Ricardo Pereira sobre Almeida e Clotilde: “É a grande história de amor da novela”

Ator diz ter construído com Simone Spoladore “tempo diferente” ao casal


  • 30 de novembro de 2019
Foto: Globo/César Alves


Por Redação

A identidade de Ricardo Pereira diz que ele é português. Mas o ator já pode ser considerado brasileiro, principalmente de coração. É aqui que ele trabalha há 15 anos e onde nasceram seus três filhos com Francisca Pereira: Vicente, de 7 anos, Francisca, de 5, e Julieta, de 2. Aos 40 anos, dono de uma beleza ímpar, se o galã já tinha caído nos braços do público brasileiro com seus personagens - os últimos, vilões - ele agora vem tocando o coração de apaixonados na pele do desquitado  Almeida, de Éramos Seis.

O amor do personagem e de Clotilde (Simone Spoladore), irmã de Lola (Gloria Pires), já ganhou as redes sociais. O “shipper” #Clomeida bomba entre os fãs. E como define próprio ator, é a grande história de amor da trama das 6. “Quando Almeida está com a Clotilde, é como se o tempo parasse! Isso é uma coisa que a gente queria muito, eu e a Simone”, conta. Ricardo também revela que se assustou com a repercussão que o desquite tinha na época da trama, na primeira fase, anos 1920, e na segunda, anos 30. E procura retratar o problema do personagem da forma mais fiel possível.

Como o público recebeu a história do seu personagem, o drama de ele ser desquitado? O fato dele ser desquitado é uma coisa seríssima. Era o meu grande medo, porque eu tinha que ter a noção de que esse desquite, na época, ia ser a sombra do Almeida durante grande parte da novela. Esse era o foco principal dele, porque lhe impossibilita o amor pleno. A Clotilde não quer viver esse amor um pouco por causa disso, e é legítimo também o pensamento dela… Esse desquite realmente teria que atrapalhar a vida dos dois, mas especialmente a vida social do Almeida. Era algo que iria perseguir ele sempre e ele teria que carregar isso.

Clotilde (Simone Spoladore) e Almeida (Ricardo Pereira). Foto: Globo/Cesar Alves

Mas esse amor é tão importante para ele, que ele perseguiu até onde pôde, né? O Almeida tenta de tudo. É engraçado porque, no começo da novela, as pessoas questionavam se ele gostava mesmo da Clotilde. As pessoas ficam loucas com o amor dos dois, eles têm um outro tempo. Eles vivem em uma bolha. Isso foi uma coisa que eu e a Simone (Spoladore) percebemos de cara e fomos construindo assim. Se você o visse no cabaré, percebia que não é um cara ‘avoado’. Ele é um homem que gosta de se divertir, dançar, mas não é um ‘galinha’. É um cara que quer aproveitar e, acho eu, escolhe o cabaré porque ele quer esquecer esse passado dele: casou novo, com uma mulher que não amava ele e terminaram. Isso vai acompanhá-lo a vida inteira.

E esse amor dele pela Clotilde? Quando ele está com a Clotilde, é como se o tempo parasse! Isso é uma coisa que a gente queria muito. Mesmo ele já tendo uma história de amor no passado, fosse como se com a Clotilde fosse a primeira. Como se aquele amor fosse o mais genuíno do mundo, o mais verdadeiro, o mais real! Eu e a Simone construímos esse laço, essa forma, esse carinho, esse olhar intenso, esse olhar que passa tanta coisa… O fato é que a Clotilde não o quis, o tempo passa, ele vai viver a vida dele, passam-se 10 anos e ele acaba encontrando uma outra pessoa que aceita o estado dele. Até que a Clotilde resolve reaparecer e vem mudada, mais determinada, querendo esse homem pra valer. E decide lutar por esse cara. E aí o Almeida fica de novo numa saia justa. Ele está permanentemente em uma saia justa.

Como assim? Sabe aquele cara que sempre quer contar e todas as coisas da vida o levam para outro lugar. São aquelas coisas da vida. Como a novela não tem vilão, a vida se encarrega disso, ela nos cria alguns obstáculos, e acaba te levando a outros caminhos. A verdade é que a história dos dois é a grande história de amor da novela. E está sendo muito bacana de construir.

Mesmo tendo refeito a vida, o Almeida nunca esquece a Clotilde? Ele refez a vida dele e pra ele está tudo bem. Até que o Júlio (Antonio Calloni) fica doente e ele dá de cara com a Clotilde no hospital. E aí… Sabe aquela coisa da perna fraquejar? Ele sai dali, completamente mexido, pelo amigo estar no hospital, por aquela mulher estar na frente dele… Quando eles se veem 10 anos depois, obviamente, tem alguma coisa ali que os aproxima. Mesmo assim, o Almeida não pensa em deixar a pessoa com quem ele está. Mas a Clotilde insiste, o que é o mais bacana disso. Existe um empoderamento nela. Uma mulher que saiu do interior de São Paulo, tem uma experiência de vida, sofreu por não ter feito a escolha que queria ter feito, mas socialmente achava que não erra correta… É uma história humana e muito bonita.

 Almeida (Ricardo Pereira). Foto: Globo/Raquel Cunha

Você acha que pesará para o Almeida, na hora de pensar em voltar para a Clotilde, o fato de ter de encarar uma segunda separação? Ele não casou de novo, até costuma falar: ‘amigado com fé, casado é’. Essa nova mulher dele, a Natália (Marcela Jacobina), é uma pessoa mais liberal, porque vem da Europa, passou um tempo na França. Só que, de fato, esse pensamento que você citou passa pela cabeça dele, que não é casado, mas é como se fosse. E agora vai separar de novo? E o que pesa muito nessa balança são os filhos. Ele conseguiu brigar na Justiça pra ter o direito de os filhos passarem um tempo com ele. Se vai de novo se ‘desquitar’, é um problema. Então o Almeida é um homem que está sempre preso em algumas amarras.

Como o público vem reagindo a esse amor? As pessoas ainda estão muito ligadas na história do amor deles. Muito mesmo! A quantidade de gente shippando o amor deles, o que você vê de Clomeida nas redes sociais é assustador. Eu tenho acompanhado e isso tem uma importância muito grande. Nós queríamos mesmo marcar esse amor de cara como verdadeiro, importante e profundo, que tem que sustentar toda essa história. E as pessoas entenderam isso.

Você acha que o Almeida pode trair a mulher com a Clotilde? Eu já pensei nisso… Eu estava lendo recentemente o roteiro e pensando: ‘Será que ele vai trair? Como é que eu vou defender isso?’ Porque novela é uma obra aberta, e você simplesmente vai. Mas, se for nessa direção… Eu preferia que ele batesse na mesa, sabe? Pra ser coerente com tudo o que a gente já construiu até agora, seria bacana que ele dissesse: ‘Natália, não dá mais. Você foi incrível, mas eu estou apaixonado por outra pessoa’. Eu adoraria que ele tivesse esse papo franco. Mas… Acho que tem grandes chances de ele trair! (risos).

Você está no Brasil há 15 anos e sempre fazendo sucesso. Como enxerga essa jornada até agora? Passou rápido, mas tem sido muito bom. Faz exatamente 15 anos agora em 2019, vim em 2004. Quem ama viver não gosta que a vida passe rápido, e eu adoro viver, mas quando passa rápido é sinal de que você viveu intensamente e aproveitou todos os momentos. Acima de tudo, foi, tem sido e continuará sendo maravilhoso. E o acolhimento que eu tive da parte de todos, sempre foi muito bacana, me senti em casa. Como morei em outros países, tive bagagem de vida de me adaptar facilmente. Sempre adorei culturas diferentes, e a do Brasil talvez seja mais próxima da minha do que a de outros lugares onde morei. Meus filhos são brasileiros. A gente vai capinando, né? Eu acho que as escolhas e o percurso da minha vida têm muito a ver com a força que você se dedica e com que você se entrega pra conseguir as coisas, isso em qualquer profissão.

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