Flávia Alessandra sobre seu cabelo curto virar referência: “Nova era, de libertação feminina”

Atriz saboreia sucesso na trama das 7 e diz adorar as teorias sobre o mistério de Helena


  • 20 de fevereiro de 2020
Foto: Globo/João Miguel Junior


Por Luciana Marques

Em mais de 30 anos de uma carreira muito bem sucedida, é a primeira vez que Flávia Alessandra vive uma personagem com uma linha de mistério tão grande como a de Helena, de Salve-se Quem Puder. Assim como o público, a atriz confessa não saber o motivo que levou a empresária a abandonar a filha, Luna (Juliana Paiva), aos 5 anos, e o marido, Mário (Murilo Rosa), no México. “Estou vivendo com o público, dia após dia, as descobertas, as informações... Vou me alimentando de todas as teorias”, conta.

Flávia revela que o autor Daniel Ortiz lhe deu algumas dicas do que ela não pode fazer em cena. Mas o fato de não saber o que realmente aconteceu no passado dessa mulher, faz ela tomar muito cuidado redobrado com as reações da personagem. “É um grande desafio, eu tenho que estar numa concentração muito grande quando eu tenho cenas com a Ju (Juliana Paiva) ou falando desse passado”, diz. Além do burburinho todo com a história de Helena, a atriz comemora o fato de que a maior busca pelo seu nome na internet é pelo novo look, cabelo curto.

Tem curtido esse novo visual? Eu estou curtindo muito! Primeiro porque é um cabelo que tem muito a ver com a Helena, de cara quando eu li, eu visualizei ela desse jeito. E quando eu cheguei no figurino as ideias se bateram e eu fiquei muito entusiasmada. Eu nunca tinha usado o cabelo assim. E eu tive uma notícia há poucos dias que eu fiquei muito empolgada, de que a maior busca que tem hoje pelo meu nome na internet é pelo cabelo. Eu falei, caramba! Porque é uma nova era da mulherada, cabelo curto era algo tão distante da gente, da mulher brasileira. E eu fiquei envaidecida.

Helena (Flávia Alessandra). Foto: Globo/João Miguel Junior 

É muito bacana quando você vira moda, né? É muito legal! Não só quando você vira moda, mas vira referência nessa nova libertação feminina, porque o não cabelo é quase que uma libertação mesmo do nosso ser. De fato, mesmo, nós que somos mulheres de uma vida inteira de cabelão, uma vez que você tem cabelo curto, você vê o contraste, de trabalheira, do tempo que é... É algo muito novo ver as mulheres compartilhando e também tomando essa coragem, porque é uma coragem, sim, a gente tirar aquela cabelo todo que envolve a gente. Mas é uma coragem muito boa, muito libertadora.

E a Helena, que mulher misteriosa, hein? Eu estou adorando me alimentar de todas as teorias envolvendo a personagem, porque quando eu recebi o papel, o grande desafio para mim era esse, não saber o passado dessa mulher. E o segredo dessa mulher é ter abandonado uma filha, que pra mim é quase que injustificável, tipo, meu Deus, por que uma mãe faz isso? Então pra mim foi muito desafiador estar fazendo ela e, ao mesmo tempo, depois se tornou estimulante. Em 31 anos, nunca fiz uma personagem assim. Eu estou vivendo com vocês, dia após dia, as descobertas, as informações... É claro que eu sei um pouco antes do que eu recebi de capítulo, do que veio. Mas não é muito coisa a mais pra gente conseguir entender o que aconteceu com ela. E eu estou achando muito bacana essa troca no twitter, porque a gente ouve muitas teorias. E eu vou me alimentando de todas elas para estar ali contracenando com a Ju, para eu não dar a mais ou de forma errada, algo que eu possa entregar antes.

E qual a sua opinião, como Flávia espectadora, o que essa mulher fez para largar essa marido, essa filha... Acha que ela se apaixonou? Lá atrás era uma vontade do Mario e da Helena conseguir atravessar a fronteira, de vencer nos Estados Unidos. Ela saiu de casa com esse intuito. Era uma vontade deles, enquanto casal. Agora, o que realmente aconteceu? Essa teoria que eu ouvi há pouco de que talvez ela nem tenha saído do México é realmente mais uma possibilidade. E eu estou guardando todas elas aqui para ir me alimentando do que pode ser.

O Hugo (Leopoldo Pacheco) sabe tudo o que aconteceu, né? Sim! Eu acho que ele acobertou ela, ou protegeu ou se aproveitou de um momento de fragilidade daquela mulher, tipo, eu resolvo pra você e aqui eu estarei. Eu acho que ele ama muito ela. A Helena, eu não sei se ama ele. Tanto é que a gente não teve cena de beijo. O beijo é indicador de se é amor, se não é, se é recíproco... Até teve uma cena que o Leo me puxou e eu falei, não faz essa marcação, porque se fizer, eu teria que te dar um beijo ou te responder com eu te amo. Então é tudo muito sutil pra gente. Eu ainda não tive beijo com ele, não falei eu te amo, ele já falou. São sutilezas que a gente tem que tomar cuidado porque eu não sei se ela ama o Hugo.

A Luna agora já se instalou na empresa e também irá trabalhar na casa dela como fisioterapeuta do Téo (Felipe Simas). E ela sabe que a Helena é a mãe, já a Helena, não sabemos... Ela sabe que eu sou eu, continuo com o mesmo nome, não mudei feição. Mas uma criança de 4 para 20 anos pode mudar muito. A Jujuba (Giulia Costa), minha filha, é um grande exemplo, ela mudou muito. Ela era uma indiazinha, continua indiazinha de queimada, de brejeira, mas mudou muito de feição. Eu não sei se a Helena reconheceu essa filha, pode ser...

Luna (Juliana Paiva) e Helena (Flávia Alessandra). Foto: Globo/João Miguel Junior 

Você acha que ela pode chegar a um ponto de virar uma vilã? Acho que sim, acho que pode vir a ser uma vilã também. Por isso, eu tomo cuidado para eu ser amorosa nas cenas com os enteados, mas não melosa. Por mais que eu seja amorosa com eles, eu continuo sendo aquela mulher firme, forte, pra justamente deixar uma possibilidade se eu vier a ser uma vilã também. E uma vilã tem todas as facetas também. Pode ser amorosa de um lado e uma grande filha da mãe do outro.

Você esperava uma reação tão apaixonada do público quando a Helena destratou a Luna, por ela não ter reconhecido a filha. As pessoas jogaram pedras.... Pois é... Eu falei, gente, ela não maltratou, é que ela não reconheceu. Ela foi lá, acudiu, mas ela teoricamente, ou não reconheceu, ou está protegendo aquela pessoa e, por isso, afastando ela logo dali. Mas eu achei incrível a resposta do público. Eu acho que é consequência do sucesso que a novela está, da liga que eu e a Ju temos, eu sei que de fato a gente tem essa liga contracenando, trocando. E é isso, se é para odiar que odeie, se é para comprar, que comprem. Não é para ficar no meio do caminho, porque vai que essa mulher é mesmo uma vilã...

Acha que o Daniel Ortiz já decidiu tudo sobre esse mistério? Ele não comentou nada com você? O Daniel sabe! Ele me pontuou alguns caminhos do que não fazer... Então eu tenho alguns caminhos do que não fazer, mas eu continuo com uma gama de possiblidades do que pode ser. Eu já me perguntei muitas coisas também e eu até divido com a Ju. Lá nas primeiras cenas do furacão, em nenhum momento, a Helena se preocupou com a Luna. Será que ela acha que eles não estão mais no México, que atravessaram a fronteira ou morreram? Porque não teve nenhum flashback, ela só se preocupou com o Téo. Eu me pergunto todas essas coisinhas e vou ligando todos esses pontinhos. Mas a gente vai tentando descobrir, o Daniel é danado.

E a química com a Juliana Paiva, o fato de vocês já terem atuado juntas em Além do Horizonte ajudou? Sim. Lá atrás nós batemos uma bola muito próximas de mãe e filha, que tinham total sintonia. Eu já sei os tempinhos da Ju, os olhares e as reações dela, o que facilita o nosso entrosamento. E tem um outro lado que também é muito bom. Por exemplo, com o Felipe (Simas) eu nunca tinha trabalhado, ele é um outro lugar de interpretação, que já me faz baixar mais, ele fica num outro lugar. O Leo tem umas reações inusitadas, ele me deixa sempre em alerta. É bom também, porque eu nunca trabalhei com ele. Eu imagino um caminho e o Leo está fazendo outro... Ele me surpreende em cena, isso é bom.

A Olívia, sua caçula, assiste a novela? Pela primeira vez, desde Êta Mundo Bom que era uma novela deliciosa, a Olívia está vendo uma novela de novo. E muito legal porque há muito tempo eu não via essa geração mais novinha acompanhando. A gente sabe, hoje com youtube, as séries, a galera se dissipou... Essa geração da Oli já não era seguidora das novelas. E os dias que eu fui pegar a Olívia na escola, as meninas me olhavam e ficavam todas falando baixinho... Eu pensei, olha, ela estão assistindo a novela. E a Olívia me disse, mãe, você é do bem, você é boa. Aí a Giulia chegou e disse pra ela: “Olívia, não conta com isso, porque quando a mamãe fez a Cristina em Alma Gêmea, eu tinha uns 5 anos, eu sofria muito na escola porque todas as minhas amigas falavam que a mamãe era má. E eu tinha que ficar justificando que ela não era má. Então não vai contando com isso (risos)””.



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