Lilia Cabral: “Depois de viver Griselda, continuo lutando ainda mais pelo que acredito”

Atriz fala da volta ao ar de Fina Estampa em edição especial na faixa das 9 por conta do Covid-19


  • 23 de março de 2020
Foto: Globo/João Miguel Junior


Há oito anos, o público se encantava e se divertia com as histórias de Griselda, ou melhor, Pereirão, em Fina Estampa. Conhecida como a melhor faz-tudo no Jardim Oceânico, região da Barra da Tijuca, no Rio, a personagem foi a primeira protagonista de Lilia Cabral. “Foi através dela que eu pude me colocar diante de grandes personagens e de grandes protagonistas que vieram a seguir”, avalia a atriz.

Na história, há quase vinte anos, Pereirão começou a fazer bicos quando o marido, Pereirinha (José Mayer), faleceu. Para sustentar os filhos Quinzé (Malvino Salvador), Antenor (Caio Castro) e Amália (Sophie Charlotte), ela adotou os pequenos consertos de casa como profissão. Sem vaidades nem arrependimentos, a viúva coloca o bem-estar dos filhos em primeiro lugar.

Escrita por Aguinaldo Silva, com direção geral e de núcleo de Wolf Maya, a trama será exibida em edição especial a partir desta segunda, 23, na faixa das 9, no lugar de Amor de Mãe. É que entre as medidas de controle contra o Coronavírus, a Globo cancelou todas as gravações em seus estúdios. Ainda nãos e sabe quando Amor e Mãe voltará ao ar.

Como você recebeu a notícia da volta de Fina Estampa? Apesar de ter ido ao ar em 2011, Fina Estampa traz lições que continuam sendo importantes: a minha personagem, Griselda tem um comportamento muito honesto diante dos filhos. Ela fazia tudo em função deles e teve que sobreviver dando educação e estabilidade à família. Por isso, fiquei muito feliz ao saber que a novela está de volta. Além disso, foi uma história que fez muito sucesso entre o público. Recebemos muito carinho na época. Eu achei incrível a atitude da Globo, a responsabilidade e o respeito que a emissora está tendo com todos os profissionais envolvidos nas novelas que estão no ar atualmente, ao mesmo tempo em que é um desafio entrar para substituir Amor de Mãe, que está na boca do povo. As pessoas são apaixonadas pelos personagens que eles estão seguindo até então. Espero que todos sigam as recomendações, se cuidem, e que, enquanto isso, a gente possa, com muita humildade, representar as novelas que ficarão fora do ar. Nessas horas, a gente só torce para que tudo dê certo: para que 'Amor de Mãe' volte, que todo mundo curta o final, e para que as novelas que entrarão no ar agradem ao público. Agora é preciso ter um pensamento de equipe, temos que pensar em todos.

Qual a importância da Griselda na sua carreira? A Griselda foi a minha primeira protagonista, apesar de eu sempre ter feito bons personagens. Eu vinha de uma leva de novelas do Manoel Carlos e, de repente, caiu na minha mão esse personagem criado pelo Aguinaldo Silva, com quem há muito tempo eu não trabalhava. Quando recebi os capítulos e vi o que eu tinha nas mãos, abdiquei de tudo na minha vida para poder me dedicar totalmente à novela porque eu sabia que durante um bom tempo eu seria chamada de Pereirão. Fui muito feliz e o público me recebeu de braços abertos. A Griselda era solar, mesmo com todos os problemas que ela tinha com os filhos e com a vida sofrida dela. Mesmo nos piores momentos, ela sabia tirar lições e também dava lições de vida para todos. O texto era muito bem escrito. Dia desses, eu sentei para assistir ao primeiro capítulo e vi até o 20.

Como você acha que o público vai receber a novela agora, oito anos depois? Também estou nessa expectativa. Eu espero que o público receba com generosidade porque nós queremos que tudo dê certo e que depois 'Amor de Mãe' volte, porque eu estou louca para ver a cena em que a Lurdes descobre quem é o Domênico. 

O que você mais aprendeu com a personagem que ficou pra sua vida? Aprendi tanta coisa com a Griselda, tantas lições. No início, levei um pouco das minhas experiências para ela: era um personagem de origem portuguesa, então, levei muita coisa da minha família, de sobrevivência, porque eu sou filha de imigrantes que vieram para o Brasil bem depois da Segunda Guerra e passaram por muitas dificuldades. Mas a vida da gente não muda: continuamos lutando e batalhando para sobreviver seja em qual for o quesito. E, se você perceber, a Griselda vai sobrevivendo até o fim da novela, como a gente. Isso só me incentiva a lutar sempre por aquilo que eu quero e acredito. A vida já tinha me ensinado isso cedo, com minha família, e depois dessa novela eu continuo lutando ainda mais por aquilo que eu acredito.



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