum momento que o Almeida foi criticado por alguma atitude, porque a gente ficava torcendo para ele voltar para a Clotilde... Eu tive medo de um momento. Acho que quando ele ficou com a Natália (Marcela Jacobina) e decidiu morar com ela, com os filhos, eu achei que as pessoas pudessem não entender que ele tem um caráter. Ele realmente tentou de tudo com o grande amor da vida dele. Eu achei que o público ia dizer, porque agora esse cara não larga a Natália e fica com a Clotilde e os filhos. Mas mais uma vez esse personagem revelou o caráter dele. Ele reconheceu que a Natália o ajudou muito para ter os filhos em casa. E ele não queria ser mau-caráter com ela. E abriu mão mais uma vez do amor dele. Só que a Natália veio se revelar uma pessoa impaciente desse amor e uma pessoa que não estava verdadeiramente encantada por esse Almeida. Então eu acho que está tudo certo e tudo acabou bem. E o legal é que o fim desses personagens não é aquela coisa, ah, no último capítulo a gente vê o final triunfante. Não. Eu acho que a autora quis trazer muita alegria ainda em várias cenas para o público se deliciar.

E aquelas cenas do retorno dele a Itapetininga, no batizado do Chiquinho e no reencontro com Clotilde, foram muito fortes, né? Sim, que ele segura o filho, essas cenas foram ótimas. Mas ele não sabia de nada. Mas é aquilo que a gente sabe que tem na vida, energia. E é engraçado, quando eu falo do público ter torcido muito por esse casal, a gente recebeu muito feedback. E eu já fiz muita novela e a torcida desse casal é muito grande, a gente consegue medir isso por todo o conteúdo digital, a quantidade de páginas que eles aparecem, no twitter... O público sofreu com esse casal a impossibilidade do amor, então quando ele chega, pega o filho, não sabe que é o filho, mas sente uma energia, e como a cena foi editada ao ar, fica ainda mais mágica. Isso deu força e embaralhou a cabeça dele.

Como foi gravar o reencontro deles agora, ele já se declarando? Esse reencontro de Itapetininga foi um prazer de fazer. E a Simone é uma grande parceira, eu amo a Simone. E esse encontro, essa novela pra gente foi sofrida. E eu acho que nesse encontro final a gente botou toda a felicidade, toda a emoção, toda a alegria, uma coisa bem solta. Finalmente, bora viver. É como dizer, agora a gente tem o direito de ser feliz. A gente foi muito parceiro ao longo da novela, a gente trabalhou muito junto e muito de mão dada.

Foto: Globo/Paulo Belote

O que você mais escutava nas ruas? Todo o lugar que eu ia, padaria, rua, academia, pessoas correndo... Agora eu estou me preparando para uma meia maratona em Portugal e corro às 5h, 6h da manhã, mas me seguram, me agarram e falam: “Agora você vai ficar com a menina, hein? Não vai deixar ela” (risos).

Você acha que a trama pega muito tanto o público feminino, mas também o masculino? Sim, pega o público masculino também. Porque essa novela não tem um vilão, o vilão é a vida. Todos nós temos os nossos problemas. E essa novela aborda a vida e questões muito parecidas com as nossas do dia a dia, embora seja de um outro tempo. As nossas dificuldades familiares, de educação, de conquista, de você ter uma casa própria ou pagar um alugar, ou ser despedido...Eu acho que essa novela te leva para uma viagem às vezes interna da vida. E essa identidade atraiu o público. E tem muito homem que com certeza viaja muito nessa questão. Quantas pessoas deixaram grandes amores porque a vida os obrigou a ir por um outro caminho? Acho que essa impossibilidade do amor aproxima as pessoas a essa história.

O que o público pode esperar do momento em que ele descobre que é pai do Chiquinho? Olha, essa cena é muito bonita. E mais bonito é um papo que o Almeida tem com o Zeca (Eduardo Sterblitch). É um momento delicado e difícil porque é a família que a Clotilde deu o filho. A irmã e o cunhado vão ter que abrir mão do bebê. Então tem um papo bem interessante. São dois homens se colocando num lugar diferente. Com um agradecimento muito especial, sem a dureza do homem que nessa época era mais bruto nas suas emoções. Então eles estão ali sem escudo, é uma cena muito delicada.

Algum projeto após o fim da novela ou vai tirar umas férias? Agora vou descansar um pouquinho. Eu e a minha esposa (Francisca) vamos correr uma meia maratona em Lisboa, depois viajo um pouco, mas como as crianças estão estudando, é por aqui que a gente fica. Tem o filme De Perto Ela Não é Normal que estreia agora, da Suzana Pires. Tem também o longa Golpe de Sol que estreia em Portugal. Tem três projetos de cinema que estou vendo, tem teatro, tem televisão aqui na casa também, já estamos pensado o próximo passo. Mas agora vou segurar um pouco. A gente começou em junho de 2019 a gravar. E sempre que eu acabo um trabalho eu gosto de desligar um pouco, dormir bem, voltar a ler, não só as cenas da novela, mas os meus livros, estou lendo peças.



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