Nathalia Dill sobre a dúbia Fabiana: “Passa a perna em outros vilões”

Atriz vibra com desafio do papel e não vê empatia da ex-noviça pela irmã, Vivi


  • 13 de agosto de 2019
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Luciana Marques

Na pele da pilantra Fabiana, em A Dona do Pedaço, mais uma vez Nathalia Dill prova ser uma das grandes atrizes de sua geração. A sua linha de atuação é totalmente verossímel, trazendo à tona toda a dubiedade da ex-noviça. Em certas sequências, ela virá até meio que “heroína”. “É que ela acaba passando a perna em outros vilões, como o Agno”, avalia.

Em breve, ela terá nas mãos também a maior das vilãs até agora na trama, Josiane (Agatha Moreira). Após flagrar o assassinato de Jardel (Duio Botta), ela chantageará a jovem e conseguirá comprar a preço baratinho a fábrica Bolos da Paz, que a esta altura será de Jô. Mas a pergunta que não quer calar... Como pode uma jovem criada num convento ser assim tão esperta? Nathalia dá a sua opinião nesse bate-papo em um intervalo das gravações nos Estúdios Globo.

Vivi (Paolla Oliveira) e Fabiana (Nathalia Dill). Foto: Globo/Victor Pollak

Como está sendo fazer essa vilã? Eu estou muito feliz! Desde o convite, eu sabia que a personagem era muito completa, que tinha uma curva dramática interessante, a Amora (Mautner – diretora artística) desde o início me falou isso. E que ela era uma personagem dúbia.  E eu acho que desperta exatamente isso, sensações conflitantes no espectador. É divertido! Eu vejo muito pelas redes sociais os memes, eu gosto muito de ver a repercussão. E eu fico feliz porque a própria novela está tendo uma repercussão muito legal, os personagens são interessantes, as ideias que o Walcyr (Carrasco – autor) vai colocando, completamente malucas, reverberam de uma maneira grande. Eu nunca tinha feito uma obra dele, estou muito feliz.

O que mais tem escutado nas ruas sobre a Fabiana? Eu não tenho saído muito na rua (risos). Mas é sempre uma brincadeira com, ah, essa freirinha. Eles brincam com o fato de ela ter sido criada num convento e ser vilã, acho que isso que instiga o público.

E agora ela se aliou ao Agno (Malvino Salvador), e ele deve se dar mal, né? Com certeza! E acho que isso que as pessoas gostam, porque o Agno também é perverso. Quando ele se separa, acaba não deixando nada para a mulher, não atende direito a filha, as pessoas acabam gostando da Fabiana e dizem, vai lá, acaba com ele. Mas ao mesmo tempo ela faz maldade com os outros. Então acho que as pessoas ficam meio que na dúvida.

Você conhece alguém assim? Ai, não quero conhecer...

Acha que ela tem amor pelo Rock (Caio Castro) ou está usando ele também? Não sei... Todo o mundo me pergunta isso. Eu acho que ela é muito sozinha, se a gente parar para pensar ela não tem ninguém, não tem família, não tem com quem contar. Tem poucas cenas que você consegue ver a real dela. Porque como ela não tem ninguém para desabafar, são poucas cenas que a Fabiana está sozinha e as pessoas veem a verdade dela. Porque ela não é verdadeira com ninguém. Geralmente são as cenas em que ela está sozinha, e na briga com a Vivi deu para ver um pouco do que ela é. E com o Rock, eu acho que ela gosta dele, ele conquistou ela de algum jeito, nem que seja sexualmente ou na base da amizade. Acho que eles têm uma parceria bonita, mas eu acho que não é o suficiente para ela largar tudo, abrir mão de tudo para ficar com ele. Mas eu não sei se tem amor...

Rock (Caio Castro) e Fabiana (Nathalia Dill). Foto: Globo/César Alves

E o encontro dela com a tia, a Maria da Paz, você pensa nisso, já gravou algo? É engraçado que tanto a Maria da Paz (Juliana Paes) quanto a Vivi (Paolla Oliveira) e a avó Evelina (Níve Maria) também têm uma sensação quando veem a Fabiana, elas têm um sentimento e tal. A Fabiana não, eu não sei muito a que isso se atribui, talvez pelo caráter ou o fato de ela não estar em contato com os próprios sentimentos,  talvez isso faça com que ela não perceba. E ela era muito pequena também.  

Como você lida com essa carga negativa de fazer uma vilã, como o seu corpo tem reagido? Eu acho que a carga é densa, lida com sensações, com uma reflexão um pouco diferente da nossa, é uma linha de empatia totalmente diferente da que a gente preza como um bom ser humano. Mas não sei muito lidar com isso, outro dia acabei torcendo o pé.

Você não acha que ela é muito inteligente, sagaz para ter sido criada num convento? Pois é, eu não sei, vou confessar, eu não conheço muitas pessoas que foram criadas num convento... Mas eu não subestimo lugar nenhum. A gente ouve histórias do Vaticano, de vários lugares, eu acho que nenhum lugar é isento de todas as perversidades humanas. Então eu acho que essa coisa, eu sei que a gente coloca no estereótipo, ah, o convento, e isso é uma opinião minha... Tá, ela pode não saber pegar um ônibus, um metrô, mas lidar com relações humanas, eu acho que independe de onde ela foi criada.

Em algum momento você acredita que ela vai gostar da Vivi, porque pelas cenas na infância parecia que elas se davam bem... Passou muito rápido, mas tinha um apontamento leve, quando elas ganham a medalhinha da bisavó, ela fala que queria uma boneca, era muito sutil para dar essa característica. Acho que ela não tem muita empatia pela Vivi. O que eu penso é que ela sente que o abandono para ela foi muito mais brutal. Mas talvez se fosse ao contrário, ela fosse perversa também, e a Vivi bondosa. Acho que isso é de cada personalidade.

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