Rafael Queiroz: “Sempre tive certeza que minha hora iria chegar”

O Rael de A Dona do Pedaço lembra batalha por espaço e cita filhos como combustível


  • 17 de julho de 2019
Foto: Sergio Baia


Por Luciana Marques

Há 10 anos, o paulista Rafael Queiroz, nascido em Campinas, chegou ao Rio para estudar teatro. A batalha até conseguir um espaço foi árdua, mas ele nunca esmoreceu. “Sempre tive a certeza que minha hora iria chegar”, diz. Formado em Artes Cênicas pela CAL - Casa de Artes de Laranjeiras, após atuar em Máscaras, A Terra Prometida e Os Dez Mandamentos, na Record, três longas e seis peças, ele estreou na Globo com um papel denso e que está dando o que falar: o do matador Rael, de A Dona do Pedaço.

O jeito matuto e a timidez são algumas das poucas identificações do ator com o personagem. Assim como Rael, ele não se adaptou facilmente à mudança de cidade. “Tinha dificuldades de me relacionar”, revela. Já sobre Rael, que “chegou chegando” na trama das 9, com a missão de matar a protagonista Maria da Paz (Juliana Paes), Rafael diz não saber muito sobre o futuro dele. Mas o que já está escrito é que o justiceiro irá virar parceiro da malvada Josiane (Agatha Moreira). “Uma junção perigosa”, diverte-se ele, que é pai de Davi, de 10 anos, e de Rosa, de 3.

Rael (Rafael Queiroz). Foto: Globo/Victor Pollak

Como está sendo estrear na Globo com um papel tão denso, em pleno horário nobre? Tento não pensar em tudo que envolve estar no ar na Globo, no horário nobre. Quero apenas fazer o que amo, atuar, me divertir. Me sinto preparado para assumir essa responsabilidade. O teatro me deu estofo para vencer esse novo desafio. Agradeço a todos que confiaram no meu trabalho. Fazer parte desta obra de Walcyr Carrasco com a direção encabeçada pela Amora (Mautner) e este grande elenco é um imenso prazer. Penso que tudo na vida tem a hora certa de acontecer. 

O que mais tem instigado você ao viver o Rael? A maneira como Rael foi doutrinado na infância me instiga. Porque a mensagem que fica é importante. Somos aquilo que aprendemos ser. A referência familiar que ele teve sempre colocou a rivalidade das famílias “Matheus x Ramirez” acima de tudo. Deixando um rastro de sangue e um ciclo de ódio perigoso. Neste momento que vivemos, vejo essa abordagem como necessária.

Qual a dele, na sua opinião... Ele é vilão? Prefiro como ator não fazer esse julgamento. Isso me ajuda na condução do personagem, abrindo novos caminhos, possibilidades. Na vida é assim, ninguém é apenas ruim, existem várias facetas. Prefiro ficar aberto para um novo caminho que pode ser construído pelo Walcyr. Rapidamente tudo pode mudar...

Foto: Sérgio Baia

Você acha que ele ainda vai tentar matar Maria da Paz, mesmo tendo dado a palavra a Amadeu (Marcos Palmeira) ou o pedido da avó Nilda (Jussara Freire) no leito da morte será mais forte? O Amadeu depois da morte da Nilda passa a ser o chefe da família e conduz para a paz entre os Matheus e Ramirez. E faz Rael prometer novamente que não matará Maria da Paz.  Existe sim o questionamento por parte do Rael depois do pacto velado no leito de morte da vó, mas logo é rechaçado pelo tio. Lembrando que, na minha família, o respeito com a hierarquia é forte. Por isso a princípio ele vai tentar atingir de outras maneiras nossa protagonista. Se vai atentar novamente contra Maria da Paz? Cenas dos próximos capítulos (risos).

Mesmo que não se defina Rael como vilão, a gente já sabe que ele irá incendiar o depósito da fábrica de bolos da Maria da Paz, a pedido da Josiane. O que acha que pode acontecer a partir dessa “parceira”? Quando está lado a lado em parceria com Josiane, fica difícil melhorar. Ele já demonstrou que quando é inflamado é capaz de qualquer coisa, sua sede de vingança é grande. Acredito que juntos podem aterrorizar ainda mais a vida da Maria da Paz.

Ele agora começa a ser “seduzido” pela Lyris (Deborah Evelyn), mas tem também também um “affaire” com a Jeniffer (Luciana Fernandes). Você acredita que o amor pode transformá-lo? O amor é a única maneira de transformá-lo. Quando o amor for maior que o ódio, aumentará a probabilidade de mudança. Eu torço sim para que o Rael encontre seu amor, e que o mesmo consiga curar suas feridas. Não importa quem ele ame. Se Jeniffer conseguir fisgar seu coração, que seja verdadeiro, será um belo casal.

Há algo em que você identifique com o Rael? Me identifico com seu jeito matuto, essa timidez dele. Quando cheguei ao Rio de Janeiro dez anos atrás, tinha dificuldades de me relacionar, a cidade grande me deixava um pouco perdido. A maneira com que o Walcyr construiu as relações dos personagens me levaram a interpretar Rael com questões parecidas com as que vivi, no que diz a respeito a socialização.

Foto: Sérgio Baia

Em suas redes sociais, você sempre aparece em momento paizão. De que forma a paternidade mudou a sua vida? A paternidade muda a vida de qualquer pessoa. A minha foi transformada depois do nascimento do meu primeiro filho Davi. Mudou a maneira de ver, de encarar a vida. Me dá forças para conquistar todos os meus objetivos, principalmente para conseguir proporcionar uma vida melhor para eles. Quando a Rosa nasceu terminou de arrebatar o coração do pai. Agradeço diariamente essa benção que é ser pai.

Como é a troca com a sua irmã, a atriz Francisca Queiroz, e o que ela tem achado desse seu momento? Minha irmã é minha parceira. Quando cheguei no Rio, estava casado, com um filho recém-nascido e sem lugar para morar. Ela abriu as portas da casa dela e por lá vivemos alguns meses. Chica sempre me ajudou tanto no lado pessoal quanto no profissional, na condução da minha carreira, no entendimento e na maneira de interpretar os personagens que fiz. Se não fosse por ela talvez hoje não estaria dando essa entrevista.

Você tem 10 anos de carreira e hoje vive um momento especial. Acha que demorou para ter uma oportunidade como essa? Na minha vida tudo acontece na hora que tem que acontecer. Todas as dificuldades que passei no Rio de Janeiro me fizeram crescer, amadurecer. Chego nesse momento muito mais forte e preparado.

Rafael por Rafael, como se definiria? Sou muito família, valorizo demais as pessoas que passaram pela minha vida. E que de alguma maneira contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional. Tenho um foco grande nos meus objetivos traçados e sei que posso atingi-los. Sempre tive uma certeza que a minha hora, minha chance iria chegar. Me preparei para isso. Sou extremamente profissional. Gosto de ser o exemplo de que sim podemos alcançar nossos sonhos, depende apenas de nós. Gosto de fazer acontecer e não apenas aguardar que algo venha até mim. Ensino isso para meus filhos. E neles me fortaleço. Quando estou quase sem forças olho para o Davi e para a Rosa e vejo que eles merecem muito mais. E volto à luta, forte e determinado. Nunca vou esquecer das minhas raízes. Esse sou eu!

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