Marcella Muniz faz 40 anos de carreira: “Hoje, madura, penso em falhas, mas não fico remoendo”

No ar em três reprises, atriz de Amor Sem Igual fala ainda da perda do ex-marido, vítima de Covid-19


  • 14 de setembro de 2020
Foto: Vinícius Mochizuki


Ao comemorar 40 anos de carreira, além de estar no elenco de Amor Sem Igual, que volta ao ar no dia 22 de setembro após pausa por conta da pandemia, Marcella Muniz está no ar nas reprises de Jesus, na Record TV, Sassaricando, no Viva, e Cúmplices de um Resgate, no SBT. Ao refletir sobre a sua caminhada nas artes a atriz diz que ao olhar para trás não tem do que reclamar. “Fiz meu caminho, minhas escolhas… Mas claro que hoje, mais madura, penso em algumas falhas. Porém, não fico remoendo. Faz parte do aprendizado da vida e sigo feliz”, avalia.

Com a interrupção das gravações na Record TV, que foram retomadas e já concluídas na semana passada, a atriz se dedicou nesse período a uma outra paixão: a gastronomia. Marcella administra a comfortfood delivery @cestpotage . “Cozinha pra mim é um estúdio, as panelas meus acessórios, as receitas meu texto”, fala. Mas essa fase de quarentena também foi de muita tristeza para a família de Marcella. Seu ex-marido, Marcelo Guimarães, com quem teve a primeira filha, a advogada Priscilla Montes, morreu vítima da Covid-19. “Foi tudo muito doloroso”, conta. Priscilla deu o primeiro neto para a atriz, Gael, de 3 anos. Marcella é mãe também de Thais e Thiago Müller, de relação anterior com o ator Anderson Müller.

Foto: Vinícius Mochizuki

Como é viver da arte por 40 anos no Brasil? Sambando com a vida, né! Nunca desisti daquilo que acredito mesmo com todos os percalços, sigo acreditando, mesmo com esse governo nos desmerecendo cada vez mais, sigo crendo!

Até março, você gravava Amor Sem Igual como a Sônia, mas as gravações foram interrompidas e voltaram recentemente. Como foram esses meses de confinamento para você? Acho que pra todo mundo foi complicado, né? Muita tristeza, muita incerteza, muitas mortes... O mundo parou e eu queria literalmente descer. Perdi gente próxima por conta dessa doença. E é terrível a falta de liberdade de ir e vir. Como estava numa rotina louca de gravação, quando tive que parar resolvi seguir com a cabeça agitada, numa rotina puxada (risos). Foi aí que voltei com força com a minha empresa de comfortfood delivery @cestpotage. E trabalhei muito nessa pandemia.

Você perde uma pessoa próxima de Covid-19. Sendo uma pessoa pública, acha importante falar desse assunto? Sim, infelizmente perdi meu ex-marido, pai da minha primeira filha. Foi tudo muito doloroso, foi inacreditável, ainda está sendo. Cheguei a usar minhas redes sociais pra falar disso porque acho importante alertar as pessoas que essa doença não é brincadeira! Não é mesmo!

Como foi a retomada das gravações, já encerradas agora, e quais os cuidados foram tomados? Foi uma enorme alegria voltar a gravar, rever a equipe, entrar nos estúdios, ver meus amigos, ver todo mundo na ativa. Foi um dia muito especial quando botei os pés de novo no Recnov depois de meses. Chato é que a gente quer abraçar, beijar, ficar perto, ser caloroso, mas não podemos. Foram tomados todos os cuidados, seguindo um protocolo de segurança e sabemos que é pelo bem de todos. Então, me senti segura com esse retorno.

Foto: Vinícius Mochizuki

Nas reprises que estão sendo exibidas, o público tem te visto em Jesus, também na Record. Como foi fazer a vilã Judite? Jesus foi um marco para mim, na minha jornada. Nessa trama dei vida à minha primeira vilã e eu tive a sorte de contracenar com pessoas que me ajudaram muito nesse processo. Judite, minha personagem, é um daqueles casos em que a gente sente que ela já estava vivendo no meu corpo. Foi muito prazeroso. Tenho um carinho enorme por esse trabalho.

Você também está na reprise de Cúmplices de um Resgate, no SBT. Já mostrou esse trabalho para seu neto Gael? Você sabe que nunca mostrei nada para o Gael dos meus trabalhos? A sua ideia é boa! (risos).  Acho que daqui pra frente que ele entenderá melhor. E trabalhar para esse público foi maravilhoso e uma surpresa. Como eles amam essas novelas, como eles são afetuosos, participativos. Foi uma experiência muito enriquecedora.

E tem ainda a reprise de Sassaricando, no Viva, que você também está no elenco. Qual a importância desse trabalho pra você? Toda a importância! Sassaricando foi uma novela de muito sucesso. Dar vida à Diana, minha personagem, foi um presente. Esse trabalho meu deu projeção, pude fazer humor e ainda me deram um aumento de salário sem eu pedir (risos). Estou louca para assistir, mas já sabendo que irei ter muitas críticas ao meu trabalho.

Gosta de trabalhar na linha do humor? Muito! Acho muito mais difícil e desafiador. Quando a gente faz comédia tem que tomar cuidado para não cair no estereótipo, mas é muito prazeroso. 

Qual a diferença entre fazer novela na época de Sassaricando e agora? Muita! Na época de Sassaricando fazíamos novelão. A gente gravava em locação na Lapa porque não tinha cidade cenográfica. Lembro que tomamos muito balde de água da vizinhança quando estávamos gravando por causa de barulho (risos). Além disso, não existia internet, redes sociais... Logo, não tínhamos como saber tão rápido a opinião do público, mas também éramos mais livres.

Foto: Vinícius Mochizuki

Como é sua relação com os fãs que te acompanham ao longo desses anos? A melhor possível! Faço questão de atender a todos, responder as mensagens que recebo pois eles são de um carinho enorme comigo. Gosto de retribuir esse carinho.

Qual o segredo para manter uma carreira por quatro décadas? Perseverança, garra, foco e, hoje, muita fé. E amar o que faço! Sem amar o que a gente faz a gente não resiste muito tempo.

Inclusive, além de ser atriz, você tem uma carreira de chef, é formada em Gastronomia, e tem a sua empresa. Fale um pouco mais dessa experiência... Minha outra arte (risos). Digo que a @cestpotage é extensão da minha cozinha. É tudo feito com amor e, pode ter certeza, a comida sai diferente.

Você tinha um projeto teatral sobre o “ninho vazio” pra este ano, mas ele foi parado com a pandemia. Em que pé anda essa ideia? Deixei um pouco de lado por enquanto essa ideia. Com a pandemia, acabei focando na @cestpotage e há poucas semanas fui convocada para estrear uma peça virtualmente. Vou estrear nesse "novo normal" com “Às terças”. Fizemos esse espetáculo nos palcos há 5 anos, no teatro Leblon. Estamos ensaiando para nos adaptar ao meio virtual. O texto é de Marcelli Oliveira, direção de Alexandre Contine e o elenco conta comigo, Stela Maria Rodrigues, Marcelli Oliveira e Carina Sacchelli. Vamos estrear no fim de setembro. Por favor, prestigiem a arte! 

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