Grazi Massafera diz que o castigo de Lívia será ficar sem o filho

Atriz reverencia Marieta Severo, e dá palpite sobre fim de Sophia: “Morrer, sofrendo”


  • 24 de abril de 2018
Foto: Globo/César Alves


Por Luciana Marques

Grazi Massafera chega à reta final de mais um trabalho no horário nobre – antes, ela fez a Luciene de A Lei do Amor – , com o sentimento de dever cumprido. Se o público achava que Lívia viraria uma grande vilã de O Outro Lado do Paraíso, a atriz diz que já imaginava que esse não era o caminho. “Via um desvio de caráter e carência de afeto. Mas quando chegou a criança (Tomaz), foi constatado o que já imaginava. Aí fui lidando com a humanidade”, explica.

Para Grazi, o castigo de Lívia por ter participado da armação de Sophia (Marieta Severo) para afastar Clara (Bianca Bin) 10 anos do filho, Tomaz (Vitor Figueiredo), é ficar sem o garoto. Mas deixando de lado a ficção, a atriz agradece mais uma vez a possibilidade de contracenar com Marieta. “Ela é muito especial para mim”, admite. E não deixa de dar seu palpite para o final da grande vilã Sophia: “Morrer aos poucos, sofrendo”, diverte-se Grazi.

Lívia (Grazi Massafera). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como está sendo para você essa reta final da novela?

Ah, estou cansada (risos). Emendei essa novela, mas agora está na reta final e nós estamos reunindo todos os atores para finalizar um trabalho que foi muito especial para mim. Porque foi mais uma parceria com o Walcyr (Carrasco) e com surpresas no elenco, como trabalhar com o Sérgio Guizé, que é fantástico, e esse reencontro com a Marieta (Severo). Eu fico triste quando ela não está no estúdio porque é uma pessoa muito especial para mim e com essa proximidade, ficou mais ainda. Mesmo a gente se odiando na trama, na vida real sou apaixonada por ela. Também estou fazendo cena com a Fernanda Montenegro, então só por esse presente eu já tenho que agradecer muito.

A Lívia é obcecada pelo Tomaz (Vitor Figueiredo). O que acha desse comportamento?

Tem gente de tudo o que é jeito. Tem gente louca que mata filho, abandona. Existem muitas loucuras. No caso da Lívia, acho que esse menino a curou, por mais que os meios para conseguir fazer esse amor florescer tenham sido errados. Ela já sofreu muito com aquela mãe e eu acho que nada justifica o que ela fez, mas preciso encontrar um argumento para interpretar. Coloquei muita humanidade na personagem. Acho que ela se transformou a partir dessa criança. O texto mesmo diz isso a todo momento, é real o que ela sente por ele.

Acha que a gravidez vai fazê-la entender melhor que o Tomaz deve ficar com a Clara?

Um filho nunca substitui o outro e quem é mãe sabe disso. Eu só tenho uma filha, mas só de ver a minha mãe em casa, tem meus irmãos, eu sei que isso não existe. A dor é a mesma e essa força é o que guia a Lívia desde o começo da novela. Acho que ela não vai abandonar isso por estar grávida, se ela fizesse isso seria um amor falso e eu acredito que ela ama o Tomaz de verdade. O sofrimento vai ser grande, mas já está tendo um desfecho bem bonitinho entre Clara e Lívia. Só de não ter a vingança… A Lívia criou muito bem o Tomaz e a mãe de sangue enxerga isso. De certa forma, existe até uma gratidão. Dizem que mãe é a que cria.

Foto: Globo/Raquel Cunha
 

Qual o final você daria para a Sophia?

A novela fala da lei do retorno e eu acredito nisso. Na vida, pondero muito os meus atos por acreditar na lei do retorno. Baseado nisso, vocês conseguem imaginar um final para a Sophia que não seja sofrendo? Ela tem que morrer aos poucos, sofrer (risos). Não sei se a Lívia vai ajudar, acho que ela vai precisar da Estela, que foi quem ela sempre maltratou.

Como vai ser esse reencontro da Lívia com o Mariano?

O Juliano (Cazarré) é um grande ator e foi um encontro muito legal. Eu acho que a Lívia vai ter um final bonitinho: grávida, com o Mariano que não morreu, vai até para o caminho da luz (risos). Ela ganhou uma bênção da Mercedes (Fernanda Montenegro), um milagre.

No começo da novela, todo mundo dizia que a Lívia seria uma grande vilã e agora ela está virando mocinha…

Mas ela nunca foi vilã. A grande vilã da novela, desde o começo, foi a Marieta (Severo). Até o próprio Gael, que começou a novela batendo na Clara, não é vilão. Tudo pode acontecer numa obra aberta, é diferente de uma minissérie que já tem início, meio e fim. A novela é feita dia após dia e desde o início eu enxergava um desvio de caráter, personalidade e carência de afeto na Lívia. Quando chegou a criança, foi constatado o que eu já imaginava. Fui lidando com a humanidade.

Lívia (Grazi Massafera), Sophia (Marieta Severo), Estela (Juliana Caldas) e Gael (Sérgio Guizé). Foto: Globo/Raquel Cunha
 

De alguma forma, você se frustrou por não ter se tornado uma grande vilã na novela?

Não! Tudo é exercício para uma atriz, cada coisa que ela passou, essas nuances, tudo é válido. Eu me sinto muito feliz de ter desabrochado enquanto atriz nesse momento que a valorização do ser feminino e das histórias que dão força para as mulheres estão acontecendo. Eu assisti Marieta Severo fazendo coisas, o que foi melhor do que fazer. No momento, talvez eu nem tenha maturidade para isso. Para mim, foi só experiência.


O público, em algum momento, pediu para a Lívia fazer mais maldades?

Os fãs que acompanham meu trabalho, ficam querendo me ver na vilania, indo mais longe. Eu vi que eles infernizaram o Walcyr porque eles queriam isso. É legal e eu acho que em algum momento isso vai chegar para mim. Porém, o grande público já se acostumou comigo sem fazer essas maldades. A minha manicure, por exemplo, está grávida agora e a mãe dela falou para ela não fazer mais a minha unha porque eu roubo o filho dos outros e não devo ser uma boa mãe. Houve várias coisas assim (risos). A novela tem muita audiência, as pessoas comentam na rua. Alguns falam da atuação, que é o que me deixa mais feliz. Tem os que confundem e tem quem ache bacana me ver emendando mais um trabalho.

Você acha que a Lívia terá algum castigo por ter deixado a Clara dez anos no hospício?


O castigo dela é ficar sem o filho, não precisa de mais nada. Ela fez tudo isso por ele e esse é o pior castigo. Quem estava por trás de tudo isso é a Sophia, que manipula os filhos. Qual é o afeto dela com a Lívia? A primeira coisa que ela fez, quando viu que a filha gostava do Mariano, foi descartar ela e ainda matar o cara. Não tem afeto nenhum com a Estela, sempre quis longe. Ela só tem afeto com as esmeraldas.

Foto: Globo/César Alves

 

Você chegou a pensar que a Lívia pudessse ter algo a ver com a sua personagem de Verdades Secretas?

No início, eu tinha medo que elas se parecessem um pouco. A Larissa usava muita droga, mas também tinha uma rejeição da família e uma valorização ao físico. Acho que a Lívia não iria para o caminho das drogas, ela não iria para a autodestruição, ela vai para a supervalorização, que é o que causa a baixa autoestima. Teve a questão dela se envolver com vários parceiros, mas era para chamar atenção e tentar engravidar. Isso logo ficou evidente. A outra ficou na relação com a droga e essa ficou com a relação do filho. Ninguém associou uma a outra.

A sua filha, Sofia, entende que você é famosa,  sabe qual é o seu trabalho?

Ela sabe que a mãe trabalha na TV e por isso é abordada na rua, ela sabe que as pessoas sabem o nome dela, mas ainda é uma criança e não valoriza. Na escolinha, eu sou a mãe da Sophia e isso é muito legal. Tem uma amiguinha dela que assiste a novela e é engraçadíssima. Criança não vê muita maldade.

Mariano (Juliano Cazarré) e Lívia (Grazi Massafera). Foto: Globo/Raquel Cunha
 

Você banca os estudos de vários familiares. Qual a sensação de hoje poder estar fazendo isso por eles?

Eu não fiz faculdade, mas eu penso que muito mais do que dar o peixe, é preciso ensinar a pescar. Eu gosto de provérbios, meu pai sempre gostou e é uma coisa que me motiva (risos). Esse é um provérbio que eu acredito. Tem a fase da confusão, de querer dar tudo. E depois eu pensei que se as pessoas querem ter as coisas, o melhor é estudar. Eu valorizo muito isso, inclusive com a minha filha. Todo dia a gente faz o dever de casa juntas. Eu fui muito boa até a 8ª série. Eu lembro, na minha época, que tinha prova oral e teve uma vez que eu fiz xixi na calça de tanto nervoso. Olha só que ironia do destino, olha com o que eu trabalho hoje. Quando acaba uma novela, eu vejo a quantidade de coisas que eu estudei e decorei… Quanto mais você se apaixona pela profissão, mais você quer aprender, entrar no psicológico.

O que acha que precisa aprender muito?

Tudo. Até respirar. Preciso fazer ioga para respirar melhor (risos). As coisas foram acontecendo na minha vida, eu nunca imaginei que um dia eu faria uma prostituta drogada, ganharia prêmio. Foi muito especial.

Já tem planos para depois do fim da novela?

Descanso. A gente precisa desse descanso para voltar mais forte. Depois vai ter cinema.

 

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