Luciana Malcher, a Bendita: “Eu não levo desaforo pra casa”

Ela festeja popularidade do “anjo” de Julia e Danilo e diz que a arte transforma um país


  • 28 de fevereiro de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Com 26 anos de carreira, muitos deles dedicados ao teatro, Luciana Malcher vive um momento especial na profissão. Sua personagem Bendita, de Espelho da Vida, caiu no gosto popular. Até porque, como define a própria atriz, ela é uma “espécie de luz no túnel da vida do casal protagonista nos anos 30, Julia Castelo (Vitória Strada) e Danilo (Rafael Cardoso)”. “Estou surpresa e feliz com toda esta repercussão”, diz a atriz, que é mãe de Duda, de 2 anos.

Conhecida nos bastidores pelo riso solto e o alto astral, Luciana garante que há poucas semelhanças suas com Bendita, principalmente porque ela não é de levar desaforo para casa. “Brinco, às vezes,  dizendo que se eu fosse do tempo da escravidão não ia sair do tronco”, fala ela, que na mesma trama das 6 vive nos tempos atuais a atriz Débora Martins.

Neste bate-papo imperdível, Luciana fala ainda sobre espiritismo, dá seu palpite sobre com quem Bendita deve terminar a trama e mostra-se fidelíssima ao casal #Junilo. Professora de teatro, ela ressalta a importância da arte para o desenvolvimento e transformação de um país. 

Bendita (Luciana Malcher). Foto: Reprodução Globo

Você esperava que a Bendita virasse quase uma protagonista nos anos 30? Isso foi uma surpresa para você?

Sinceramente falando sim. Ela caiu tanto no gosto popular, recebo diariamente centenas de mensagens nas redes sociais falando sobre o amor que eles sentem pela personagem. Quando o Pedro Vasconcellos (diretor artístico) me ligou convidando para a novela, ele falou um pouco sobre cada um dos personagens. Então eu meio que sabia que a Bendita ia ser uma espécie de par, digamos assim, com a Julia Castelo. Mas nunca imaginei chegar a tamanha popularidade.

Todos sabem que o desfecho desse amor da Julia e do Danilo não vai acabar bem. Mas como você vê ou imagina o final da Bendita nessa história nos anos 30?

Nossa, ainda não tinha me tocado que a novela está acabando. Está tão gostoso fazer este trabalho que parece que está longe do fim. Por isso nem tinha imaginado um fim. Mas algumas vezes brinquei com o Felipe Camargo que a Bendita podia terminar com o Coronel Eugênio, que descobriu que vai ter um filho varão com ela (risos).

 

 

A Claraíde, de Império, também foi um sucesso, mas Espelho da Vida tem movimentado como nunca as redes sociais. O que as pessoas mais falam, até porque todo o mundo gostaria de ter uma Bendita em sua vida, né?

Oh, saudades da Claraíde! Ela tinha uma coisa muito curiosa, apesar da novela se passar em uma época bem atual, ainda assim tinha todo um ritual e alguns procedimentos de comportamento que lhe eram impostos, por se tratar de uma empregada de uma casa de pessoas da alta sociedade. E era justamente o esforço que ela fazia para corresponder a essas exigências que a tornava engraçada. Já a Bendita carrega todo o peso de um tempo em que nem lhe era dado o direito de existir, quanto mais falar alguma coisa. Mesmo assim ela consegue driblar toda essa árdua condição e se apoia em uma única coisa boa que lhe dá motivo para seguir em frente, que é o amor incondicional que sente por Julia. E assim como o público é totalmente a favor do amor de Julia e Danilo, não é à toa que ela faz de tudo para ajudar o casal. Aí é uma pessoa assim que dá muita vontade mesmo de ter ao lado. Bendita é uma espécie de luz no túnel na vida desse casal.

Você se parece mais com a Bendita ou com a Débora?

Olha que interessante, a vida e seus mistérios, parecer... Parecer eu não pareço, porque não sou do tipo de pessoa que leva desaforo pra casa. Brigo muito pelos meus direitos e não permito que ninguém me trate com grosseria ou grite comigo, tipo o Coronel faz com a Bendita. Porém acredito piamente no amor, às vezes dou uma de cupido sem asa (risos). E o que eu tenho em comum com Débora Martins é o amor pela arte e ter a mesma profissão da personagem, que é atriz.

Débora Martins (Luciana Malcher). Foto: Reprodução Instagram

A Elizabeth Jhin é uma grande estudiosa do espiritismo. O que você tem mais aprendido ao participar dessa novela, mudou de alguma forma a sua percepção sobre vidas passadas, reencarnação?

Embora não tenha nenhuma religião, acredito que a doutrina espírita consiga responder alguns questionamentos sobre a morte. Uma pessoa espírita é muito mais preparada a entender sobre os mistérios que envolvem a morte ou o desencarnar, como costumam usar. Chama muito a minha atenção a serenidade com que eles tratam sobre o assunto. Parece uma conformidade meio que imediata. Mesmo em casos tão extremos, como por exemplo, uma mãe que perde o filho ou o motivo de uma pessoa ter uma carga de vida tão grande. Com a novela aprendi que a reencarnação, dependendo do caso, pode ser um grande resgate de vida. Uma espécie de chance para nos tornamos uma pessoa melhor.

Há várias enquetes na internet, discussões ferrenhas. Na sua opinião, com quem Cris deve terminar, com Alain ou Daniel?

Essa pergunta é megafácil de responder, até porque não posso desapontar os meus fã-clubes que torcem pelo casal Julia e Danilo, Cris e Daniel. Eu estou com eles e não abro mão, nada contra o Alain, pelo contrário, vejo a crescente mudança que vem acontecendo com ele. E queria muito que ele ficasse com uma pessoa bacana.

Como é o bastidor dessa novela, aliás, com atores incríveis, né?

Um grande Réveillon fora de época. Todos os dias que nos encontramos é sempre muita alegria. Somos uma família unida, trabalhamos juntos e nos divertimos muito também. Esse elenco foi escolhido a dedo.

A maior parte do seu longo tempo na carreira é no teatro. Acha que tudo tem acontecido no tempo certo, porque não é uma profissão fácil, né?

Estou há exatos 26 anos na luta tentando viver de arte. Mas apesar da batalha, sim, as coisas aconteceram no seu devido tempo. Porque viver de arte no nosso país é realmente uma 'arte'!

Foto: Globo/João Cotta

Você também é professora de teatro. O que costuma dizer aos seus alunos sobre a profissão?

Eu amo dar aula de teatro. Digo aos meus alunos que a arte, seja qual for, é um dos maiores remédios que curam uma sociedade da sua falta de conhecimento. A arte é fundamental para o desenvolvimento, formação e constante transformação de uma sociedade. Arte e educação andam de mãos dadas sempre!

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Vivemos um tempo em que essa “nova mulher” tem se posicionado, querendo direitos iguais, respeito, ser quem é, sem dar satisfação a ninguém... O que você acha disso, se considera uma feminista?

Eu acho libertador! Ainda que a caminhada seja bastante longa, mas a ponta do iceberg já está à mostra. Não sei se isso é ser feminista, mas quero respeito e poder fazer o que eu quiser sem ser apontada. Não quero ser incomodada por comportamentos primatas que já não são mais permitidos e nem justificados por aquela velha e desconecta frase: 'Mas desde que mundo é mundo nós homens somos assim'. Então tratem de entrar no eixo e acompanhar a rotação do planeta, porque os tempos são outros.

Você faz muito teatro. Como tem visto toda esta situação do desprestígido da cultura, de gente querendo “demonizar” a classe, e como driblar isso?

Consigo definir isso em uma única palavra: vergonha! É inconcebível que um país como o nosso tão rico, tão cheio de recursos, seja ao mesmo tempo pobre nos interesses referentes à educação, cultura e arte. Parece que a intenção é acabar com o país de vez, pois um país que não possui nenhum dos três que funcione perfeitamente, não sobrevive às outras coisas. Mas não vamos nos calar! O teatro é uma arte infinita. Sempre consegue se erguer porque a arte tem arte para sobreviver. 



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