Julio Andrade: “Me sinto outra pessoa depois desse projeto”

Protagonista de Sob Pressão diz que vê jovens cursando medicina pelo do Evandro


  • 25 de julho de 2019
Foto: Globo/Raquel Cunha


 

Para todo o ator, ver o seu personagem transformando vidas, é algo gratificante. Que o diga Julio Andrade, intérprete de Evandro, de Sob Pressão, o médico mais querido atualmente da ficção pelos brasileiros. “Várias pessoas chegam para falar comigo, ah, eu estou estudando medicina por causa do doutor Evandro. Muitos jovens estão olhando para essa profissão como incrível, e ela é”, afirma Julio.

Gaúcho, de 42 anos, Julio já tem uma carreira sólida, principalmente no cinema com mais de 35 trabalhos. Mas na TV não há dúvidas de que o cirurgião Evandro marcará para sempre sua trajetória nas artes. Afinal, o ator faz magistralmente o papel, dosando potência e afetividade. “Me sinto outra pessoa depois desse projeto”, conta Julio, pai de Antônia, de 15 anos, de relação anterior, e de Joaquim, de 4 anos, do atual casamento com Elen.  

Nesta quinta-feira, 25, irá ao ar o último episódio da terceira temporada, que promete ser eletrizante. A torcida é que a série não termine por aqui, como andaram falando. E pelo o que a Globo teria anunciado recentemente, a quarta temporada está confirmada. Amém!

Evandro (Julio Andrade). Foto: Globo/Raquel Cunha

O Evandro marca a sua carreira de que forma? Eu cresci muito como ator, essa visão da profissão. Antes eu levava muito os personagens para a casa, e eu acho que com o amadurecimento e de fazer muito, me deu mais tranquilidade. Porque o tema é muito difícil, as cenas são muito difíceis, então se você se contamina com isso, é perigoso. Isso realmente acontece na nossa profissão, a gente se envolve demais. E eu acho que e aprendi a não me envolver tanto e consegui uma qualidade que eu acho bacana. E é um trabalho que eu tenho grande orgulho de fazer, porque tem várias questões dentro dele. A princípio são questões bastante necessárias para o momento em que a gente vive.

 

O que você vai levar disso para a sua vida? Saio mais maduro como ator e como pessoa também. Não sei, tanta coisa... Realmente eu me sinto outra pessoa depois desse projeto, e foi bem na época em que eu fui pai. Médicos inspiram, a saúde como um todo, então, dá muito orgulho fazer parte disso.

O Evandro e a Carolina nesta temporada reergueram a emergência de um hospital que estava fechada. Como é mostrar isso num momento em que vemos a saúde numa fase bem complicada? A princípio eu acho que é uma realidade dura e cruel você ver hospitais fechando. É uma realidade infelizmente, e a gente retratou isso nessa temporada. O Sob Pressão é um trabalho que ao mesmo tempo que me dá orgulho, me dá uma tristeza. É dúbio esse sentimento que eu tenho de retratar uma realidade que infelizmente faz parte do nosso cotidiano, mas por outro lado alguém tem que fazer isso. E que bom que eu como artista posso contribuir para que as pessoas tenham acesso ao que realmente acontece.

Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Julio Andrade). Foto: Globo/Raquel Cunha

E a troca com a Marjorie Estiano (doutora Carolina)? A Marjorie é uma grande parceira. Eu aprendi muito com ela. E ainda quero trabalhar com ela fazendo outros personagens também. Jogando para o universo...

Você dirigiu dois episódios. Como foi isso? Foi uma surpresa! Eu sou muito rato do cinema. Eu moro em São Paulo, mas quando estou no Rio para gravar e não tenho nada para fazer, fico no set, porque gosto, amo o que faço. E aí o Andrucha Waddington entendeu isso e me deu esse presente, porque eu gosto de todos os setores do cinema, e aí teve um dia que eu não tinha nada para fazer e fiquei na equipe de câmera. Fiquei ali como se fosse um fotógrafo, e ele achou interessante. Me ligou e disse, você vai dirigir dois episódios. E isso me deu um gás também, foi uma experiência maravilhosa. Teve um episódio em que eu dirigi com ele (Andrucha), o décimo. Era ele fora da cena e eu dentro da cena, eu cuidava dos atores e de toda a movimentação. Esse episódio, de plano sequência, foi um desafio para toda a equipe. Dirigir era um desejo que eu acho que tinha desde que nasci. Meu pai alugava câmera para as festas e eu pegava e começava a filmar. Eu tenho imagens da minha família toda de muito tempo atrás. Mas também nunca forcei a barra. Eu pretendo dirigir, estudar para poder aprimorar essa outra faceta, fazer direção na Argentina, onde é feito um dos melhores cinemas atualmente.

 

Como você avalia o Evandro nesta terceira temporada, conflitos com a Carolina, o desejo de ser pai, o envolvimento com uma outra mulher...? Essa coisa do Evandro, quando ele perde a mulher na primeira temporada é como se ele perdesse o eixo, o rumo da vida. Depois teve a segunda temporada, esse encontro com a Carolina e levantou essa vontade de querer viver, querer se curar e querer ser importante para alguém. E com isso esse desejo de ter uma família, ele é um cara que apesar de ser um pouco carrancudo e bravo, ele é extremamente humano. Isso é uma característica que eu ascendi muito nessas temporadas, eu queria um médico humano. Porque a gente está perdendo um pouco esses médicos por conta dessa coisa da tecnologia. O médico não tem mais aquela coisa do toque, de querer saber e de se preocupar com o outro, cada vez menos. Com o Evandro eu cuidei muito para que isso pudesse ficar sempre presente, essa humanidade. Eu acho que com isso vem o desejo de ter uma família, um filho, um porto seguro.

E como está sendo essa possível despedida do personagem ou veremos uma quarta temporada? A gente fez um trabalho lindo, se realmente for a última temporada estamos fechando com chave de ouro. Mas a gente não sabe, vamos ver o que acontece. 

 

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