Heslaine Vieira em novo papel marcante: Ela será uma princesa em Nos Tempos do Imperador

Atriz fala ainda da Ellen, de Malhação, e da importância da representatividade


  • 21 de abril de 2020
Foto: Edu Rodrigues


Aos 24 anos, a mineira Heslaine Vieira dá um novo e importante passo na sua caminhada nas artes. Além de rever atualmente a sua estreia como protagonista na TV, na pele da Ellen, de Malhação: Viva a Diferença, ela prepara-se para fazer história no novo trabalho. Em Nos Tempos do Imperador, próxima trama das 6, sem data ainda de estreia, ela dará vida à princesa Zayla. “Que eu tenha referência, é a primeira princesa negra em novelas. Olhas a responsa!”, diz ela, que participou de uma live em nosso Instragram nesta segunda-feira, dia 19.

No descontraído bate-papo, a atriz falou ainda de como tem passado a quarentena. “Tenho lido e estudado muito os capítulos da novela. Comecei os estudos de forma mais profunda, consultando historiadores para saber mais sobre a época. E estou me dedicando a aprender línguas também”, conta. Para a atriz, que precisou adiar a sua mudança, já que irá mudar sozinha pela primeira vez, o momento é de transformação. “Acho que a gente voltou a ver o valor da vida humana mais forte, mais presente do que o valor das coisas”, avalia.

Morar sozinha“Sou de Minas, mas moro no Rio há uns 10 anos. Estou morando ainda com os pais. Mas vou me mudar e morar sozinha, só tem que esperar agora passar um pouco esse momento. É um novo passo na carreira, com essa nova personagem que vem aí, a Zayla, mais madura, então eu sinto que eu estou amadurecendo e decidi que eu queria me mudar, já tava na hora.

Como é rever a Ellen na reprise de Malhação quase três anos depois?  “A gente deixou de ser adolescente, então, a gente deixou de ter o mesmo tipo de visão sobre as coisas. Às vezes, eu olho com mais autocrítica, acho que essa construção a gente tem que fazer mesmo para nos tornarmos atores melhores. Mas eu gosto muito porque eu me sinto representada pela Ellen. Agora eu consigo entender as fãs que me mandam mensagens, esse cabelo que pra mim na época foi novo, toda essa estrutura que ela carrega, toda essa história, essa representatividade. Mas dá um friozinho na barriga até hoje. Está sendo diferente! Mas realmente a Ellen foi um ponto de virada na minha carreira, eu que vinha do cinema e do teatro. Tive um momento de expansão do público, fiquei feliz, porque o pessoal é muito caloroso, muito presente.”

Ellen (Heslaine Vieira). Foto: Globo/Tata Barreto

Seu próximo papel é a Zayla. Dizem que ela é vilã... “Dizem... O Samuel (Michel Gomes) é um homem preto e na naquela época ela viu um casal ali. Os meus pais na novela são os líderes da Pequena África, eles vivem um amor negro. Então, ela olha para o Samuel e diz, é o amor preto, é o afeto que eu conheço. Eu acho que fala um pouco de black couple mesmo. E a Gabi (Gabriela Medvedovski) entra aí com a personagem dela, a Pilar, e umas coisas vão acontecer (risos). Eu posso dizer que essa menina vai mexer com a nossa cabeça. A Zayla luta pelo o que acredita. Não é isso que nós mulheres queremos fazer? Claro que talvez ultrapassando alguns limites porque é um folhetim.

Luta contra o racismo e o preconceito Eu tenho um ponto de vista, eu tenho estudado muito, estou lendo Um Defeito de Cor, que tem 900 páginas. E eu acho que como o Martin Luther King, eu tenho esse tipo de política, eu acho que a gente atinge as pessoas pelo afeto, pelo carinho e pelo diálogo. Acho que é mais fácil a gente construir um mundo com equidade. É difícil eu chegar pra você impondo a minha opinião ou tentando te mostrar um caminho que você nunca viu. Quando a gente abre a discussão como o Lázaro (Ramos) tem feito muito, e ele é um grande exemplo pra mim, eu acho que as pessoas tendem a ouvir. E a gente não faz nada sozinho. Claro tem essas questões de infância, até hoje falam pra gente, você é atriz, está ocupando outros espaços sociais agora... Tudo continua e está presente em todas as camadas da sociedade. Assim como o machismo.

Chapeuzinho vermelho na escola de teatro e agora princesa em Nos Tempos do Imperador Eu era criança e vi que tinha teste para fazer a Chapeuzinho na escola de teatro. E eu perguntei por que eu não podia fazer. Ah, não é o seu perfil, a história é da Chapeuzinho Vermelho... Eu falei, gente, isso que eu criança, mas na minha história de Chapeuzinho Vermelho, eu também sou da minha cor. Então eu também quero fazer teste. Discutiram bastante e depois me deixaram fazer. E não é que eu passei na audição. E depois quando eu olhei na plateia, vi um monte de menina igual a mim. E agora eu vou fazer essa princesa. E que eu me lembre, que eu tenho de referência, é a primeira princesa negra em novelas. Numa outra novela (Cordel Encantado), a Lucy Ramos se casa com o Rei, mas a Zayla é princesa, o pai é o Rei e a mãe é a líder religiosa da Pequena África. Olha a responsa!

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