Nina Frosi, a Gabi: “Não é má, ela se apaixonou por Juan depois da morte de Luna”

Atriz festeja nova parceria com Daniel Ortiz na trama das 7 e trabalho potente nos palcos


  • 19 de março de 2020
Foto: Chico Cerchiaro


Depois de Alto Astral e Haja Coração, Nina Frosi festeja nova parceria com o autor Daniel Ortiz e com o diretor Fred Mayrink em Salve-se Quem Puder. E mais, na atual trama das 7, ela sente a repercussão da personagem Gabi nas redes sociais. Tudo porque a camareira mostrou-se apaixonada por Juan (José Condessa), até então namorado de Luna (Juliana Paiva), no México. “Está sendo uma surpresa, na verdade. Não acho que Gabi seja má nem vilã. Os sentimentos dela por Juan aconteceram depois da ‘morte' da amiga dela”, conta.

E para a preparação do papel, Nina, que esteve nas gravações em Cancún, conta ter perdido cerca de quatro quilos. “Achei que ela precisava aparecer mais magra. Então passei a cuidar mais da alimentação e aumentei os exercícios físicos”, conta. Formada em cinema e em teatro pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, Nina fala com orgulho da peça Mansa. Durante um ano, ela esteve em cartaz, entre Rio de Janeiro e São Paulo, com o espetáculo que aborda o tema feminicídio.

Como foram as gravações no México? A viagem foi uma delícia! Trabalhamos bastante e, nos momentos de folga, também aproveitamos para conhecer alguns pontos turísticos, como Cenote dos Ojos, Cocobambu e nadamos com os golfinhos. Eu já tinha ido para Cancún aos 12 anos, bastante tempo atrás, então lembrava pouco do lugar. Dessa vez, tive uma experiência bem diferente de quando era mais nova.

Gabi (Nina Frosi) e Luna (Juliana PaivaFoto: Globo/João Miguel Júnior

Gabi já tem deixado alguns fãs intrigados porque mal a amiga “morreu” e ela já está de olho no ex dela, Juan. Como tem sido a reação do público com você? Está sendo uma surpresa, na verdade. Não acho que Gabi seja má nem vilã. Mas, de fato, a reação das pessoas em sua maioria tem sido de raiva da personagem. Os fãs acham que Gabi traiu a melhor amiga se apaixonando pelo Juan. Porém, alguns telespectadores apoiam o romance e entendem que Gabi não sabe que a amiga está viva. Já vi vários falando que “shipam” os dois. É engraçado acompanhar as opiniões pelas redes sociais.

Acha que Gabi pode se tornar uma vilã? Como falei, ela não é vilã, pelo menos não que eu saiba! (risos). Novela é uma obra aberta... Os sentimentos dela pelo Juan aconteceram depois da morte de Luna, já que eles se aproximaram muito pela convivência e pela admiração às atitudes dele. No início, ela até relutou contra esses sentimentos, mas foi mais forte do que ela. Gabi sempre foi amiga de Luna, de verdade, e sente falta da amiga.

O que pode adiantar sobre o que vai acontecer com Gabi? Só posso adiantar que ela terá uma avó que mora no Brasil. Essa personagem será vivida pela atriz maravilhosa Marilu Bueno.

Como está sendo essa nova parceria com o Daniel Ortiz? Gosto muito do trabalho dele, do tipo de novela que ele escreve que é para o povo se divertir mesmo! Salve-se quem puder é uma trama leve, com ação e com bastante emoção também.

O que representou pra você estar em cartaz com a peça Mansa, entre Rio e São Paulo, durante um ano? Foi uma grande realização pessoal e profissional. Fomos muito felizes durante todo o projeto, desde os ensaios até a última apresentação. Foram três temporadas. Estreamos no Festival Cena Brasil Internacional no CCBB, o que foi uma grande honra. Mansa foi uma experiência enriquecedora pra minha carreira e pra minha vida.

Foto: Chico Cerchiaro

Na peça, você fazia vários personagens, entre homens e mulheres. Qual foi a maior dificuldade? Foram meses ensaiando. Desde a primeira reunião com leituras sobre os temas. Diogo Liberano, nosso diretor, sempre trazia trechos de textos e autores relacionados ao enredo da peça. Lemos Lugar de fala, de Djamila Ribeiro, trechos de obras de Simone de Beauvoir, Antígona, de Sófocles que foi um ponto de partida como tema para a peça... Lemos o poema Uma mulher limpa, que originou o título da peça sugerido pelo autor André Felipe. A partir daí, fomos para a sala de ensaio com a diretora de movimento Natassia Vello e começamos um trabalho de investigação corporal e sensorial dessas mulheres e desses personagens masculinos interpretados por nós, mas sendo as irmãs ao mesmo tempo. Tínhamos partituras de movimento que fomos encaixando no texto, onde Diogo orquestrou maravilhosamente bem. Foi muito trabalhoso, conforme o texto e o tema pediam. Mas o resultado ficou à altura. É sempre um prazer fazer parte de um projeto assim.

A peça toca num assunto muito falado ultimamente: o feminicídio. Como é abordar um tema como esse nos palcos? É de extrema importância abordar qualquer tema que faça a sociedade refletir. E a nossa peça tinha essa função. O machismo incrustrado, o feminicídio tão presente até hoje são reflexos da sociedade. E por que não falarmos sobre isso? A peça chama a atenção para os inúmeros crimes praticados contra as mulheres que não recebem a devida punição, naturalizando a violência na sociedade contemporânea. Eram duas atrizes em cena. A história de duas irmãs que viveram em cárcere privado, sendo violentadas pelo pai até que resolvem acabar com esse sofrimento, quando o matam e o enterram nos fundos da casa. Essa história era contada através do tempo, por personagens masculinos que viram e ouviram dizer, enfatizando o emudecimento da mulher diante da sociedade. Elas eram apenas corpos... Não tinham voz. Uma peça forte e delicada ao mesmo tempo.

José Condessa, o Juan: “Ele vai atrás do amor que tem pela Luna até o final”

Do consultório para a tela da TV: Conheça Cirillo Luna, o Gael de Salve-se Quem Puder



Veja Também