Matheus Nachtergaele sobre Cine Holliúdy: “Série carinhosa, que nos ensina a gostar da gente mesmo”

Intérprete do prefeito Olegário, o ator avalia que, com humor, a trama consegue fazer uma crítica política 


  • 20 de julho de 2020
Foto: Globo/Estevam Avellar


Um dos grandes nomes de sua geração, com carreira sólida em todas as vertentes, seja TV, cinema e teatro, Matheus Nachtergaele comemora a reeexibição de um dos trabalhos que ele mais tem carinho: o prefeito Olegário, um vilão cômico, em Cine Holliúdy. A série de humor está sendo reprisada, às terças, após Fina Estampa, na Globo. “Essa reexibição indica que a série entrou no coração das pessoas e que conseguiu fazer o que eu imaginei que faria: homenagear o Brasil que a gente gosta e ama. É uma série carinhosa para toda família e de ensinamento para gente gostar da gente mesmo”, avalia.

Com roteiro de Marcio Wilson e Claudio Paiva e direção artística de Patricia Pedrosa, a produção é baseada no longa homônimo do diretor cearense Halder Gomes, que assina a direção. A trama mostra o embate entre a TV e o cinema, nos anos 70, em Pitombas, uma pequena cidade do Ceará. No elenco, nomes como Edmilson Filho, Heloísa Périssé, Letícia Colin, Haroldo Guimarães e Cacá Carvalho.

Qual a importância na sua carreira de ter vivido o Olegário? Eu me senti extremamente honrado em estar com o elenco cearense, em ser chamado a participar, em dividir a cena com a Heloísa Perissé, que eu admiro muito como artista popular brasileira, como comediante e como mulher. Olegário é um vilão cômico, um típico político da pior espécie brasileira, extremamente ignorante e autoritário, vaidoso e se tiver alguma virtude é saber amar a Maria do Socorro, personagem da Heloísa. Acho que todos os personagens nos ensinam muito. O Olégario traz para mim a possibilidade de construir um personagem que homenageia o Odorico Paraguaçu e Dias Gomes. Também é um personagem para, de forma brincante, se fazer uma crítica à política brasileira. Eu aprendi muito fazendo o Olégario e estou muito feliz em poder rever o trabalho.

Olegário (Matheus Nachtergaele) e Socorro (Heloísa Perissé). Foto: Globo/Ramón Vasconcelos

Há alguma cena que mais o marcou? Eu tive muito prazer em todas as cenas. Adoro a Heloísa (Perissé) e a gente conseguiu uma química muito bonita. Foi muito prazeroso trabalhar com ela. Ressalto também as cenas com o Gustavo Falcão, que interpreta o Seu Jujuba, assessor do Olegário. As cenas são todas muito saborosas e é muito difícil de destacar alguma, mas eu amo as cenas de palanque do Olegário. Para me relacionar com Odorico do Dias Gomes, que inventa palavras difíceis justamente para não ser entendido pela população - como é comum nos políticos brasileiros - eu inventei um tipo de português absolutamente errado.  No palanque, ele começa o discurso dizendo: - “Meus povo e minhas pova”. É hilário, a gente sempre ria muito depois das cenas de palanque. 

A série homenageia os gêneros do cinema. Como você avalia a importância da arte nesta fase de quarentena? O argumento de Cine Holliúdy é lindo! Uma televisão é instalada pela primeira vez em uma cidade interiorana do Brasil e ela começa a ameaçar o sonho de fazer um cinema brasileiro criativo, que é o sonho do Francis (Edmilson Filho). Essa discussão me interessa muito. Temos muitos motivos para rever a série com olhos muito críticos para além da diversão pura e simples. Como sou um ator principalmente de cinema, adorei essa coisa de passar pelos gêneros todos. Fizemos filme de vampiro, de terror, de ficção cientifica; tudo de um jeito tupiniquim, divertido e com uma produção que imita com muita beleza a falta de recursos do cinema brasileiro. 

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