Diva Gloria Pires perto dos 50 anos de TV:

"Não sei se vou ser uma Fernandona aí com 90 fazendo novela. Não sou capaz de opinar!”


  • 24 de novembro de 2017
Foto: Globo/Raquel Cunha


Dama da TV, Gloria Pires, mais uma vez, está dando show no horário nobre. Intérprete da dramática e misteriosa Elizabeth, agora, Duda, após forjar a própria morte, tudo por armadilha do sogro Natanael (Juca de Oliveira), a atriz avalia o quanto o ser humano é vulnerável. “Todo mundo acha que tem controle sobre a própria vida e ninguém tem controle algum”, diz.

Gloria, que já soma 30 novelas e 15 filmes em uma carreira das mais emblemáticas na TV, já nos brindou com papeis maravilhosos. Quem não lembra da A Ana Terra, de O Tempo e O Vento (1985) ou da Maria de Fátima, de Vale Tudo ( 1988) ou das gêmeas Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia, de 1993? E tem mais e mais... Os filmes Se eu Fosse Você 1 e 2, Flores Raras, Nise da Silveira – A Senhora das Imagens, e por aí vai...

Mas para quem iniciou na atuação com apenas 5 anos de idade, em A Pequena Órfã, da TV Excelsior, será que sente vontade de dar uma relaxada, se aposentar? “Não sei se vou ser uma Fernandona aí com 90 anos fazendo novela. Não sou capaz de opinar!”, brinca, usando a famosa frase usada por ela própria na cobertura do Oscar, em 2016, na Globo, que acabou virando meme.

"Todo mundo acha que tem controle sobre a própria vida e ninguém tem. De um dia para o outro, tudo pode mudar radicalmente.”

Como está sendo atuar pela primeira vez numa obra do Walcyr Carrasco?

Estou adorando, ele é tão corajoso, não só por trazer temas polêmicos, mas porque joga a história, não economiza. Acho os autores de novela incríveis, não consigo conceber o que é viver escrevendo uma história por mais de um ano, é uma maratona diária.

E como foi também essa parceria com Juca de Oliveira?

As cenas foram muito dramáticas, radicais, de terror psicológico. Ele é um ator fantástico, dá um medo mesmo (risos). Ele tem uma voz. É incrível! Sempre o admirei, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. E as nossas cenas são muito intensas, mas a gente se divertiu também. Juca é bacana, alto-astral, tipo de colega que ajuda no dia a dia, não pesa.

"As cenas com Juca de Oliveira foram muito dramáticas, radicais, de terror psicológico. Ele é um ator fantástico, dá medo mesmo, tem uma voz. Incrível!" 

Walcyr também mostra temas como o preconceito social, no caso do sogro Natanael com a Elizabeth. Qual a importância de se falar disso?

Ele acha que ela não era a mulher ideal para o filho, crê que não tem nível para ocupar esse posto. Isso ainda existe, Walcyr mostra isso o tempo todo na novela, faz essa crítica. Muito importante falar sobre o assunto.

E mostra outro tema forte, o alcoolismo da sua personagem...

Na verdade, é uma bengala. A vida dela muda completamente, de forma repentina, vai ladeira abaixo, por um bom tempo. Depois a coisa volta para o prumo. Ela corre perigo também, tem um quê policial nisso tudo. Mas não fala do alcoolismo, mas sobre uma pessoa que acha que tem a vida sobre controle, com um passado nebuloso, se apaixona por esse marido, eles vivem uma linda história de amor, o marido rompe com preconceitos, e, de repente, tudo vira de cabeça para baixo. É nessa circunstância que o alcoolismo surge.

"Acredito na lei do retorno. Sou kardecista. Acompanhei muito isso na minha vida. São 54 anos, já vi muitas pessoas pagando e isso não é bom de assistir."

Também avalia que nada nessa vida está sob controle?

A história dela é uma ideia de que todos nós comandamos as coisas, projetamos, planejamos um futuro, o nosso, dos filhos... Ah, ano que vem quero me aposentar... Ninguém tem controle de nada. A coisa pode mudar radicalmente de um dia para o outro, sem nenhuma preparação. É o que acontece com a Elizabeth. Acho que as pessoas vão se ver nesse lugar, é de uma vulnerabilidade enorme.

Como lida com o imprevisto?

Sou bastante metódica, mas já entendi que a gente não controla nada. É uma grande sacada para a vida.

E o que acha do tema da novela, a lei do retorno?

Acredito. Sou kardecista. Vi muito isso na minha vida. São 54 anos, já vi muitas pessoas pagando e isso não é bom de assistir. Mas é a vida! Às vezes, vem um pouco mais cedo, outras, mais tarde. A vida tenta ensinar, mas algumas pessoas passam a vida sem aprender nada.

"Já tive puxadas de tapete, mas não sei se tava tão focada na minha verdade, e isso me ajudou. Abalar, é claro que abala, é muito ruim ser traído."

Que conselho daria para uma mulher como a sua personagem, nesse momento de turbulência?

O que essa mulher passa é tão doido, que foge do cotidiano, dos revezes que a vida traz todo dia. Não sei nem que conselho daria. Acho diria, calma, respira fundo, vai com fé, que uma hora você vai sair do buraco. Não tem tormenta que dure a vida toda, uma hora acalma.

Com quatro filhos (Cleo, 34, Antônia, 25, Ana, 16, e Bento, 12), casamento de quase 30 anos com Orlando Morais, tem ainda seu lado de empresária, como otimiza o seu tempo?

E gravando novela... Então, preciso um pouquinho mais do que um dia de 48h (risos). Tenho bons parceiros no meu dia a dia, que trabalham nessa questão toda do Bemglô (loja virtual com conteúdo lifestyle). Não imaginava, mas queria todo esse sucesso. Fico feliz que as pessoas gostem e usufruam, porque a ideia é essa: compartilhar o que faz o bem, boas práticas, uma maneira mais leve de levar o dia a dia, porque está complicado.

"Na segunda semana de noturna dessa novela, bateu um cansaço... Estou velha para fazer novela, juro (risos). Fiquei doente, peguei uma sinusite, foi puxado."

Na novela, a Elizabeth tem uma amiga (papel de Bárbara Paz), que, na verdade, é uma víbora, invejosa. Como lida com esse tipo de gente?

Já tive umas puxadas de tapete, mas não sei se tava tão focada na minha verdade, história, e isso me ajudou a passar por isso. Abalar é claro que abala, é muito ruim ser traído, perceber que alguém se dedica a te derrubar. Mas se for ficar pensando nisso, deixo de viver a minha vida. 

Daqui a pouco  você completa 50 anos de carreira. Já lida com a ideia de se aposentar?

Na segunda semana de noturna dessa novela, bateu um cansaço... Estou velha para fazer novela, juro (risos). Olha, no fim da primeira semana, fiquei doente, peguei uma sinusite, foi puxado. Então, tenho pensado tanto em aposentadoria... 



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