Miguel Rômulo, o Marquinhos: “Retrógrado, misógino, machista”

Workaholic, ator participa de Malhação após destaque em Orgulho e Paixão


  • 13 de novembro de 2018
Foto: Flávio Dantas


Por Redação

Aos 26 anos, Miguel Rômulo pode se considerar um veterano em novelas, já que estreou aos 10 anos, na global Coração de Estudante. De lá para cá, pouco parou, e quando não estava na TV, podia ser visto nos palcos. Mesmo assim, ele nunca tinha tido a oportunidade de atuar em Malhação, o que ocorreu agora, ao fazer uma participação em Vidas Brasileiras, como o malandro Marquinhos, ex de Talíssia (Luellem de Castro), e pai de Valentina (Maria Alice Guedes). “É um projeto lindo, fiquei muito feliz”, diz.

Cercado por tanto jovens, Miguel brincou com a idade. “Me senti o mais velho ali”, diverte-se ele, que diz ter adora a troca com o elenco. O personagem Marquinhos apareceu para infernizar a vida de Talíssia. “Ele é um homem retrógrado”, define o ator, que também teceu elogios à parceira Luellem de Castro. Praticamente sem férias desde o fim de Orgulho e Paixão, quando se destacou como o Randolfo, ele admite que não consegue ficar sem trabalhar.

Marquinhos (Miguel Rômulo). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Como está sendo fazer essa participação em Malhação?

Estar em Malhação aos 26 anos é engraçado, porque vi atores mais novos e me senti o mais velho. É um projeto lindo, que vem se reinventando todo anom e essa nova temporada pegou uma mensagem muito legal e positiva, falando sobre assuntos atuais. Botou gente como a gente, atores com histórias. Colocou quinzena de cada personagem. A maioria dos jovens dessa temporada está começando ali, é o seu primeiro trabalho. Fico feliz de estar em um ambiente desses, e fazer parte como ator convidado. A Malhação renova atores para a Globo e para o mundo, é uma grande oficina de atores.

 

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E como foi recebido pelo elenco jovem, é uma galera que você vê bem preparada?

Adorei estar no ambiente deles, com atores novos, são bem preparados. E temos que aprender também, a vida é isso. Ao chegar lá, pensei: “Olha quantos atores estão aí querendo trabalhar”. Você não só ensina, aprende com todos e assim todo o mundo aprende. Os jovens são talentosíssimos e queria ter contracenado mais com eles. Só atuei mais com a Luellem, que foi um presentão. Ela tem um olhar muito bom, de emoção em cena. Ela está ali com o corpo, não só com o texto.

Como você definiria o Marquinhos, vilão, dissimulado, mau caráter, aproveitador?

Homem que vive em uma época que não existe mais, com pensamentos misóginos, machistas, ausente, aparece quando a mãe está feliz. Não tem o que fazer!

Você acha que ele tem algum afeto pela Valentina ou tudo o que faz é por raiva ou vingança da Talíssia?

Acho que ele tem afeto sim. Ele não é o cara que quer destruir a vida da mulher. É o malandro que prefere ficar de boa no final de semana, mas gosta da filha. Pai bobo e malandro que não quer ter compromisso. Quando pinta uma grana ele quer estar lá.

Talíssia (Luellem de Castro) e Marquinhos (Miguel Rômulo). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Acredita que há muitos “Marquinhos” aí soltos pelo mundo? Se inspirou em alguém ou em algum personagem para vivê-lo?

Tem muito pai por aí que tem filho mas não quer a obrigação de cuidar.

Marquinhos é um personagem mais denso, pesado. Mas você tem se destacado muito no humor em novelas, é algo que curte, se descobriu mesmo na comédia?

O humor é uma das coisas mais difíceis de fazer na TV. Ou ele dá certo ou não. Ou você ri ou não ri. É desafiador. É mais frustrante não fazer a pessoa rir do que chorar. A pessoa pode não chorar e gostar da cena. Faço comédia com muito carinho. O humor é necessário, pra tudo, pra fugir dos problemas de vez em quando, pra ser mais leve.

Como o Randolfo, em Orgulho e Paixão. Foto: Reprodução Instagram

Recentemente você terminou um trabalho muito bacana em Orgulho e Paixão. Qual o balanço que você faz como ator e pessoa de ter participado dessa novela na pele de Randolfo?

É sempre bom encerrar um ciclo. Uma novela normalmente dura quase um ano, entre preparação, estar no ar. A gente sai sempre aprendendo como pessoa, e como ator, claro. Sai conhecendo históriaa de pessoas diferentes, reencontra pessoas com que já trabalhou e encontra novas. As pessoas te tiram o melhor. Esse elenco foi muito unido. O sucesso foi muito por causa dessa união, principalmente. Quando pulsa na mesma energia, em uma mesma força, sem disputa, sem briga de ego, o sucesso é garantido, a gente saiu dessa novela com esse pensamento.

Raramente atores mirins que fizeram sucesso conseguem continuar trabalhando. E você está sempre emendando novelas... Em algum momento isso preocupou você naquela fase difícil de transição de criança para adolescente, ou foi tudo tranquilo?

Brinco que não consigo ficar uma semana sem trabalho. Amo atuar e gosto de exercer a minha profissão. O pouco tempo que fico sem trabalho já fico questionando. Já fiquei um ano e pouco fora da televisão, mas sempre busquei o teatro. Trabalhar é trabalhar o seu ator, transmitir a arte pra quem você puder alcançar. Sempre emendo uma coisa na outra, faço testes...



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