Guilherme Leicam: “Talvez ele conquiste Agno pelo bom coração”

Ator torce por romance gay de Leandro com o empresário em A Dona do Pedaço


  • 22 de agosto de 2019
Foto: Globo/Estevam Avellar


Por Luciana Marques

Com 10 anos de Globo e 29 anos recém-completados, Guilherme Leicam vive, segundo o próprio, um dos melhores momentos da carreira ao interpretar o matador Leandro/Mão Santa, de A Dona do Pedaço. O bronco e rude jovem do interior se descobre encantado por Agno (Malvino Salvador). “Como ator seria uma experiência fantástica viver essa relação homossexual na trama”, afirma.

Sem poder dar spoiller, o que a gente sabe é que no capítulo que irá ao ar nesta sexta, 23 de agosto, o jovem é convidado por Agno para jantar, após o empresário ter o convite negado por Rock (Cao Castro). Leandro mora de favor no apartamento do ricaço. “Talvez ele o conquiste pelo bom coração”, aposta Guilherme. Mas como será  para um jovem, machista, do interior, se ver apaixonado por um homem? “Amor a gente não escolhe”, fala Guilherme.

Leandro (Guilherme Leicam). Foto: Globo/João Miguel Junior

Como está sendo viver o Mão Santa? Eu estou muito feliz pela forma que o Walcyr (Carrasco – autor) escreveu esse personagem. Estou há 10 anos na casa, é um presente para mim. Estudei muito, me dediquei, tenho feito com muito carinho. E espero que esteja ficando do jeito que o Walcyr esperava, porque a cena vem escrita de uma forma e a gente tem 20 formas para fazer ela acontecer. Então eu acho que eu busquei fazer algo singular, diferente.

Como se preparou para viver esse justiceiro, que anda sempre armado? Andar armado atualmente já é uma grande discussão no nosso país... A gente sabe a responsabilidade que tem. Eu já atirava tiro ao alvo, tenho aquelas airsoft, então eu faço treino. O lance de ele ser Mão Santa é porque ele não erra o tiro. Ele é o mais habilidoso da família, mas é o mais novo, por isso mandaram primeiro o Chiclete (Sérgio Guizé). E ele é um cara que se sente preparado pra tudo. E não é um psicopata, doente, porque se mata, a gente já pensa que é, mas não. É porque ele foi criado dessa forma. E chegando em São Paulo tudo muda, ele vê que tudo é diferente de onde ele vem. Eu li uns livros sobre psicopatas também. Todo o ator quer que gostem do seu personagem, mas como eu vou fazer para gostarem de um cara que mata? Tentei encontrar motivo nele, frustração... Por que ele faz isso?

Ele vai se envolver com o Agno, né? A gente ouve falar isso... O Mão Santa não tem nenhum tipo de relacionamento com ninguém até então. Ele chega nesse ambiente do Agno, do Rock (Caio Castro), ele queria mudar de vida. Ele perdeu os pais cedo, foi criado por uma família de justiceiros, mas não se sente um cara com aquele destino de continuar um matador. Ele tem cenas lindas com a Marlene (Suely Franco), o doutor Antero (Ary Fontoura), onde ele pedia uma chance para mudar de vida. Todos merecem uma chance. Eu torço para que o Agno tenha a chance de ser feliz, não sei se vai ser com o Leandro...

Como ator, você gostaria de viver esse romance homossexual na novela? Como ator seria uma experiência fantástica, sou ator de composição, gosto de desafios. Me sinto pronto pra qualquer desafio que venha. Eu também quero história, quero que as coisas aconteçam pra ele. Eu acho sinceramente que o Mão Santa merece um amor, todo o mundo nessa novela fica com alguém ou sofre por alguém. Nesse momento ele está sozinho no mundo. E agora ele precisa encontrar o lugar dele.

Abdias (Felipe Titto) treina com Leandro (Guilherme Leicam), observado por Agno (Malvino Salvador). Foto: Globo/Victor Pollak

O Leandro é rude, do interior, machão. O que você acha que ele vai ver no Agno? Teve uma cena uns dias atrás do Mão Santa com o Agno de gratidão. Ele chega sem dinheiro para nada, e ele o ajuda... E eu, como o Leandro, fiz a cena olhando para o Agno com gratidão. Ele disse: ‘Você fez por mim o que ninguém tem feito. Eu tô jogado no mundo...’. Mas eu não senti nenhum tipo de mole dele. Até porque a gente tá vendo que o Agno está dando em cima sem parar ainda do Rock até dar certo. E o Rock não dá mole de jeito algum.

Você sente que será algo dele genuíno, não de interesse? Ele veio com aquela bronca de ser matador... Não sei se ele teve alguma relação no interior com alguém. Conversei até com algumas pessoas do interior, de lugares que não tem nada em volta... Então eu fiquei pensando como ele irá reagir, ele não é um cara que dá mole para as pessoas. Ele é na dele. Talvez ele conquiste pelo bom coração.

Acredita que em algum momento será uma questão para ele se ver apaixonado por um homem? Amor é amor, a gente não escolhe quem a gente ama. E eu acho que a vida dele já foi tão triste que se tiver um pouquinho de amor, ele vai por esse caminho. É isso que ele está buscando, ser feliz. Ele não quer mais matar gente, ser jogador pra fora de casa, como aconteceu quando criança, como o Adão (César Ferrario) fez.  Ele está sem lugar no mundo, e se ele tiver lugar no coração de quem quer que seja, eu acho que ele será muito feliz.

Há alguma identificação sua com Mão Santa? Engraçado... Eu não fui tocado de casa. Mas eu sou bem parecido com ele, saí do interior, vim para a cidade grande, corri atrás da minha carreira, da minha vida, longe de todo o mundo que eu amava. É muito difícil você se encontrar no mundo. E tem umas frases que ele fala: ‘Às vezes eu sinto que não tenho lugar nenhum’. E as pessoas são assim. Eu li um livro sobre inteligência emocional e as pessoas estão cada vez mais projetando a sua felicidade nos outros. Então eu torço, primeiro para que o Mão Santa seja feliz, para que ele possa fazer alguém feliz. É impossível você ser feliz com outra pessoa só depositando suas carências nela.

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