Leticia Colin: “Rosa tem uma autoconfiança que não tenho”

Atriz diz como adequou seu corpo para a vibe sensual e malemolente do papel


  • 29 de maio de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Na sua última novela, Novo Mundo, em 2017, Leticia Colin surpreendeu crítica e público com uma atuação bastante crível da princesa Leopoldina. Agora, em Segundo Sol, essa jovem atriz de 28 anos já tem mostrado que veio para mais um trabalho de destaque.

Na pele da Rosa, ela já encanta com uma malemolência, uma sensualidade e uma musicalidade no sotaque, que só os baianos têm. Mais pontos para a Letícia! E para compor a personagem, a atriz admite que precisou mudar a sua rotina, passou a se alimentar melhor e a praticar exercícios com frequência.

“Ela é fogo, provoca as pessoas, tem opinião forte, não leva desaforo e tem essa coisa que é muito baiana, um corpo confiante, solto, livre, e eu queria que meu corpo trouxesse um pouco dessa vibe. E eu sinto que isso evoca em mim uma energia que tem a ver com ela”, conta a atriz.

Rosa (Leticia Colin). Foto: Globo/João Miguel Junior

Acha que de certa forma, a Leopoldina, de Novo Mundo, te deu essa Rosa, de presente?

Eu acho que a vida é uma continuidade de belos desafios. Eu acho que tudo, comecei a trabalhar com oito anos, então, eu acho que muitos personagens ajudam a gente a aprender coisas, a se transformar como ser humano, melhorar como ator. Por exemplo, o meu encontro com o Vinícius Coimbra na novela, que foi um grande diretor para mim, me ensinou muito, sobre confiar, acreditar na direção, no encontro. Como o meu parceiro Caio Castro, falando de Novo Mundo, a Júlia Rezende, do Ponte Aérea. São muitos trabalhos que vão ajudando a gente a desabrochar e eu estou muito feliz com a Rosa.

Ela cai na prostituição no início da trama e continua?

Ela vai ter uma passagem pela prostituição. A gente ainda está bem no começo, é uma prostituição de luxo, ela recebe esse convite para experimentar, para ver qual, é e ela está muito infeliz com a situação da família, de não conseguir trabalho, a falta de dignidade. É bastante contraditório, a maneira que ela se envolve com isso, ela é muito corajosa, muito dona do seu próprio corpo, de si. Ela tem um pensamento feminista, progressista. Ela acha que a prostituição é uma profissão como outra qualquer, que é lugar de uma mulher não como vítima, mas de uma mulher emponderada, que escolhe o que quer fazer, como é que quer ganhar dinheiro. O ponto de vista dela sobre esse trabalho vai ser interessante. É principalmente um olhar para esse assunto com menos hipocrisia, com mais coragem de pensar e falar sobre isso.

Você se identifica com a personalidade da Rosa?

Ela tem uma autoconfiança, uma coragem que eu acho que eu não tenho. Eu até tenho uma determinação para conseguir as coisas que eu quero, mas a Rosa é impulsiva demais, às vezes ela poderia pensar duas vezes antes de falar alguma coisa, e ela estoura sabe, fala, se coloca. Ela é uma personagem muito corajosa, muito forte, ela evoca essa imagem de Rosa Palmeirão, do Jorge Amado, ela tem uma coisa do arquétipo feminino de guerreira.

Foto: Globo/João Cotta
 

Ela vai ter uma relação dupla, vai se apaixonar pelo Ícaro (Chay Suede) e depois se encanta também pelo meio-irmão dele, o Valentim (Danilo Mesquita). Ela vai fazer sucesso com os boys da novela, então?

Ela é uma mulher sensual, a Bahia tem disso, né? A pessoa estar muito livre, sem pudor, é um lugar quente, um estilo da Bahia, a cultura que a gente vê através das roupas, é uma coisa de muita sensualidade natural, que acho que vem uma coisa africana, de uma aceitação do corpo. Ela é muito segura, descolada, tem um temperamento muito encantador.

Nesse processo, como está sendo a sua rotina, em termos de exercício, de alimentação?

Eu tenho me alimentado muito melhor, tenho cozinhado também, acho que tenho conhecido o poder dos alimentos e estou muito feliz por essa conquista. E malhação, eu tenho um personal maravilhoso, estou malhando para caramba, de quatro a cinco vezes por semana. Nunca coloquei isso como uma prioridade, e agora, como eu acho que a personagem tem que ser exuberante, bela, isso virou uma coisa para mim, coloquei muito na minha rotina. É uma personagem que está fazendo eu me cuidar, estou entendendo de vitaminas, de exercícios físicos...

Qual foi a reação quando você se viu morena no espelho a primeira vez?

Eu achei bem diferente. Eu imaginava como iria ficar, mas nunca é como você imagina. Eu passei uns dias tomando susto no espelho falando: ‘Ah, sou eu’. Mas eu estou apaixonada, estou achando incrível ser morena, que é um novo mundo, porque as pessoas mudam.

E você se vendo bronzeada?

É bom, eu acho maravilhoso. Eu acho que essa coisa camaleão vale para tudo, de pensar na composição que vai desde a pele até a voz, porque é no corpo que o personagem acontece, então, acho que a composição, ela traz o personagem sim.

Ícaro (Chay Suede), Rosa (Leticia Colin) e Valentim (Danilo Mesquita). Foto: Globo/João Miguel Junior
 

O que na sua personagem despertou esse desejo de se cuidar?

Quando eu fazia a Leopoldina, era uma personagem de época, que usava enchimento, era muito diferente a minha relação com o meu corpo naquele momento. Você fazer atividade física todo dia, exige uma organização da sua vida, tempo, malhar não era uma prioridade. Agora como essa personagem desperta paixões, tem uma pegada sensual, eu acho que ela precisa ter uma coisa que seja esteticamente atraente. A verdade é essa, a personagem tem que ser uma coisa que você queira, deseja. Eu tenho uma equipe de médicos, meu personal maravilhoso, a gente falou: ‘Pô, vamos dar uma malhada legal, vamos dar uma secada’.

Foi uma dica também, dos diretores?

Não, zero. Essa personagem, a Rosa, ela é fogo, provoca as pessoas, tem uma opinião forte, ela não leva desaforo para casa e tem essa coisa que é muito baiana, um corpo muito confiante, solto, livre, cheio de malemolência, de musicalidade, e eu queria que meu corpo trouxesse um pouco dessa vibe. A atividade física foi muito para isso e é para isso. E eu sinto que isso evoca em mim uma energia que tem a ver com ela.

A Leopoldina foi um sucesso, acha que foi um divisor na sua carreira?

Acho que foi.

Como é que é fazer um personagem depois dela?

Então, eu já fiz um outro que ainda não estreou, e estreia em julho, é o Cine Holliúdy, que eu fiz a Marylin. É uma série da Globo que se passa nos anos 70. É a vida, eu sou muito apaixonada pela Leopoldina, acho que tudo que a gente viveu naquela novela, de contar a história do Brasil, tem coisas muito ricas, mas essa é a vida, a gente tem que seguir, começar de novo e se desafiar. Todas as personagens para mim, elas atravessam minha vida, elas me deixam louca, sem dormir, mudam minha alimentação, minha cor, meu cabelo, meus pensamentos, meus sonhos, elas me atropelam.

Foto: Globo/João Cotta

É um combustível maior ter feito um sucesso tão grande e pensar: ‘Nossa, fiz tão bem e vou fazer de novo’ ?

Eu acho que sempre tive esse combustível. Eu não penso assim não, isso poderia ficar pesado. Eu não acho que a vida é vertical, acho que a vida vai ramificando e expandindo. Uma coisa não necessariamente quer dizer que vai ser outra, que vai ser melhor ainda ou pior, eu prezo muito pelo meu trabalho, eu amo muito o que eu faço, eu tenho vinte anos de carreira, olha que louco.

Uma das coisas que as pessoas mais elogiavam na Leopoldina era o sotaque. E como está sendo agora com o sotaque baiano?

'Rapaz, sei não viu? Bora vê'. Olha, é difícil. O sotaque baiano é muito difícil, é muito mais difícil do que o sotaque austríaco por exemplo. Acho que porque é uma musicalidade, é uma coisa que a gente escuta muito e que ao mesmo tempo você acha que conhece, mas não conhece. A responsabilidade é maior porque a Bahia está aqui né? E a Áustria está lá, então a gente tem muita referência, tem muito artista baiano, é fácil você ver quem está cometendo uma fraude.

Fazer uma personagem feminista desse jeito para você é bom?

Sou feminista, comecei a ler e estudar muito sobre isso e tem muitos tipos, né? Tem muitas linhas, mas eu acredito que sim, eu acho que tem que lutar pela igualdade dos direitos e do espaço para a mulher, mas eu não acho que a mulher é igual sabe? Tem que lutar pelos direitos, mas não é igual ao homem, acho que é diferente, não quero dizer que é mais ou menos, a gente tem dificuldade de entender isso, para mim também é difícil. Eu tenho pesquisado e lido muito, porque é uma personagem que pensa muito sobre isso também, do jeito dela explosivo, mas eu acho que ainda não tenho respostas.

E como é fazer uma novela do João Emanuel Carneiro?

Eu sou fã dele e fiquei muito feliz de estar nessa novela. Porque eu acho ele um dos grandes autores do nosso tempo e o texto dele, os personagens e as tramas que propõe, tudo muito complexo. As personagens são ambíguas, contraditórias e isso é importante, porque ninguém quer ver uma coisa bom, bom ou mal, mal. É uma trama de reviravoltas, uma descoberta ao ler o capítulo, você lê e é uma reviravolta.



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