Nicolas Prattes é o Alfredo em nova fase: “Quer acertar, mas não consegue”

Ator cita identificações com o jovem rebelde de Éramos Seis, como o amor pela mãe


  • 02 de novembro de 2019
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

*A entrevista completa no vídeo, abaixo.

Desde que estreou, aos 18 anos, como o protagonista de Malhação: Seu Lugar no Mundo, em 2015, Nicolas Prattes vem emendando papéis principais em tramas da Globo, como o Zac, de Rock Story, e o Samuca, de O Tempo Não Para. Seu mais novo desafio começa nesta segunda-feira, dia 4 de novembro, quando passassem-se 10 anos em Éramos Seis e ele assume o papel do rebelde Alfredo. Na primeira fase, ele foi muito bem interpretado por Pedro Sol. “Ele quer fazer o bem, acertar, mas não consegue. Quando viu, já fez a besteira”, conta Nicolas.

No novo contexto, os filhos de Lola (Gloria Pires) e Júlio (Antonio Calloni) são jovens da agitada década de 1930. Carlos (Danilo Mesquita) é estudante de medicina; Julinho (André Luiz Frambach) acaba de terminar a escola e está em busca de um espaço na faculdade de Engenharia; Isabel (Giullia Buscacio) estuda para ser professora. Já Alfredo (Nicolas Prattes) é o único que continua sem rumo na vida. "O que me instiga mais nesse trabalho é o desafio de fazer algo que já foi feito, só que com a minha alma", fala o ator, referindo-se ao romance de Maria José Dupré, que chega a sua quinta versão televisiva. 

Pedro Sol, Alfredo nos anos 1920, e Nicolas Prattes, nos anos 1930. Foto: Globo/Raquel Cunha

Você chegou a acompanhar algumas das versões anteriores da trama? O que mais tem arquivo audiovisual é a do SBT. Primeiro temos o livro, que precisa ser lido algumas vezes, é um dos maiores clássicos da nossa literatura. Assisti um pouco da Tupi, tem alguns arquivos. Das outras versões, eu encontrei só trechos de cena. Procurei assisti sim, principalmente para poder fazer diferente. A gente quer fazer a nossa versão, a versão 2019, que o telespectador de hoje se identifique, e esse está sendo o maior desafio pra gente também.

Como você o definiria, porque o Alfredo está sempre metido em confusão, né? O público de hoje em dia não aceita muito mais quem é mal, mal, bem, bem. Ninguém que é totalmente do bem ou totalmente do mal, porque as pessoas hoje não são assim, na verdade nunca foram. E o público de hoje em dia está muito inteligente, eles não querem ser enganados, eles querem a história ali. Então por isso que eu acredito que o meu personagem, o Alfredo, é uma pessoa de uma contradição muito grande. Ele quer fazer o bem, quer acertar, mas simplesmente não consegue. E quando viu, já fez a besteira. Não há nada mais contraditório que a humanidade. As pessoas vão se identificar com ele.

Há semelhanças entre você e o Alfredo? Eu me identifico muito com o Alfredo porque quando eu era criança, eu fui expulso de um colégio, eu estudei em seis escolas porque não consegui me adaptar. Então eu me vejo muito nesse lugar dele de não se achar inserido na sociedade que ele está naquele momento. Ele não tem o sentimento de pertencimento, que as pessoas geralmente sentem, principalmente quando se trata da sua própria casa. Agora porque ele não foge dessa casa? Porque ele ama a mãe como nada na vida. E ele quer fazer feliz aquela mãe, ele quer dar orgulho. E eu também amo a minha mãe de paixão assim como nada nessa vida. E me identifico muito com este amor de mãe e filho, que é um dos amores, diria que é o amor mais bonito que tem.

Lola (Gloria Pires), Júlio (Antonio Calloni), Carlos (Danilo Mesquita), Alfredo (Nicolas Prattes), Julinho (André Luiz Frambach), Isabel (Giullia Buscacio) e Isabel (Giullia Buscacio). Foto: Globo/Raquel Cunha. 

Quais foram as suas inspirações para o papel? O Alfredo, se for para colocar ele numa estante, tiver que definir ele, é o rebelde sem causa.  Só que não porque ele tem muitas causas (risos). Mas para falar sobre referência, eu uso rebelde sem causa, do James Dean, o bonde do desejo, do Marlon Brando, algumas coisas do Vincent Cassel, nada específico, mas eu gosto muito da figura dele.

Você é um dos atores mais requisitados de sua geração. Como avalia esse sucesso, estreando a sua quarta novela? Desde a minha primeira entrevista, em Malhação, quando me perguntavam qual é o seu sonho... Eu falo o meu sonho é de não parar nunca, justamente para não ter tempo de pensar. Eu gosto de fazer. Então eu procuro fazer e focar no momento presente. E as coisas estão acontecendo muito rápido na minha vida eu acho que um pouco por isso, porque eu prefiro fazer do que pensar. Acredito que quando a gente vai assim tem muito caminho pela frente.

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