Nicola Siri: “É necessário que o artista coloque sal na ferida”

Ator de Éramos Seis atua em séries sobre o submundo do futebol e o hospício Colônia


  • 14 de janeiro de 2020
Foto: Laura Schnoor


Por Luciana Marques

Com quase 25 anos de carreira, entre trabalhos na Itália, sua terra natal, e no Brasil, Nicola Siri afirma que se sente realizado fazendo bons papéis e contando boas histórias. Seja em novelas, séries, cinema ou teatro, mas sempre com um propósito. “Pra mim, é necessário que o artista coloque sal na ferida”, afirma ele, de volta às novelas da Globo, após um período na Record, como o misterioso Osório, de Éramos Seis.

Ele também atua na série Chuteira Preta, do Prime Box Brazil, que mostra o submundo do futebol, e está no elenco de Colônia, série que reconta a história do hospital psiquiátrico homônimo, em Barbacena, Minas Gerais. Com tratamentos desumanos, mais de 60 mil pessoas morreram no local, principalmente na época da ditadura, quando eram encaminhados para lá opositores políticos, prostitutas, mendigos, homossexuais...

No bate-papo, o ator de 51 anos, alçado ao sucesso no Brasil em Mulheres Apaixonadas, em 2003, como o Padre Pedro Vicenza, também fala como cuida da forma e da mente.

Como está sendo esse seu retorno às novelas da Globo em Éramos Seis? Sempre digo que, para mim, a coisa mais importante é poder trabalhar bons personagens e boas histórias. Tem sido um grande prazer esse retorno em Éramos Seis, a minha primeira novela das 18h. Elenco e direção muito afinados, ótimos mesmo!

Fale um pouco sobre o seu personagem... Eu sou o Osório, amigo do Afonso (Cássio Gabus Mendes), dono da oficina mecânica onde o Alfredo vai trabalhar. Um homem duro, cheio de contradições e segredos.

Osório (Nicola Siri). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Como será a relação dele com o Alfredo (Nicolas Prattes), que sempre foi muito rebelde? O Osório gosta do Alfredo e se vê um pouco nele quando era jovem, com o mesmo caráter rebelde que o Alfredo tem. Independente disso, o Osório é um homem de negócios e a oficina mecânica vem sempre em primeiro lugar. Vão ter um belo conflito!

O Osório vai ter algum envolvimento amoroso, irá mexer com o coração de alguma das mulheres da trama? Por enquanto, o que disse acima é tudo que sei, mas também estou curioso sobre o que a Angela Chaves está pensando para ele nesse sentido.

Você também está no ar na série Chuteira Preta, que fala sobre o submundo do futebol, corrupção, dificuldades... Como está sendo participar e qual a importância de se falar sobre esse assunto num país tão apaixonado por futebol? Chuteira Preta é uma série televisiva bem corajosa! Fala do lado B do futebol. Aquele lado que todo mundo conhece, mas ninguém fala e eu acho que é sempre fundamental tentar mostrar a verdade. Adorei viver o Genaro, importante empresário de jogadores.

Você também é ligado ao futebol, jogou no time de artistas... Como é a sua relação atual com o esporte? Eu amo futebol! Sou torcedor fanático do Genoa CFC, o time de futebol mais antigo da Itália, e continuo vestindo a camisa 5 da Seleção Brasileira de Artistas.

Em seu primeiro trabalho na TV Globo, que o alçou ao sucesso no Brasil, você interpretou um padre. E agora estará na série Colônia também como um padre. Como será o perfil deste personagem? O Padre João é um padre muito diferente do Padre Pedro. Ele ainda não despertou para o dever social e continua não abrindo os olhos para a realidade da terrível ditadura no Brasil na época.

Foto: Laura Schnoor

O que tem mais instigado você na série Colônia? É um assunto forte, doloroso, mas muito pouco comentado no país, né? O Brasil viveu uma ditadura monstruosa entre 1964 e 1982 e devemos falar sobre isso. A série Colônia revive a tragédia do Hospício Colônia de Barbacena, que funcionou de 1903 até 1984, onde mataram mais de 60 mil pessoas. Irei sempre agradecer ao gênio André Ristum (diretor e roteirista da série) que me convidou para participar deste projeto.

No ano passado, você completou 50 anos. Passou por algum tipo de crise da idade? Agora tenho 51! Adoro ter a idade que tenho. Não, não passei por nenhum tipo de crise!

Você está em plena forma. Como se cuida? Obrigado! É importante a qualidade da comida. Tudo orgânico, com redução drástica dos carboidratos e virar ‘quase’ vegetariano. Esporte também é fundamental. Sempre! Futebol, tênis, esquiar (quando consigo). E, para manter a cabeça em forma, muitos livros... Ler, estudar, ir a museus, muita música, muito rock... Isto é fundamental para manter-se jovem. Dormir muito e sorrir para os outros. Basicamente é isto!

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