Laryssa Ayres: “Quero essa disciplina da Diana pra minha vida”

Lutadora na trama das 9, ela lembra educação machista, mas diz ter tido apoio na carreira


  • 26 de dezembro de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

Já nas primeiras cenas como a carateca Diana, da trama das 9, O Sétimo Guardião, Laryssa Ayres surpreendeu o público com uma atuação densa e verossímel. A jovem atriz de 21 anos já havia se destacado em duas temporadas de Malhação. “A repercussão tem sido muito bacana, e é uma responsabilidade grande nas costas”, conta a carioca.

Na história, Diana vê o pai machista, Nicolau (Marcelo Serrado), proibí-la de correr atrás do seu sonho de ser lutadora. “É mais um exemplo das mulheres sendo submissas aos desejos dos homens”, diz. Laryssa lembra que, apesar de ter tido uma criação conservadora, machista, teve o apoio dos pais quando decidiu seguir a carreira artística. “A gente não pode desistir de um sonho porque não é o que o nosso pai ou nossa mãe esperava”, fala.

Na entrevista, Laryssa comenta o que mais tem aprendido desde que passou a treinar karatê e conta ainda que Diana logo vai encontrar um amor.

Diana (Laryssa Ayres). Foto: Reprodução Instagram

Como está sendo a repercussão da personagem desde a estreia?

É um tema muito antigo, que ainda perdura no dia de hoje, e eu tenho recebido muitas mensagens de meninas e meninos, que ainda passam pelo mesmo tipo de situação que a Diana. E mães de família também me mandam mensagens.

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Será que a Diana terá que desistir desse sonho por causa do pai? 

O pai é super contra a Diana lutar karatê. Ele acha que as filhas dele devem casar, ter filhos e cuidar da casa. Ele acha que karatê é 'esporte de macho', como diz. E aí eles tiveram todo esse embate, essa confusão na família. E ela acabou abaixando a cabeça porque queria ver o pai feliz, não queria causar nenhum desconforto dentro de casa. É mais um exemplo das mulheres sendo submissas aos desejos dos homens. Mas o tempo vai passando, e a Afrodite (Carolina Dieckmann), a mãe dela, vai ganhando força junto com a filha, incentivando-a. A Diana vai olhando para isso com outro ponto de vista, ela para e pensa que se não tomar uma atitude vai ser sempre assim. Então ela vai fazer valer, e não vai desistir do sonho.

É aí que ela assina um contrato que deve mudar a vida da família? 

Tem um contrato aí que espera a Diana que vai ajudar muito nos estudos dela, porque tem dinheiro envolvido, tem patrocínio. E a gente fica na expectativa para que o seu Nicolau assine. Tudo para que ela consiga ter um bom futuro nos estudos e no esporte.

Foto: Divulgação

Você acha que o Nicolau tem possibilidade de mudar, de ser uma pessoa mais cabeça aberta e menos machista no decorrer da trama? 

Eu acho que todas as pessoas estão aptas a mudar. Mas elas têm que estar abertas a mudar o ponto de vista, principalmente. Então com a casa toda nesse reboliço, a Afrodite se posicionando, a Diana e e Bebeto também, ele vai ver que não tem mais aquela força toda dentro de casa, que as coisas estão mudando. Ele vai ver o que pode acertar com a família para que tudo volte ao normal. Eu acho que ele vai ceder e melhorar como homem e aí se tornar uma pessoa mais admirável.

Mesmo com toda essa confusão, vai sobrar espaço para a Diana se apaixonar por alguém? 

Vai. E o pior é que a irmã dela, a Rivalda (Giulia Gayoso), que tem muito ciúme da Diana por causa do karatê e por querer mais atenção da família, vai se apaixonar pela mesma pessoa. E a Diana, daquele jeitinho manso dela, vai dar para trás, falando que a irmã pode ficar com o menino. Mas a paixão vai ser tão avassaladora que eu acho que a Diana vai ganhar essa disputa aí.

Bebeto (Eduardo Speroni), Diana (Laryssa Ayres), Afrodite (Carolina Dieckmann) e Rivalda (Giulia Gayoso).

Foto: Globo/João Cotta

Como seria se seu pai te pedisse para deixar de fazer algo que você tanto ama?

Na minha família, quando disse que queria ser atriz, não tive nenhum embate. Meu pai sempre se mostrou muito preocupado, e a minha mãe sempre me apoiou bastante. Eu nunca tive essa dificuldade de enfrentar ninguém em casa, sempre tive apoio. E agradeço muito a eles, porque do contrário talvez eu tivesse desistido como a Diana. Mas se eu tivesse essa relação com o meu pai, acho que iria entender o porquê, do ponto de vista dele, iríamos conversar. Mas mais para a frente seria mais determinada e continuaria lutando pelos sonhos. A gente não pode desistir de um sonho porque não é o que o nosso pai ou nossa mãe esperava, a gente tem uma vida independente da vontade dos nossos pais. Então eu enfrentaria sim.

Você se considera feminista?

Hoje eu tenho 21 anos, mas mais ou menos com 18 eu fui saber o que era o feminismo. Ele já existe desde os anos 50, mas de uns três anos para cá que começou a se falar mais. Aí conseguimos ter noção do que é de fato. A minha educação foi completamente conservadora, tradicional e machista. Pela minha mãe, pai, avós, tios. Um exemplo fácil, se você nasce menina, tem que usar a cor rosa, se é menino, o azul... Não existe isso, pode ser qualquer cor. Então conforme fui crescendo e isso veio à tona na minha vida, comecei a falar, espera aí, deixa eu me desconstruir, saber quem sou, como posso lidar com isso. E daí fui me modificando, mostrando pra minha mãe o outro ponto de vista. Ela mudou várias coisas nela também, hoje é uma mulher mais mente aberta. Meu pai também não é mais aquele cara rigoroso, ele não precisa aceitar, entender tudo, mas só de tentar modificar o ponto de vista dele, respeitar, já é muito.

Foto: Divulgação

Nas redes sociais comentam que você se parece muito com a Carolina Dieckmann, que faz a sua mãe na trama. O que acha disso?

Eu fico muito lisonjeada. Eu assisto a Carolina desde nova, sempre achei ela uma deusa da televisão, mas logicamente que vai muito além da beleza, é linda de alma, maravilhosa. Somos amigas hoje e ler isso que a gente de fato se parece, é muito legal. Porque você vê que é um trabalho que está sendo construído, que está se encaixando, que remete às pessoas acharem além da semelhança física que a gente realmente está ficando parecida.

A princípio sua personagem seria uma skatista, depois mudou para o karatê. Como foi essa mudança para você?

Eu já estava há três meses treinando skate, que é algo que eu já tenho uma certa familiaridade, comecei a praticar aos 15 anos, nada profissional. Assim como o surf na minha vida, é um hobbie. Estava já pegando as manhas. E aí um dia os diretores falaram: ‘Nós alteramos o esporte da personagem’. Eu dei uma tremida. Mas eu adoro desafios, a gente treinou bastante e eu fiquei bem satisfeita com o resultado. Continuo treinando duas horas por dia, de segunda a sexta.

Sentiu alguma modificação no corpo desde que começou a praticar o esporte?

Sim, o karatê te dá mais força. Eu me senti muito mais preparada. A minha postura mudou, me sinto mais forte. Acho que ajudou muito, principalmente a tonificação muscular. O karatê é um esporte muito aeróbico, acho que nesses dois meses que eu venho treinando eu já perdi uns dois quilos.

Treino da atriz. Foto: Reprodução Instagram

Você faz algum esporte?

Eu sou apaixonada por esporte, cada ano eu aprendo alguma coisa diferente. Desde os 9 anos eu surfo, nada profissional, é um hobby também, uma terapia. Inclusive meu presente de 15 anos foi uma viagem a Ubatuba pra surfar com minhas amigas, foi incrível. Eu também ando de skate, de patins, jogo vôlei, handebol... Tenho vontade de aprender tênis, então eu gosto muito de expandir pra todos os esportes.

O que você mais tem aprendido com a Diana?

A Diana tem uma coisa que até mesmo o Karatê leva a pessoa a ser assim, a disciplina, de ser muito correta com horário, a postura, o que fala, como respeita as pessoas, o modo de agir. Então eu acho essa disciplina dela tão bonita, esse posicionamento dela, que eu tento trazer pra minha vida uma coisa assim, mais correta. Acho a personagem muito madura para a idade que ela tem.



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