Kelzy Ecard, nada de submissão como a Nice:“Sempre trabalhei”

Atriz premiada, com 25 anos de teatro, faz a sua estreia na TV em Segundo Sol


  • 26 de junho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

No ano em que completa 25 anos de uma carreira sólida e premiada nos palcos, Kelzy Ecard, de 52 anos, faz a sua estreia na TV como a Nice, de Segundo Sol. “Acho que não houve talvez um investimento pessoal meu, fui fazendo teatro sem parar”, conta ela, em turnê até pouco tempo com o elogiado espetáculo Tom na Fazenda, pelo qual ganhou o Prêmio Botequim Cultural de Teatro, em 2017, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante.

Num núcleo poderoso da trama das 9, com Roberto Bonfim, o machista Agenor, de marido, Nanda Costa, a Maura, e Letícia Colin, a Rosa, como filhas, Kelzy já diz se sentir em casa. Sobre a personagem, afirma que, além de ser uma mãe amorosa como ela, não tem mais nenhuma semelhança. “Trabalhei a vida toda. Sempre fui espevitada, como diz minha mãe”, diverte-se a atriz, reconhecida por montagens como Fauna, Como Deixar de Ser, Incêndios, Desalinho, Rasga Coração e Breu, entre outros.

E se ela já vem mostrando na TV todo o primoroso talento que só se via nos palcos, preparem-se que vem grandes emoções em sua família da ficção: Nice e Agenor vão descobrir a relação homossexual de Maura e a profissão de Rosa, garota de programa. Mas e a submissão de Nice ao marido? “Em alguma momento, ela vai ter uma virada importante na história”, torce ela. 

Nice (Kelzy Ecard). Foto: Globo/João Cotta

O que tem mais instigado você nesse papel?

Na verdade, tudo! O convite foi de uma alegria louca porque o Dennis Carvalho me viu, eu estava fazendo uma peça de teatro, e ele me convidou para fazer a novela. Eu ganhei de presente a melhor família do mundo, o Roberto Bonfim, a Nanda Costa e a Letícia Colin. A personagem começa de uma maneira muito submissa e com uma problemática grande familiar. Em algum momento, ela vai ter uma virada grande na história. E isso para uma atriz, é um paraíso. Eu ainda estou descobrindo, aos poucos, porque também é outra descoberta a novela, né? Você vai tateando, você tem uma sinopse, uma orientação, mas tudo é muito fresco.

A personagem é do tipo mãezona. Mas as filhas escondem muita coisa dela também, né?

Nice é uma mãe extremamente amorosa, daquelas que cuida, que protege, que faz comidinha gostosa, e que talvez não conheça a intimidade dessas meninas por uma questão de diferença de pensamento de vida. Vamos ver como ela vai reagir quando ficar sabendo.

Você está estreando na TV, mas no teatro já é uma veterana, né?

Eu faço 25 anos de teatro esse ano. Eu já fiz participação na TV, acabei de rodar um filme (Maria Caritó), mas eu fiquei muito tempo fazendo teatro, trabalhando sem parar. Os últimos 10 anos eu estou em cartaz, sem finais de semana.

Com sua família de Segundo Sol: Letícia Colin, Roberto Bonfim e Nanda Costa. Foto: Reprodução Instagram

Você acha, então, que um grande papel como a Nice na TV, demorou muito ou veio na hora certa?

Eu acho que chegou no momento certo. Talvez se fosse há dois ou três anos atrás, eu não tivesse a maturidade que eu tenho hoje para uma estrutura industrial. Lógico que tem cuidado, carinho, a equipe é fantástica, o Dennis é uma coisa de outro mundo de maravilhoso, mas é outra coisa, outra realidade.

Qual a principal diferença que você sentiu?

Primeiro que no teatro você tem um processo longo de ensaio para a construção de um personagem. A gente teve preparação e tudo, mas a gente não tem o roteiro completo, então, a gente vai construindo aos poucos, isso para mim é uma diferença. No teatro você já sabe início, meio e fim, tudo que vai acontecer e você vai construindo, negando que você sabe. Na televisão, você vai construindo com as descobertas, você faz uma vez, duas vezes, e aquilo foi para o mundo.

Você teve alguma dificuldade inicial?

Não, nada. Eu me senti totalmente em casa, de verdade. Foi uma sintonia muito grande entre nós da família. Antes de entrar no estúdio, a gente já tinha se encontrado umas quatro ou cinco vezes fora, para passar texto, para conversar sobre as relações. Então, eu não fiquei nem nervosa, me senti em casa, parecia que eu tinha feito isso a vida inteira.

Com Armando Babaioff na peça Tom na Fazenda, pela qual foi premiada. Foto: Reprodução Instagram

A Nice é uma mãe parecida com o que você é na vida real?

Não, porque ela vive para o marido, para os filhos e para o lar. E eu trabalho que nem uma louca. Mas em termos de amor e dedicação, sim.

Mas você acha que ainda existem muitas “Nices” por aí?

Existem, acho que sim. Cada vez menos, mas existem. Acho que é geracional, eu conheço mulheres da minha geração que de alguma maneira vivem isso. Eu tenho uma amiga de infância que eu encontrei uma vez, daquelas que percebi medinho do marido, que o marido é o dominador.

E a questão da segunda chance, você já teve isso na sua vida?

Sim. Eu sou um exemplo, sou arquiteta de primeira formação e, aos 25 anos, eu coloquei meus pés numa escola de teatro e virei minha vida inteira. Eu me formei na escola de teatro aos 28 anos, porque meu desejo inicial era realmente ser atriz. Na verdade, era tudo meio nublado, porque eu já tinha uma outra profissão. Inclusive, há alguns anos atrás eu fiz cenário na Globo, cheguei a fazer algumas produções como cenógrafa assistente, isso foi muito importante para mim também. E eu volto lá agora, vejo as coisas...



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