Gloria Pires, a Lola: “A pegada da novela vai ser a coisa da emoção, olho no olho”

Atriz revisita passado ao interpretar mãezona icônica no remake de Éramos Seis


  • 30 de setembro de 2019
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Luciana Marques

A partir desta segunda, 30, Gloria Pires, começa a dar vida a mais um personagem que com certeza figurará entre os grandes de sua triunfante carreira: a dona Lola, de Éramos Seis. A matriarca já faz parte do imaginário do brasileiro, afinal, será mostrada em sua quinta versão. Escrita por Angela Chaves, a trama das 6 é baseada na novela original de Silvio de Abreu e Rubens Ewald Filho, livremente inspirada no livro de Maria José Dupré. “O livro é bem mais pesado. A novela tem um lado de humor, de romance… E pra mim é uma emoção porque é uma trama icônica”, diz a estrela.

Para a atriz, a pegada da novela - retratada ao longo das décadas 1920, 1930 e 1940 - será de emoção, olho no olho. “Todos da família são envolvidos pelo amor, pelo prazer de estarem juntos, mas driblando as dificuldades da vida”, conta. E assim como a personagem, Gloria é mãezona e adora ver a casa cheia com os seus: o marido, Orlando Morais, e os filhos Cleo, Antônia, Ana e Bento. “Também somos seis... Mas quando o Bento nasceu a Cleo já não morava com a gente, eles têm 22 anos de diferença. Mas nas férias, fins de semana, festas, estamos sempre juntos, seremos sempre seis”, afirma.   

Você leu o livro que inspirou a novela? Sim. Mas o livro é bem mais duro do que será na novela e do que foi nas outras versões. Ninguém ousou fazer Éramos Seis como está no livro. Porque é de uma dureza, de uma crueza que a gente termina realmente no chão. A ideia é ter esse pano de fundo, ter essa personagem que é a Lola, essa família, essa casa, essa história, mas trazer uma coisa que seja inspiradora. Que leve as pessoas justamente a acreditarem nos seus sonhos, nos seus propósitos, se dedicarem para realizar aquelas coisas que elas desejam.

Lola (Gloria Pires). Foto: Globo/Raquel Cunha

Como você está construindo a sua versão de Dona Lola? A minha Lola é uma mãe, que não é a mãe boazinha, mas é uma mãe amorosa. Uma mãe que procura compreender e ajudar os seus filhos. É também uma esposa dedicada, que honra muito esse casamento, essa casa. O fato de ter adquirido a casa é um peso enorme pra essa família, que vai fazer de tudo pra conseguir honrar esse compromisso e ter a casa no fim da vida. A casa é uma personagem também. A Lola está dentro desse ambiente, onde todos são envolvidos pelo amor, pelo prazer de estarem juntos, mas driblando as dificuldades todas da vida.

A Dona Lola, como era normal à época, é bastante submissa ao marido, não? Todas as mulheres dessa época eram assim! A vida era muito dura. A gente sabe que elas dependiam do marido, porque é só isso que a gente ouviu. Eu acho que a grande diferença dessa novela é que ela enaltece o poder que toda mulher já tinha naturalmente. Porque são as grandes mantenedoras dos lares, das famílias, são as mulheres, sempre foram!

Li que essa novela está fazendo você reviver um pouco da sua história familiar. Assim como a Lola, a sua mãe, Elza, costurava também, né? Sim! A minha mãe adorava costurar pra gente, eu estava sempre junto com ela ali, acompanhando o processo, quando ela cortava os moldes, quando ia comprar os tecidos. Agora, com a Lola, é um pouco diferente, porque ela tem isso realmente como ganha pão, como uma renda pra família. Então aprendi a fazer tricô, virou um vício, mas não tenho tempo pra fazer.

 

 

O papel acaba sendo uma homenagem à sua mãe? Com certeza! À minha mãe e à minha avó, Deolinda. Ela era mãe do meu pai, mas ela e minha mãe eram muito amigas. Elas tinham essa sororidade, sabe? Esse termo moderno… E os meus pais eram bem engraçados, muito criativos! Então eu estou voltando ao passado muitas vezes com esse trabalho. Cada vez que leio uma cena, alguma coisa me remete a uma coisa que minha mãe dizia, ou minha avó, o meu pai (ator Antônio Carlos Pires)… A cidade cenográfica, pra mim, é estar junto com o meu pai, passeando!

O que a ‘mãezona’ Lola da novela tem a ver com a ‘mãezona’ Gloria? O que toda mãe tem, né? Claro que ninguém é perfeito, ninguém tem uma fórmula, uma receita pra seguir. O primeiro filho talvez seja a coisa mais sofrida, porque existe uma inexperiência, né? Eu costumo dizer que o primeiro filho é a faculdade. É a dureza (risos). A gente está aprendendo junto com o filho, aprendendo a ser mãe junto com aquela criança. Mas é isso, não tem grandes arroubos, não tem atos heroicos… A não ser os pequeno atos heroicos de todos os dias.

Você acha que mudou muito a família brasileira daquela época para cá? A estrutura, os conflitos, o diálogo dentro de casa… Claro que mudou! É consenso da direção e da equipe trazer o realismo. A gente quer fazer uma novela de época que não pareça um álbum de retratos, mas que pareça hoje. Onde as pessoas transpiram, onde o cabelo não é impecável. Esse tipo de vivência. É isso o que a gente está trazendo. É claro que mudou dos anos 20 pra cá. Muita coisa mudou, foi acrescentada. Mas eu acho que, mesmo sendo uma história que se passa em 1920, dá pra pensar em muita coisa de hoje. No machismo, por exemplo. No papel da mulher na sociedade. E isso é o interessante, o bacana.

Éramos Seis é uma história que fala de sonhos, família,  união. Qual a importância de se contar uma história assim no atual cenário social, político, econômico do Brasil? Eu acho que a arte, a cultura em geral, tem essa capacidade de fazer a gente pensar, de se instruir, aprendendo com outros hábitos, outras épocas. E também se emocionando. Eu acho que a pegada da novela vai ser essa coisa da emoção, de ‘olho no olho’, de estar próximo… Acho que vai ser isso.

Na primeira fase: Julio (Antonio Calloni),Carlos (Xande Valois),  Lola (Gloria Pires), Alfredo (Pedro Sol), Isabel (Maju Lima) e Julinho (Davi deOliveira), à frente. Foto: Globo/Raquel Cunha

Recentemente suas filhas Cleo e Antônia deram uma entrevista ao Conversa com Bial e muita gente elogiou nas redes sociais a postura, atitude e educação que elas têm... Você imagina como é que eu fiquei, né? (risos) Depois pra dormir foi uma loucura! Elas são motivo de orgulho pra mim. A coragem delas, e a autenticidade também. Um orgulho enorme pra mim.

Os haters costumam pegar muito pesado com a Cleo nas redes sociais, inclusive por conta do jeito ‘livre’ dela e ela reage sempre com muita elegância. Como você, enquanto mãe dela, lida com essas críticas? Eu acho a atitude dela perfeita. Ela tem que ser feliz. Acho que todo mundo precisa se encontrar. Eu nunca tive essa expectativa, do que os meus filhos iriam ser… Porque eu acho que é tão difícil a gente achar o caminho próprio. E eu aplaudo ela, e também a Antônia, a Ana, o Bento, no que eles escolherem ser profissionalmente e na vida que eles escolherem ter. Apoio total pra todos eles.

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