Fabiula Nascimento: “Cacau é real, dona de seu corpo, pensamento”

Destaque de Segundo Sol, ela diz que em casa divide as tarefas com Emilio Dantas


  • 24 de junho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

Desde que leu a sinopse de Segundo Sol, Fabiula Nascimento disse ter se encantado com a personagem Cacau. Muito por causa da personalidade dela, um retrato do empoderamento feminino de que tanto se fala hoje. “Não dá mais só para representar essa mulher. Ela tem que estar na sociedade, nos representando. Mas isso é uma luta diária. Ela é uma mulher real. Me interessa!”, reitera a atriz.

E Fabiula já pode entrar para a lista de grandes destaques da trama das 9. Parece que Cacau foi escrita realmente para ela. E as emoções de seu núcleo ainda serão muitas. Em breve, deve ser reeditado o triângulo amoroso do início da trama, entre Cacau, Roberval (Fabricio Boliveira) e Edgar (Caco Ciocler). “Não sei de nada. Mas quero mais é que role para a lenha pegar fogo”, diverte-ela, que na vida real é casada com Emilio Dantas, o intérprete de Beto Falcão. 

Edgar (Caco Ciocler), Roberval (Fabrício Boliveira) e Cacau (Fabiula Nascimento). Foto: Globo/João Miguel Junior

Como está a repercussão do público com a novela e com a sua personagem?

Maravilhoso! O público já aceitou super bem a novela, desde o começo. Está todo mundo ligado na história e os personagens são muito carismáticos. A gente fala de vinganças, mas é uma novela solar. Não é uma coisa tão radical. Acho que a gente fala mais de juntar os pedaços do que de espatifar as coisas. Isso é uma coisa bonita e que agrada rapidamente. Eu só tenho escutado elogios e brincadeiras a respeito do caráter do Roberval.

Ela acredita que o Roberval quer se vingar?

Eu acho que ela desconfia, porque é uma mulher vivida, não é uma menina. É uma mulher de quase 40 anos, que passou por vários percalços na vida, então, é escaldada. Eu acho que ela até desconfia, mas acredita no amor dele, porque eles tiveram uma história muito forte no passado. Ele era completamente apaixonado por ela e ela tem alguma culpa de ter causado alguma coisa a ele no passado. Mas, as coisas estão diferentes agora.

A Cacau é guerreira, bem dona de si, né?

Eu acho que Cacau tinha tudo para dar certo. Ela é muito coerente com o pensamento dela. É uma mulher livre, dona do seu corpo e do seu pensamento, teve caso com os caras que queria. A história dos sobrinhos, aquela foi a melhor maneira que ela encontrou. A irmã fugiu, e as coisas foram saindo do trilho. Para ela, a irmã ia ficar 25 anos presa, as crianças iam ficar a vida inteira naquela casa, ninguém ia saber do caso dela com Edgar e as coisas iam seguir. Só que a vida não é assim. Logo depois de uma curva, já tem uma ponte, uma pedra... E deu no que deu. E os meninos, querendo ou não, deram certo. Eles são problemáticos como qualquer jovem. Ela se deu super bem, saiu de Boiporã dizendo que iria ter um restaurante em Salvador e conseguiu. Então, é uma mulher que não desistiu das suas coisas. É dona do juízo dela. É uma personagem muito coerente.

Fabiula Nascimento com o marido, Emílio Dantas. Foto: Globo/João Cotta

Como está sendo participar de uma novela com o Emílio Dantas, seu companheiro?

Isso é muito bacana. A gente faz poucas cenas juntos mas, querendo ou não, vamos acabar nos cruzando, porque ela é cunhada dele, né? E eu sou a única família de Luzia (Giovanna Antonelli). Então, com certeza, ainda vamos contracenar.

Falam em casa sobre a novela?

Imagina! Estamos no mesmo trabalho! Conversamos sempre sobre a novela, sobre o nosso trabalho. Estamos juntos. Somos parceiraços!

Tem alguma chance entre a Cacau e o Beto Falcão?

Não tem a menor condição! É muito homem na minha vida. Já está bom com os dois (Roberval e Edgar)...

E a questão do sotaque, das gírias da Bahia?

Eu já falava algumas expressões. Eu tenho muitos amigos do peito que são baianos e sempre que estou com eles, acaba saindo uma expressão ou outra. O 'massa' é uma expressão que a gente também usava em Curitiba, de onde eu venho. Mas, com a novela, eu e Emílio ficamos direto em casa, falando meio baianês um com o outro e até com os cachorros. É divertido, a gente curte. E até para deixar quente, né? É legal, é bem gostoso colocar no dia a dia

Tem alguma especialidade da cozinha baiana?

Não. Sou da cozinha, mas comida baiana não faço muito. Por exemplo, eu e Emílio somos alérgicos, não comemos camarão. E a maioria dos pratos baianos leva camarão. Então, o que a gente faz é moqueca de peixe, de banana.

Foto: Globo/João Cotta

Está curtindo esse visual da novela?

Muito. Na realidade, esse é o mais natural do meu cabelo. E eu estou adorando. É mais prático. Eu gosto muito de cabelo cacheado.

E as mulheres estão assumindo os seus cachos...

Eu acho que as pessoas assumiram os cachos por conta do movimento que vem rolando, do empoderamento feminino, de você ser quem é, mostrar as suas celulites. De parar com as pessoas julgando se você é bonita ou não. Isso tem que acabar. Não existe padrão de beleza. Que coisa cafona! Existe beleza, sem padrão. E acho que, cada vez mais que a gente se vir representada, melhor para todas. Eu quero me ver representada em uma novela e quero poder representar as pessoas.

A sua personagem é retrato do empoderamento feminino, né?

Eu acho! Ela tinha os seus desejos, de ser dona do corpo e das paixões. Ela não quis ter um filho, se dedicou a sua carreira e não se arrepende disso. Eu acho que, principalmente hoje, em que a gente fala dessa coisa do feminismo, que está muita mais acesa, e ainda tem muita confusão sobre o assunto... Todo dia, eu tenho que explicar para alguém que feminismo não é o contrário de machismo, que tem várias vertentes: as mais radicais e as menos radicais. Eu acho que a sociedade é enraizada de forma machista. Eu vejo muito isso em Cacau. Mesmo que ela tenha um comportamento feminista, às vezes, rola um preconceito machista. Mas, é porque isso está muito enraizado nela. Não é dissolvido do dia para a noite. Mas acho que a gente tem que pensar cada vez mais nisso. Em dizer que feminismo é você querer uma sociedade igualitária, que todo mundo receba o mesmo, se faz o mesmo trabalho. E, para mim, o feminismo sempre me parte da violência contra a mulher. Esse, para mim, é o ponto de partida.

Como é em casa com o Emílio, ele participa das tarefas?

Nós dividimos tarefas. Ele não me ajuda, ele divide tarefas comigo. E isso é muito mais legal. Ele é parceiro, incrível.

Foto: Globo/João Cotta

A sua forma está sendo muito elogiada, está malhando muito?

Não! Acham que as coisas acontecem da noite para o dia. E não é assim. É porque as pessoas estão há um ano e meio sem me ver na TV. Nesse tempo, deu para fazer tudo o que eu quis: viajei, filmei, fiquei em casa, tive o meu cachorro, fiz obra e, fiz exercício... Fui experimentando coisas e descobri com o Jung Igarashi, que é um cara que tem um método maravilhoso de treino. A ansiedade diminui, minha tireoide baixou, diminuí a dosagem do remédio. São coisas que você tira para a vida. E as coisas vão entrando nos eixos. As pessoas estavam acostumadas a me ver emendando trabalhos e, assim, não dá mesmo para mudar de corpo, a não ser que eu tome remédios e isso eu não faço.

Faz musculação e dieta também?

Não! Eu faço um trabalho de levantamento de peso, mas não é musculação. Dieta, eu não faço. É mudança mesmo, queda de ansiedade, tudo muda. E é um exercício que te acelera o metabolismo, que nunca tinha feito. Eu faço de tudo: corro, faço yoga, ando de patins. Nunca paro, porque preciso me movimentar. E o meu endocrinologista disse para eu fazer um exercício de força, mas nunca gostei de musculação. Não consigo ficar em academia, aí eu fui no Jung, porque estava de férias e é realmente isso. Foi fantástico!”

E em relação à alimentação, come de tudo?

Sim, mas como uma pessoa normal. Não tenho nenhuma restrição alimentar, não acredito nessas coisas. As pessoas falam do gluten, e começam a cortar de tudo. Coitado do gluten, virou um desgraçado. Tem gente que emagrece porque para de comer o pão e o doce, mesmo o sem glúten, vive de alface. Aí, vai dizer que o malvado da história é o gluten?

Você chegou onde sempre sonhou?

Cheguei onde sempre sonhei quando comecei a pagar as minhas contas com o meu trabalho. Eu tenho 22 anos de carreira e já faço isso há pelo menos 20. Acho que o sucesso na profissão é quando você vive bem dela, paga as suas contas e vive a sua vida. A televisão chegou na minha vida tem nove anos. É claro que é muito legal trabalhar em uma emissora como essa, é incrível. Mas, o meu trabalho todo eu continuo fazendo. Faço teatro, estou com quatro filmes para lançar, sempre estou plantando na minha carreira, independente do veículo. Estou muito feliz! Se eu pudesse levar a minha vida como ela está até o fim da vida, seria perfeito. Eu tenho tempo de fazer o que eu gosto e ainda tenho tempo de trabalhar.



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