Joana de Verona é a feminista Adelaide, em Éramos Seis: “Chega como um furacão na família”

Estrela em Portugal, atriz avalia como a "hora certa" para estrear em novelas no Brasil 


  • 29 de novembro de 2019
Foto: Daniel Pinheiro


Por Luciana Marques

*Veja a entrevista completa no vídeo, abaixo.

Filha de portugueses, nascida em São Luís do Maranhão, Joana de Verona foi criada entre Brasil e Portugal. Com a alma sempre em movimento, apesar de sua base ser Lisboa, ela admite “morar onde está o trabalho”. Do primeiro time de estrelas da TV em Portugal – de 2017 ao início deste ano protagonizou Ouro Verde, A Família Ventura e Valor da Vida -, ela faz agora a sua estreia em novelas no Brasil, em Éramos Seis. “Acho que não estou chegando tarde, mas no tempo certo”, avalia a atriz, que atuou antes aqui na minissérie Presença de Anita, em 2001, e em filmes.

E a sua personagem entra na trama nesta sexta-feira, 29 de novembro, como um verdadeiro “tsunami” no clã de Emília (Susana Vieira). Ela dará vida à jovem feminista Adelaide, filha mais nova da empresária. Ainda criança, ela foi mandada pela mãe para a Europa para não “pegar” a doença da irmã, Justina (Julia Stockler). “A Adelaide é muito à frente do seu tempo. E ela chega como um vento louco de furacão na vida das pessoas da família”, conta a atriz, que também pode ser vista no Brasil em Ouro Verde, como a protagonista Bia, exibida pela Band.

No bate-papo com o Portal ArteBlitz, Joana cita ainda algumas identificações com a personagem, como a energia e a vivacidade, além de estar sempre se movimentando nas viagens pelo mundo. Bem-humorada, brinca também que traz da vida da Europa um pouco de melancolia. E do Brasil, tem o samba no pé e a positividade. “Tento sempre ver o lado bom da vida”, afirma ela, que está no elenco da minissérie Santos Dumont, da HBO, e no longa Tinnitus, com estreia em 2020.

Como é a Adelaide? Ela é muito à frente de tudo, como se tivesse 20 anos avançada no tempo. É uma personagem contemporânea da Marlene Dietrich, provavelmente deve ter ido a uma festa em Paris, isso no meu universo imaginário (risos), com a Coco Chanel. Ela é bem à frente, desde ideias modernas, o tipo de literatura, a forma como se veste, se maquia,  comportamento. Ela viaja sozinha de navio, dirige automóvel, pilota avião. Ela lê mulheres feministas, está atenta a constituição brasileira, a luta das mulheres pelo direito ao voto... Ela vem com uma energia contagiante e muito segura de si. Então é uma delícia fazer esse personagem.

Adelaide (Joana de Verona). Foto: Globo/Victor Pollak

E como ela chega na vida da Emília e da Justina? Ela veio mudar o espaço realmente, as personagens serão alteradas por ela. E ela é muito rápida, o raciocínio, tudo é muito confuso para os outros. Então ela bagunça bastante. E essa mãe se sente, por um lado com saudades, mas com uma grande dificuldade de se aproximar da filha, porque ela está tão diferente. Mas elas tentam, a Adelaide tenta resgatar a mãe.

E como vai ser a relação com a Justina? A relação das irmãs é linda, terna e importante para ambas. A Justina vai encontrar uma irmã que voa, pilota avião, quando ela tem uma grande admiração pelo céu, em ser um pássaro. E é um vínculo afetivo, uma pessoa que não olha de forma diferente para a Justina, que não tenta esconder ela, abafar um problema. A Adelaide lida com esse autismo de uma maneira normal. Ela é a primeira a falar com a mãe, vamos procurar outro médico e entender que doença é essa e vamos trabalhar para que ela melhore. Mas sobretudo para que a Justina se sinta integrada, não  diferente.

Você tem várias novelas de sucesso em Portugal. E só agora estreia no Brasil, acha que demorou? Eu acredito que não demorou muito tempo para eu estrear numa novela no Brasil, eu acho que está no tempo certo. Anteriormente aconteceram outros contatos para projetos aqui, na Globo, em novela, mas não foram possíveis na época, porque eu já estava com outro projeto, e as datas nunca encaixavam. Agora tudo encaixou certinho, inclusive de eu poder ficar aqui seis meses direto.

Foto: Daniel Pinheiro

Ouro Verde está sendo exibida atualmente no Brasil. Qual a importância para você de ter vivido a protagonista Bia? É uma novela que fez muito sucesso em Portugal. A gente gravou em 2017 e eu recebo muitas mensagens de portugueses, de brasileiros, de franceses... Porque depois de ter ganho o Emmy, ela foi vendida para 60 países. Aqui as pessoas me param nas ruas. Eu filmei com a Zezé Motta, que guardo para sempre no meu coração. E a personagem também bebe do Brasil e de Portugal, ela tem a mãe, que quem faz é a Silvia Pfeifer, mas tem um núcleo português. Mas a gente filmou no Rio, em Manaus, tive a oportunidade incrível de nadar com os botos, de descer o Rio Negro, a Bia é ativista, ecologista. Um personagem muito legal, e o público aqui é muito carinhoso.

Você também rodou o longa Tinnitus, do Gregório Graziosi. Como foi participar desse trabalho? Eu faço uma personagem maravilhosa, a Marina. Ela é uma protagonista forte e o roteiro é muito bom. Ela é uma atleta de alta competição, da seleção brasileira de salto ornamental. Mas acaba desenvolvendo um problema no ouvido, que é o tinnitus. E por conta disso, ela para com os saltos e vira sereia de aquário. Então eu filmei no Guarujá com tubarões, água fria, fazendo curso de apneia, foi um filme bem diferente.

Tem ainda a minissérie Santos Dumont. Fale desse trabalho também... Ela passa em 70 países, tem a direção maravilhosa do Estevão Ciavatta e do Fernando Acquaroni. Eu faço a Almerinda, que está na série entre 1898 até 1914. E ela é do proletariado, pobre, trabalhadora. E puxa para a razão o marido, que é o melhor amigo do Santos Dumont. Ela diz para ele não embarcar nas loucuras do amigo, que é um burguês rico, e que tem tempo e dinheiro para ficar com devaneios.

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