Fernanda Chamma, jurada do Dancing, lembra fase “patinho feio”

“É doloroso querer para a vida uma profissão e o físico não corresponder. Mas fui premiada'”


  • 28 de fevereiro de 2018
Foto: Blad Meneghel/Record TV


Por Luciana Marques

Com mais de 40 anos na área da dança, Fernanda Chamma faz parte hoje, ao lado de Jaime Arôxa e Paulo Goulart Filho, do poderoso e temido trio de jurados do reality Dancing Brasil, da RecordTV. Mas a sua brilhante carreira tem alguns capítulos de drama. Por conta de problemas físicos, ela não pode continuar trilhando sua jornada na dança, mas, por outro lado, os bastidores ganharam uma diretora artística e coreógrafa das mais renomadas. “Resolvi que meu amor pelo mundo da dança poderia não ter limites, dores e frustrações, através de outros corpos...”, constata.

Na entrevista exclusiva ao Portal ArteBlitz, Fernanda, que é formada em balé clássico com especialização nas áreas de Jazz Dance e Musical Theatre, e é diretora artística da Only Broadway e dos Estúdios Broadway, admite que, inicialmente, ficou receosa em trocar a bancada do Dança dos Famosos, do Domingão do Faustão, pelo Dancing Brasil. “Mas na primeira reunião já me apaixonei e assinei contrato. Um formato novo, realmente de dança. E ainda tinha a Xuxa!”, disse, referindo-se à comandante da atração.

Trabalhos

Fernanda já coreografou inúmeros musicais de sucesso no Brasil. Entre eles, Hairspray, A Gaiola das Loucas, Aladdin, Alô Dolly, Looney Tunes, Memórias de Um Gigolô, Antes Tarde do que Nunca e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Em parceria com o americano Jerry Zaks, foi diretora e coreógrafa residente do musical A Família Addams no Brasil e na Argentina. Em 2016, ela conquistou o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Coreógrafa de Teatro Musical, por Antes Tarde do que Nunca.

Leia a entrevista, e você só vai querer dar nota 10 para Fernanda! Aliás, hoje, quarta-feira, é dia de Dancing Brasil, a partir das 22h30. 

"Quando fui chamada para o projeto do Dancing, relutei um pouco, confesso. Mas era ao lado da Xuxa, com um formato internacional grandioso, realmente de dança, do qual eu já era fã. Na primeira reunião, me apaixonei e assinei contrato."

 

Fernanda com Paulo, Xuxa e Jaime. Foto: Blad Meneghel/RecordTV

- Como foi o início de seu contato com a dança?

Comecei a fazer dança com 7 anos de idade em um clube ao lado da minha casa. Experimentei e me apaixonei. Desde então, parti para outras escolas de formação, nas áreas do Ballet Clássico e do Jazz Dance, minha paixão.

- Você acabou tendo que deixar de dançar um pouco cedo por causa de uma problema físico. Isso acabou sendo uma frustração, como lidou?

Sempre é muito doloroso querer para a vida uma profissão e seu físico não corresponder. Na época, me achava o 'patinho feio' da turma. Hoje, sei que fui 'premiada'! Consegui ultrapassar barreiras, conhecer meus limites, e me realizar dentro e fora dos palcos, me tornando diretora artística e coreógrafa. Acredito que se tivesse um físico ok, não teria crescido tanto como criadora. Resolvi que meu amor pelo mundo da dança poderia não ter limites, dores e frustrações, através de outros corpos... Corpos disponíveis a tudo aquilo que nunca poderia fazer. Isso foi um prêmio! Já formei gerações de artistas e continuo nessa vida louca entre escolas, musicais, shows, projetos, muito feliz e fazendo dança, da minha maneira.

-Todas as pessoas podem dançar?

Sim! Quer mais do que eu mesma? (risos) Danço até hoje, contrariando diagnósticos ortopédicos e tantas outras barreiras que apareceram nesses meus 53 anos. Dança é emoção, liberdade, diversão, saúde... respeito, disciplina, escola... arte! Quer coisa melhor?

"Os gringos ficam loucos com nosso talento, energia, brilho, rapidez, competência. Lógico que dependemos de teatros mais adequados, incentivos do governo, iniciativa privada... Mas, artisticamente falando, estamos entre os melhores do mundo no teatro musical."

- Você tem uma carreira de sucesso no teatro musical. Qual o espetáculo que mais marcou você?

Não digo espetáculo. Amo o mundo da Broadway e do Showbiz. Sou super americana no estilo de coreografar e criar! Amo Bob Fosse, que para mim é o melhor coreógrafo de musical theatre do mundo. Aprendi a gostar do gênero com minha mãe desde pequena. Ela colocava eu e minha irmã para assistir grandes clássicos do gênero. Eu dançava sozinha na cadeira dos cinemas e no sofá de casa. Nunca vou esquecer da primeira vez que fui a Nova York e olhei de perto a Times Square: chorei como louca! Até hoje me emociono ao lembrar a sensação. Acho que a pessoa nasce com alma de artista, sei lá... É uma vida de dedicação total, é muito trabalho. Não temos feriado, férias, sábados, domingos... Mas amo o que faço. De verdade!

"Acredito que se tivesse um físico ok, não teria crescido tanto como criadora. Resolvi que meu amor pelo mundo da dança poderia não ter limites, dores e frustrações, através de outros corpos... Corpos disponíveis a tudo aquilo que nunca poderia fazer."

- Na sua opinião, o Brasil já pode se comparar a grandes produções internacionais e da Broadway?

Totalmente! Dito pelos gringos, inclusive. Chegam aqui e ficam loucos com o nosso talento, energia, brilho, jogo de cintura, rapidez e competência. Lógico que dependemos de teatros adequados - temos poucos -, mais incentivos do governo - quase inexistentes-, iniciativa privada, etc. Mas, artisticamente falando, estamos entre os melhores do mundo.

Foto: Blad Meneghel/RecordTV

- Essa crise toda que afetou muito a cultura, tem prejudicado os musicais? 

Sempre prejudica. Mas, graças a Deus, tenho trabalhado como nunca. Minha agenda já está tomada de projetos do gênero até 2020, no teatro e na TV.

- Você deixou o Dança dos Famosos, na Globo, para, uma aposta, até então, em 2017, na Record, que é o Dancing Brasil. Por que a decisão de mudar naquela época, e não houve receio de não dar certo?

Foram 12 anos de muitas histórias lindas e conquistas no Domingão do Faustão. Tenho muito carinho por todos. Sempre! Quando fui chamada para o projeto do Dancing, relutei um pouco, confesso. Mas, era um projeto ao lado da Xuxa, com um formato internacional grandioso, formato esse que eu já era fã, assistia muitos de outros países. Um projeto novo no mercado, realmente de dança, um desafio. E amo desafios e novos objetivos, até porque sou aquariana (risos). Fechei os olhos, contei até três, fui para uma reunião com o meu diretor Rodrigo Carelli e saí com o contrato assinado. Me apaixonei na hora! Trabalho há anos com uma das pessoas mais especiais da minha vida: Miguel Falabella. Ele sempre me fala: faça o que a sua intuição mandar. Dará certo e te fará feliz. Segui meu mestre e o resultado não poderia ter sido melhor.

Fernanda dança jazz com colegas de júri e bailarinos em abertura do Dancing. Foto: Blad Meneghel/RecordTV

"Danço até hoje, contrariando diagnósticos ortopédicos e tantas outras barreiras que apareceram nesses meus 53 anos. Dança é emoção, liberdade, diversão, saúde, respeito, disciplina, escola... É arte!"

- Qual o motivo de tanto sucesso e repercussão positiva do Dancing?

Acredito que a reunião de uma equipe incrível de fantásticos profissionais, junto a energia de uma das maiores estrelas da TV brasileira: Xuxa Meneghel. Ela é demais! Emana amor, carinho, alto astral, brilho, luz. Tudo fica especial ao lado dessa mulher, principalmente quando ela está feliz. E ela está! Aliás, todos estamos. Temos muito orgulho do produto e dos resultados. Toda semana nosso estúdio é uma festa. Isso reflete para o público de casa que nos assiste. Quando é de verdade é sucesso! Acredito plenamente nisso.

- Avalie essa terceira temporada... Mais de um famoso pinta como favorito?

Essa temporada está nota 10! Um show! Quanto a favoritos, não temos. Cada semana é um 'flash', brinco! (risos) A competição será acirrada até a final. Tenho certeza!



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