Dário Costa, o vencedor de Mestre do Sabor: De lavador de pratos a dono de restaurante

Santista se emociona com vitória e a exaltação de sua profissão


  • 25 de julho de 2020
Foto: Globo/Artur Meninea


Surfista, nascido e crescido em Santos, no litoral paulista, o primeiro encontro de Dário Costa com a gastronomia teve uma finalidade: trabalhar para custear as suas viagens pelo do mundo. E foi na Nova Zelândia, ainda na adolescência, que o vencedor do Mestre do Sabor conseguiu um emprego na cozinha de um restaurante. Lá, começou lavando pratos e, aos poucos, foi se interessando pela arte da culinária. E o que era para ser algo passageiro, virou paixão.

Depois de dois anos naquele país, fez faculdade de gastronomia na Unimonte, em Santos, em 2011. Durante o curso, viajou para o México e para o Chile. E em 2013, fez pós-graduação em Asti, na Itália, e trabalhou num hotel na Ligúria por um ano. Mas sua experiência mundo afora não parou por aí. Dário seguiu para a Indonésia, onde passou meses trabalhando num barco como chef.  

Nos últimos anos, conseguiu abrir seu restaurante, o Madê Cozinha Autoral, em Santos, e colocar em prática tudo o que acredita: a valorização dos pequenos produtores, dos produtos locais e dos ingredientes brasileiros. Os planos agora se voltarão para seu novo projeto: um mercado de peixes, também em Santos.

Dário com Batista e Claude Troisgros durante a disputa. Foto: Samuel Kobayashi

FINAL DO MESTRE DO SABOR FOI SEM ABRAÇOS, MAS COM MUITA EMOÇÃO

Sem toques e sem abraços por causa da pandemia, mas com muita emoção e frio na barriga. Assim, Dário Costa, finalista da segunda temporada de Mestre do Sabor, recebeu a notícia de que era o campeão desta edição. O santista disputou o prêmio de 250 mil reais com os chefs Ana Zambelli, Júnior Marinho e Serginho Jucá.

Com um menu intitulado Sinais, Dário criou para a entrada um crudo de Vermelho com leite de castanha e grapefruit, o prato principal foi uma anchova ao molho de camarão e a sobremesa, um biscoito de sablé com castanha de caju. Seus pratos conquistaram os mestres Kátia Barbosa, Leo Paixão e Rafa Costa e Silva. 

Qual foi o sentimento na hora que recebeu a notícia? A ficha não caiu naquela hora. Eu estava chocado. Apesar de eu ter ido bem nas provas, trabalhei muito meu psicológico para que em momento algum eu me sentisse convencido de que tinha mandado bem. Só para eu me manter calmo, seguro. Só que quando tinha acabado a sobremesa, que eu tinha conseguido fazer um monte de técnica na sobremesa, aquele sentimento começou a ficar aflorado e todo o nervosismo que eu não tive durante a prova veio naquele momento e quando eu recebi a notícia foi realmente meio chocante. Eu travei por um tempo, passou um filme de tudo que aconteceu, desde o começo, quando recebi o telefonema da produção, lembro que liguei para a produtora e disse que não queria participar porque achava que eu não seria um bom participante. E de repente passou esse filme todo, voltei para o palco e falei: “cara, ganhei, brother!!” Foi muito louco tudo, fiquei bem chocado.

Achou estranho não poder abraçar as pessoas? Com certeza! Foi muito estranho. Estava louco para dar um abração na Kátia, primeiramente. Na galera toda, todo mundo que fez tudo acontecer. Eu queria estar grudado neles, celebrando tudo. Porque tudo foi um sucesso, o programa, a competição... E cada pessoa que estava ali teve uma participação nisso, desde o pessoal que fazia a limpeza entre as provas, até o pessoal da direção. Minha vontade era abraçar todo mundo! Mas fica aqui o meu agradecimento a todos eles.

Foto: Samuel Kobayashi

Você parecia muito focado nas provas e parece não ter deixado o nervosismo atrapalhar. Acha que a inteligência emocional foi importante, além do talento nas técnicas? Sem dúvidas, foi um negócio divino. Até comentei agora nas minhas redes sociais, sobre um fato que aconteceu um dia antes. Esse fato me deu uma serenidade que não era minha, que não era normal acontecer. Eu sou mais ansioso normalmente. E, sem dúvida alguma, foi a prova que entrei mais confiante de todas. Entrei calmo, com a respiração baixa, com a mente controlada do início ao fim. Na sobremesa eu corri um pouco, mas foi porque eu precisava fazer muita técnica. Queria muito mostrar técnicas de confeitaria e não fazer sobremesas de cozinheiro. Eu acho que esse controle emocional, essa serenidade que me deu um dia antes, me estabilizou e me deixou calmo. Isso fez a diferença, com certeza.

Qual a parte mais difícil da prova para você? Por quê? O tema. Essa questão das cores nos limitava muito. Eu precisei dar umas quatro improvisadas que demandaram muita atenção. Isso estava igual para todo mundo, todo mundo teve que improvisar. O que ia definir eram nossas escolhas. Dentro das limitações que tive, consegui fazer boas escolhas e extrair o melhor.

Você teve uma torcida grande nas redes sociais. O que diria a eles nesse momento? Minha mensagem para todo mundo que torceu é muito, muito, muito obrigado! Foi muito emocionante ver uma torcida tão grande para um cozinheiro. Nossa profissão sempre foi tão esquecida e sinto que cada vez mais está rolando uma exaltação. Eu fico muito feliz, quero agradecer todos. Sem dúvidas, a torcida somou para que eu me mantivesse focado e concentrado em tudo que estava acontecendo naquele momento. 



Veja Também