Mayana Neiva: “Leandra tinha que encontrar um outro jeito de viver”

Prostituta na trama das 9, atriz aponta duas colegas como seus “exemplos de mulher”


  • 22 de março de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Redação

O primeiro trabalho na TV de Mayana Neiva após cinco anos longe do Brasil, vivendo em Nova York, só tem trazido alegrias para a atriz. Na pele da sensual prostituta e sócia do bordel Love Chic de O Outro Lado do Paraíso, ela tem participado de momentos importantes da novela. Desde o a descoberta da doença de Caetana (Laura Cardoso), ao retorno de Elizabeth (Gloria Pires) a Tocantins, e o assassinato de Laerte (Raphael Vianna).

Mas os maiores dramas da personagem aconteceram recentemente quando Nádia (Eliane Giardini) flagra o marido, Gustavo (Luis Melo), na cama com ela; e quando seu noivo, Norival (Juan Alba), descobre que ela é garota de programa. “A trama é provocante! Precisamos ficar ligados como um jogador em Copa do Mundo”, avalia a atriz.

Leandra. Foto: Globo/Raquel Cunha

Como está sendo para você participar de O Outro Lado do Paraíso?

Estou muito feliz. É uma novela que, como atriz, estou sempre me movimentando, porque a trama muda de repente, o que é muito bom. Com isso precisamos ficar ligados como um jogador em Copa do Mundo. É provocante! Um bom autor e bons diretores nos provocam de uma boa maneira.

E a resposta do público em relação à Leandra?

As pessoas comentavam muito nas ruas, antes do Rato (César Ferrário) morrer, que ele não merecia uma mulher boa como a Leandra, falavam também sobre o sócio misterioso do bordel. Graças a Deus, essa novela tem sido um presente na minha vida.

E agora chegando na reta final da trama, qual seu desejo para o final da sua personagem?

Eu queria que ela se redimisse e encontrasse um outro jeito de viver. Queria que ela se reencontrasse, seja com marido, com outro trabalho, e que fosse feliz do jeito dela. Não creio que ela seja feliz fazendo o que faz.

 

Foto: Globo/Raquel Cunha


Ela é dona do bordel, mas se veste de um jeito mais sofisticado se comparado às outras meninas. São roupas que evidenciam seu corpo. Houve algum tipo de trabalho de corpo, como malhar mais ou algo assim na sua preparação?

A gente queria que ela tivesse um corpo mais cheio na primeira fase, e a partir da segunda fase, ela secasse mais. Mas, de alguma maneira, a própria rotina de gravação faz com que a gente emagreça por passar muitas horas no set. Eu tento malhar três vezes por semana, consigo às vezes (risos). A Leandra tem uma coisa de querer algo que vai para fora do bordel, e a figurinista trabalha muito bem isso. O Mauro Mendonça Filho (diretor da novela) até a chama de ‘Quenga-Dama’.

Teve um dia em que ela estava toda de preto e se percebe que existe uma certa sofisticação nela, não acha?

Eu acho que ela tem um outro lugar de narrativa. Ela já foi só uma puta, hoje ela quer outra coisa, quer sair dali, e isso está presente na narrativa do figurino.

Como foi gravar a cena em que Nádia flagra o Gustavo com a Leandra na cama?

Foi hilário. A Eliane Giardini é uma super atriz, capaz de transformar os textos racistas que a personagem dela fala, numa personagem que tem um certo carisma. Para mim, é um orgulho contracenar com ela, e com o Luis Melo. Por incrível que pareça, nenhuma das cenas que fiz anteriormente da Leandra com o sócio misterioso eram feitas com ele. Então, a cena da revelação era a minha primeira cena com ele. Nos divertimos, rimos muito.

Leandra. Foto: Globo/Marília Cabral
 

Você contracena com a Laura Cardoso, Fernanda Montenegro, Lima Duarte. Deve ser uma honra para você...

Dona Laura está além de nós, é uma deusa. É uma galera que dificilmente vai se repetir. O Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Laura Cardoso, Gloria Pires, Eliane Giardini, Juca de Oliveira são as maiores estrelas do nosso país, e cada um com um nível de humanidade. Laura transforma tudo em magia, uma das maiores atrizes que já vi na vida, no planeta, a capacidade que ela tem aos 90 anos, é incrível. Ela é valente, não tem nenhuma fraqueza. Quando vamos contracenar com ela, ela já está com o texto na mão, lutando esgrima com a gente praticamente, e tentamos estar à altura dela. Ela é muito valente, Fernanda e ela são meus exemplos de mulher.

Você consegue assistir à novela?

Assisto pela internet. Quando estou em casa acho o máximo, faço até pipoca, porque é uma emoção poder acompanhar junto com o Brasil.

A trama é um sucesso e tem tido uma repercussão altíssima...

As pessoas gostam muito. É uma novela feita como cinema, tudo muito bem pensado. O autor faz um final a cada 15 dias, é uma novela quente e os atores estão botando o sangue ali.

Sobre o tema principal da novela, que é a lei do retorno. Você acredita?

Eu acredito muito nessa lei do retorno que tudo o que a gente faz, volta para a gente. Eu acho que é uma coisa física e a novela trata isso de forma forte, mas faz parte de como se posicionar no mundo, sabendo que o que você dá, é o mesmo que você recebe depois.

Depois da novela, você já tem outros trabalhos agendados?

Tenho. Um filme para ser rodado na Argentina, no segundo semestre, e alguns outros projetos que não posso falar.



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