Pedro Carvalho: “Vejo Abel como ferramenta para educar contra o preconceito”

Ator fala da reaproximação do chef com Britney e quer logo ver o beijo do casal


  • 21 de setembro de 2019
Foto: Reprodução Instagram


Por Luciana Marques

*Veja a entrevista completa no vídeo, abaixo.

Ver Pedro Carvalho no papel do chef Abel em A Dona do Pedaço é garantia de boas risadas. Assim, o ator que acumula inúmeros mocinhos na carreira, principalmente na TV em Portugal, sua terra natal, abre o leque e prova que sabe fazer muito bem também humor. “Tem coisas nele que me inspirei no Chaves”, revela ele, referindo-se ao famoso seriado mexicano.

Para o ator, vale ressaltar a forma inteligente com que Walcyr Carrasco trata de um tema tão sério como é a causa trans, através do seu personagem e de Britney, vivida por Glamour Garcia. “Eu vejo o Abel, sem presunção nenhuma, até como uma ferramenta de educar pessoas”, avalia.

Nesta fase da trama das 9, após o rompimento ao saber que Britney é uma mulher trans, o português começa a se reaproximar da moça. “Ele é bronco, mas óbvio que a ama”, diz. Agora, a torcida do ator é para que aconteça logo o beijo do casal. “Cada um tem o direito de ser feliz como quer ser. E a gente está falando de amor, não de ódio”, ressalta.

 

Abel (Pedro Carvalho). Foto: Globo/Estevam Avellar

Como está vendo essa fase do Abel? O Abel está muito magoado com a Britney porque ela não contou desde o início que é trans. Mas ao mesmo tempo ele gosta dela, por isso ele tem aquelas crises de “TPM” (risos) toda hora. Ele é tão bronco, mas é muito óbvio que ele ama ela. Senão seria diferente... E ele está sempre implicando, é aquela coisa, eu te odeio, mas eu te amo. Quer dizer, eu estou dizendo uma coisa, mas eu queria falar outra. E vão ter cenas muito engraçadas agora. Porque quanto mais ele fica atrapalhado com a presença dela, porque ele gosta dela, ele começa a trocar os pés pelas mãos.

Aos poucos, ele já começa a defender Britney da Fabiana (Nathalia Dill), já não é tão duro com ela, né? Isso. E vai acontecer ao mesmo tempo a reaproximação dos personagens. É muito bonita a forma como o preconceito começa a ser educado. Eu vejo o Abel até como uma ferramenta de educar pessoas. Foi muito inteligente da parte do Walcyr (Carrasco – autor) colocar dois personagens e falar de um tema tão importante de uma forma leve e cômica, mas sem perder a verdade, a seriedade. E o Abel é isso, é um cara sem cultura, ele fala tudo errado, tem várias expressões que ele usa que não tem sentido, “tô aqui, que não estou”, isso não tem sentido nenhum. São aquelas coisas dele! Ele é um cara muito inocente, de coração puro, bom, mas foi educado num mundo a preto e branco.

Britney (Glamour Garcia) e Abel (Pedro Carvalho). Foto: Globo/Victor Pollak

E e ele descobriu o amor com a Britney... E o amor é isso mesmo, é pessoa por pessoa. E não interessa o sexo, a etnia, claro que cada um tem a sua preferência sexual, mas acho que no fim o amor é que conta. E como eu falei, é bonito ver que o preconceito é possível de se educar, porque está na cabeça das pessoas. Pra mim o preconceito é sinônimo de egoísmo, é você querer afirmar que a pessoa tem que ser como você acha que ela deve ser. Isso é uma lição interessante. E se nesse caso, eu e a Glamour conseguirmos tocar a cabeça de uma, duas pessoas que mudem a forma de ver o mundo, eu já vou ficar muito feliz. Porque eu acho que a gente tem que caminhar para uma geração em que a diferença do outro é uma qualidade, e é assim que é. Pagamos todos os mesmos impostos. Cada um tem o direito de ser feliz como quer ser. E a gente está falando de amor, não de ódio.

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