Paulo Ricardo diz não ter saudades dos anos 80. “Andar para a frente”

Ícone do rock, cantor deseja novos desafios como o Show dos Famosos


  • 14 de abril de 2018
Foto: Globo/Marília Cabral


Por Redação

Fenômeno do rock nacional como vocalista do RPM nos anos 80, Paulo Ricardo sabe da importância de ter participar do momento da explosão do gênero no Brasil. Mas ele ressalta que o momento foi bom, inesquecível, mas é passado. “Quero andar para a frente”, diz ele.

Por essa constatação, que ídolo da música está sempre se reinventando. Já se arriscou como ator, em Esperança, em 2003, diz que há planos até para fazer para musicais. E um dos seus maiores desafios já está no ar: o Show dos Famosos, do Domingão do Faustão. No último domingo, 8 de abril, Paulo Ricardo arrasou na pele de Gene Simmons, da banda Kiss.

Paulo homenageia Gene Simmons, da banda Kiss. Foto: Reprodução Instagram

Quando você recebeu o convite para o quadro bateu alguma insegurança?

Sempre, sempre por vários aspectos. A gente que já tem algum tempo de carreira sempre tem um ou dois anos na frente planejados. Então, antes de qualquer coisa e reflexão, teria que abrir um espaço na agenda. Depois, teria que sair completamente da zona de conforto e se expor na pele de um outro personagem, por mais que tenha a liberdade de sugerir, é um trabalho inédito para mim. É como se fosse o Michael Jordan, o fato dele ter jogado basquete muitos anos e ter sido campeão, não quer dizer que ele vai chegar no beisebol e arrasar. Então, a gente sempre fica preocupado se vai corresponder. Tem aquele risco de trabalhar com a comunicação de massa, você é sempre alvo de muitas críticas, principalmente o pessoal do rock que é muito xiita, cri-cri. Estou acostumado a ouvir muitas críticas, há muitos anos. Estou há 18 anos à frente do tema do Big Brother Brasil, um programa que, apesar de ser um enorme e indiscutível campeão de audiência, todo ano sofre críticas de todo lado. Muitos fãs torcem o nariz para a canção, e eu adoro fazer parte disso.

Desafios como o Show dos Famosos são enriquecedores para a carreira do artista?

É esse tipo de desafio que motiva a gente. É muito fácil a carreira cair numa repetição depois de um certo tempo. Você grava um CD, faz um novo show, vai para a turnê, faz a divulgação, grava um clipe, grava um DVD, blá blá blá. Isso aí me dá a oportunidade de me repensar como artista, de ampliar meus horizontes. É uma coisa que comunica com o teatro musical. Tenho projetos para um musical, já tive até convite. Me comunico com esse lado de ator, que é uma coisa que todo mundo do entretenimento tem dentro de si. Fiz só uma novela, Esperança, em 2003, e foi uma experiência inesquecível, adorei. Os desafios são muitos, mas, curiosamente, são os desafios que tornam o projeto rico, interessante e que me deu vontade de aceitar.

Foto: Globo/Marília Cabral

Você gravou uma chamada para o 18ª BBB muito engraçada com o Tiago Leifert. O segredo do sucesso pode estar em não se levar tão a sério?

Sempre fui o palhaço da classe. No meu histórico escolar, tenho expulsões de sala e suspensões porque perdia a aula, mas não a piada. Tenho um lado de humor forte. Agora, o rock tem um personagem muito carrancudo, o roqueiro se leva muito a sério. Claro que no começo quando se tem vinte e poucos anos, principalmente a nossa geração que veio de um período de ditadura, a gente tinha uma mensagem séria para passar, de comportamento que era importante para o país naquele momento. A gente queria que a nossa mensagem fosse levada a sério, até para nos diferenciar de outras bandas que eram leves e bem-humoradas. O nosso trabalho é muito sério e era muito sério. Mas quando se tem alguns anos de carreira, você abre um pouco o leque e não trabalha com o rock ou com mensagens, letras politizadas, você trabalha com entretenimento. Então, você tem que ter essa leveza de não se levar a sério e brincar com isso porque a gente está ali fingindo: eu fingindo que sou um roqueiro e o público fingindo que acredito. Estamos tentando fazer o melhor e me divertir. Para você se divertir tem que ter uma certa leveza, principalmente num momento difícil que a gente está vivendo, econômico, social, político. Acho que muitas vezes a arte tem mesmo que pairar acima da política.

É difícil para um artista manifestar uma opinião política?

Acho muito difícil. Ao mesmo tempo que não deve se posicionar porque, certamente, o apoio a um político vai trazer uma dor de cabeça no futuro, por outro lado, ele não poder deixar de se posicionar porque, afinal de contas, a gente olha para os nossos artistas como uma fonte de inspiração, orientação. Então, essa mensagem não é só rock in roll, uma linha evolutiva da Música Popular Brasileira ou letras que sejam cheias de conteúdos. A gente tem que se divertir.

Como é ter toda essa superprodução no Show dos Famosos?

Quando você consegue estar numa equipe, numa produção ddesse porte, eu acho que é o sonho de todo artista. A gente quer estrear uma produção na Broadway, isso aqui é a Broadway, isso aqui é Hollywood. Se é para fazer uma coisa dessas que seja da melhor maneira possível, com o maior cuidado, apuro, sofisticação possível. É um desafio que, com certeza, vai ser um marco na carreira de todo mundo aqui. Muitas outras coisas imprevisíveis podem acontecer daqui para frente.

Paulo como Gene Simmons. Foto: Reprodução Instagram



O Domingão do Faustão é um programa popular, uma das melhores audiências da Globo, mas sofre críticas também. Como é para você participar de uma atração como essa?

Eu adoro ser popular. Eu cresci assistindo programa de auditório, não cresci assistindo youtube e nem MTV. A gente tinha a Globo, a Tupi, a TV Rio, a TV Excelsior, depois a TV Record. Era isso aí, quatro ou cinco canais, no máximo. Você teria muito sorte se na sua casa pegasse todos. O artista para mim era aquele cara que ia no programa do Chacrinha. Eu queria ser aquilo quando era pequeno, não queria escrever um livro ou uma coisa complexa, eu queria cantar para um auditório e depois o apresentador ia jogar um bacalhau para as pessoas, um saco de feijão. Eu tive esse privilégio de conviver com o Chacrinha, um gênio da comunicação, da estética. Os sociólogos têm matéria para o resto da vida para pesquisar e tentar entender o que foi esse poder de síntese, modernista, macunaímica do Chacrinha. Uma vez que você entrou ali, consegue sacar a generosidade e grandiosidade da visão dele sobre o entretenimento, dessa visão popular, não consegue voltar atrás. A melhor coisa é ser popular. Eu acho que quem não consegue ser popular, em algum momento fica muito frustrado.

Qual o seu sentimento e relação com o apresentador Fausto Silva?

Eu comecei com o Faustão, adoro ele. Acho o Faustão um fenômeno de comunicação, um cara com uma força, carisma, credibilidade, e ele é um dos espaços mais nobres para a música na televisão, desde sempre. Estar no Faustão para um artista brasileiro não há nada melhor, é o topo, a cereja do bolo.

Se surgir um convite para uma nova novela na Globo, você aceita?

Agora com essa experiência e convivendo com essas pessoas, eu aceito até fazer papel de mulher (risos).

Por representar uma geração, você é um artista que desperta admiração no público. Você tem noção que algumas pessoas gostariam de te homenagear no quadro?

Não. A gente trabalha com entretenimento, temos que levar o trabalho a sério, mas não fazer com que isso seja um empecilho para você. Eu quero andar para frente, descobrir novas coisas. Você vê aí hoje grandes estrelas, com grandes carreiras como o Adam Levine, do Maroon 5, os caras jurados de programas musicais. Eu fui chamado para ser jurado do Superstar e foi incrível. Fui jurado do Popstar, adorei. Quando eu fui chamado para ser ator foi uma experiência que me enriqueceu muito. Eu estou sempre olhando para frente, não tenho saudades dos anos 80. Eu fui protagonista daquele período incrível da explosão do rock brasileiro, realmente foi uma festa, uma grande euforia e um grande privilégio estar ali. Mas o fato é que passou, eu estou preocupado agora com o meu próximo ensaio, e isso que faz com que eu esteja sempre achando que eu posso fazer mais e melhor.



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