Malu Galli: “Foi bom ter feito um papel popular como a Rosângela, ninguém gosta de ficar em prateleira”

Atriz relembra o trabalho em Totalmente Demais e na premiada Malhação e cita lições da quarentena


  • 02 de junho de 2020
Foto: Globo/Divulgação


Por Luciana Marques

Malu Galli é sem dúvidas uma das melhores atrizes de sua geração. Pouco antes da pandemia, ela dava show como a refinada e arrogante Lídia de Amor de Mãe. Agora, pode ser vista nas reprises de Malhação: Viva a Diferença, como a Marta, e em Totalmente Demais, na pele da Rosângela.

Na trama exibida na faixa das 7, ela interpretou pela primeira vez uma personagem popular na TV. “Foi uma porta importante de ter sido aberta, espero que apareçam mais trabalhos assim. Ninguém gosta de ficar em prateleira nenhuma. Nós atores gostamos de diversificar os universos”, disse ela, em entrevista remota com um grupo de jornalistas.

A atriz contou que está na expectativa sobre o retorno das gravações de Amor de Mãe, mas ressalta que não recebeu ainda nenhuma informação concreta. Enquanto isso, ela avalia projetos com amigos sobre o “novo normal” nesta fase de isolamento social.

Rosângela (Malu Galli) e Jonatas (Felipe Simas), em Totalmente Demais. Foto: Globo/Pedro Curi

Por que você acha que as novelas exibidas como reprise estão fazendo tanto sucesso? Eu acho que principalmente porque são histórias leves, gostosas. E o nosso dia a dia está muito pesado, o noticiário está pesado. Acho que deve estar sendo agradável assistir e rever produções não tão antigas, só Fina Estampa que já foi exibida há mais tempo, mas tem isso de lembrar um pouco das histórias. E é o que a gente precisa agora, de tramas leves, enquanto ainda não temos uma notícia um pouco melhor.

Que lições você tirou você tirou desses trabalhos? Pensando em Totalmente Demais, posso falar que ganhei grandes amigos, a Aline Fanju, o Aílton Graça, meu irmão, a gente se chama de irmão. Eu já tinha cruzado com a Aline, mas com o Aílton não. Foi uma novela de grandes encontros pessoais mesmo. Foi muito bom ter feito um personagem popular, algo que eu ainda não tinha feito na TV. Era uma mãe batalhadora, criando os filhos sozinha e sem dinheiro. Espero que apareçam mais trabalhos assim, nós atores gostamos de diversificar os universos que a gente mergulha. E eu acho que o que fica é essa coisa da superação, da transformação, as novelas que estão sendo reprisadas têm esse teor. Mas é difícil pensar em superação pessoal, falo de nós os brasileiros conseguirmos isso nesse momento. Claro que as novelas são fábulas, importantes para nos dar o exemplo. Mas a gente está precisando de alguma coisa além de exemplos fabulares.

Como foi rever a sua personagem de Malhação, que virou até série para o Globoplay? Eu fiquei muito feliz quando soube que os dois trabalhos seriam reprisados, fiquei surpresa, porque você não faz ideia que vai ser brindada com isso. E é muito gratificante ver um trabalho como espectadora. Você não está gravando, não está na exaustão do dia a dia, que muitas vezes você não consegue acompanhar. E poder ver de casa um trabalho que você fez há tanto tempo... E Malhação nem tem tanto tempo, mas a vida da gente é tão dinâmica, que parece que tem. Foi um trabalho muito gostoso de fazer, uma parceria maravilhosa com a Manu Aliperti. A gente se deu muito bem, a gente até acabou reeditando essa parceria no teatro, fizemos uma peça como mãe e filha em São Paulo, há dois anos. Tenho um carinho grande por este trabalho, também gosto muito de trabalhar com o Angelo Antonio. Foi muito gratificante e uma surpresa linda esse Emmy que a trama ganhou, muito merecido. Eu tava revendo ontem a novela e vendo como é contemporâneo a fotografia, a trilha, não só o texto, mas é todo o invólucro, parece uma série. Então eu fico feliz de ter feito parte de um trabalho que foi uma espécie de marco estético na Malhação.

Foto: Globo/Victor Pollak

Como tem passado pela quarentena? Eu não tenho tédio. Mesmo sem criança em casa, a gente não fica em casa sem fazer nada. Eu descobri vários produtos novos de limpeza (risos) e lava-se louça como nunca, porque você faz as três refeições em casa. Não existe fazer um lanche na rua, é tudo louça, louça, louça. Tenho pensando seriamente em comprar uma máquina de lavar louças. É um dia de cada vez mesmo. Tem dias que eu fico mais animada, outros mais quieta, querendo ouvir música ou fazer projetos. Mas dá muito medo do futuro. E o grande ensinamento dessa pandemia, para mim, é viver um dia de cada vez, que a gente não controla todas as coisas, e que precisamos viver no presente. E a gente vivia desconectado o tempo todo. Então estamos tendo essa aula da natureza.

Acha que esse momento acabou provando o papel crucial da cultura? Com certeza! A gente estava vivendo esse massacre na cultura há algum tempo, uma demonização no sistema de editais, dos atores, como se a gente tivesse uma vida nababesca. Mesmo os atores contratados das emissoras, a maioria não tem isso. E muito menos os atores de teatro, os que fazem séries esporadicamente, é uma vida muito difícil, sem garantia nenhuma. Acho que a cultura é fundamental para a sobrevivência de qualquer sociedade, mas nesta circunstância da pandemia ficou muito mais claro o quanto a gente precisa da arte para se identificar como sociedade, para ter uma identidade. Mesmo assim, as pessoas consomem cultura desesperadamente, mas a maioria dos brasileiros ainda talvez não tenha se atentado pra isso, para a valorização destes profissionais. Não só os artistas, mas os profissionais que trabalham nos bastidores e são fundamentais para essas produções estarem aí hoje.

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