Daniel Rangel sobre “Marilex”: “Relação forte, além de sexo”

Ator, que se diz um namorado à moda antiga, fala da fase do casal em Malhação


  • 22 de agosto de 2018
Foto: Vinícius Mochizuki


Por Luciana Marques

A partir da próxima quinta, dia 23 de agosto, o público de Malhação: Vidas Brasileiras vai poder, aos poucos, desvendar os mistérios da história de Maria Alice (Alice Milagres). E os motivos, por exemplo, de ela travar quando o assunto é uma intimidade maior com o seu namorado, Alex, papel de Daniel Rangel.

E é com esse jovem ator de 22 anos, dos mais promissores de sua geração, que a gente teve um papo para lá de descontraído. E para Daniel, a relação de Maria Alice e Alex, o amado casal #Marilex, é sólida o suficiente para passar por todos os obstáculos. “Eles têm algo bastante forte, que vai muito além do sexo”, avalia o ator.

E na contramão de muitos garotos da sua idade, Daniel também revela que gosta das relações à moda antiga. Na entrevista, ele, que iniciou a carreira no teatro e já tem 12 peças no currículo, também festeja as suas conquistas na arte. Além de Malhação, o ator roda o longa Três Verões, de Sandra Kogut.

Maria Alice (Allice Milagres) e Alex (Daniel Rangel). Foto: Globo/Marília Cabral

Como está essa fase agora do Alex em Malhação?

Pois é! Ele estava na dúvida e teve a recaída com a Pérola (Rayssa Bratillieri). Agora ele está 100% com a Maria Alice. Estão felizes e apaixonados. Só que tem a questão da intimidade maior que os dois não conseguem ter. Eles não transam por um mistério da Maria Alice que a gente vai descobrir já já, porque a história dela está chegando. E aí que eu acho que esse mistério vai ser desvendado. A gente vai entender as motivações, e quais são as questões dela, para eles não terem uma intimidade maior. Eu acho que a partir daí eles vão poder ter um namoro sem problema nenhum.

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Para você, qual seria esse mistério?

Eu acho que aconteceu alguma coisa em Barretos que não sabemos. Ela está morando no Rio e não sabemos o que aconteceu lá para ela ter essa barreira com a vida sexual.

O namoro desses personagens flui de forma mais lenta. Você acha que é diferente dos relacionamentos atuais, e é o amor que prevalece?

Realmente, as coisas hoje em dia estão muito mais rápidas. Ninguém está querendo perder tempo. Mas eu sou mais à moda antiga mesmo. Não é só sobre o sexo que os dois têm ou não, mas sobre a cumplicidade e amizade. Eles começaram muito amigos. Quando ainda namorava a Pérola, ele e a Maria Alice foram criando uma amizade muito grande. Dessa amizade que veio o amor. A relação que eles têm é muito forte, vai muito além de sexo.

Com quem você deseja que o seu personagem fique?

Eu acho que o Alex ama a Maria Alice. Eles vão enfrentar esse problema juntos e vão poder viver esse amor. Mas eu, Daniel, posso falar que sou muito sortudo de poder contracenar com a Raíssa (Bratillieri) e com a Alice (Milagres). Elas são atrizes incríveis, viraram minhas amigas, e gosto muito de trabalhar com as duas.

O elenco também é muito unido fora dos estúdios?

Às vezes, saímos daqui direto para o japonês, para um rodízio. Se é folga, vamos à praia. Os nossos horários são mais parecidos, então, é mais fácil para marcar alguma coisa do que com os nossos amigos que estão fazendo outras coisas.

Foto: Vinícius Mochizuki

Alex sempre foi um cara do bem e, de repente, acabou envolvido em um caso de drogas. Como você sentiu reação do público nesse momento?

A partir do momento que o Alex foi para um caminho mais torto, a galera ficou meio confusa. Mas acho que o legal desse personagem é justamente isso, é mostrar que as pessoas são humanas, erram. Ninguém nasce perfeito. Por mais que ele tenha uma família estruturada, ele é humano, erra. Acho bacana a gente reforçar que as pessoas erram, mas o que importa é o que elas fazem com esses erros. Se querem consertar, melhorar. E eu acho que o Alex sempre quer melhorar. Ele vê que errou, corre atrás para consertar esse erro e se tornar uma pessoa melhor.

Como tem sido para você abordar temas como esse para um público tão jovem?

Eu acho que temos uma responsabilidade grande de conscientizar essa galera. A gente acaba virando referência para eles, que são mais novos que a gente ou alguns da nossa idade. A maioria está na idade de construir caráter, valores. Então, temos que ter muita responsabilidade na hora de tratar desses temas e, principalmente, dessa receptividade. Querendo ou não, eles acabam vendo a gente como um canal. Apesar de estarmos aqui representando um papel, o Alex, eles não têm como falar com o Alex. Então, vão procurar a pessoa mais próxima do Alex, que sou eu. Eu acho importante termos essa responsabilidade de dar o apoio, mas no limite também.

Você vê alguma semelhança sua com o Alex?

Eu me identifico bastante com ele, até com essa coisa dos amigos da escola. Eu tenho muito isso até hoje. Já saí da escola tem seis, sete anos, e eu falo diariamente com amigos que estudaram comigo a minha vida inteira. Criei amizades fortes. São pessoas que, mesmo eu morando no Rio, e eles em Campos (dos Goytacazes), vêm me visitar. E o Alex é esse cara muito comunicativo. Eu também tenho uma relação muito boa com a minha família, graças a Deus. E ele é um cara que está sempre para cima, tentando ajudar todo mundo. Acho que eu sou esse cara também.

Foto: Vinícius Mochizuki

E como é a experiência de morar sozinho no Rio de Janeiro?

É muito louco! Às vezes, paro para pensar nas coisas que aconteceram. Eu estava em casa assistindo a série This Is Us, que é maravilhosa, e choro assistindo. Depois de um capítulo que era sobre família, amigos e relação, fiquei chorando muito e olhando para minha casinha e falei: ‘Cara, era tudo que eu sempre queria. Era o meu sonho’. Aí eu olhei e a minha realidade hoje era o meu sonho.

Malhação tem um público muito fiel. Como você lida com a exposição e o assédio?

Eles são ativos na rede social. Não tem como ler tudo, ainda mais hater. Hater não leio mesmo. Eu acho que com o sucesso e o fracasso, se você acreditar em qualquer um dos dois, você vai cair em uma armadilha. Nenhum dos dois é real, é momento. O que está em foco é sempre o nosso trabalho, o trabalho que eu já estava fazendo no Rio, desde que vim para cá há seis anos. Na minha primeira peça, pegando quatro ônibus para ir ensaiar, depois voltar para casa. Graças a Deus, estou em um trabalho mais estruturado agora. Tem uma pessoa que cuida do figurino, outra, do cenário. Antes, no teatro, eu fazia tudo isso, todas as funções. Inclusive, recebia o dinheiro da bilheteria. Então, que bom que eu estou em uma empresa estruturada, aí eu fico focado no meu trabalho de ator.

Qual o seu sonho profissional?

Acho que continuar fazendo o meu trabalho dessa forma que estou conseguindo fazer. Há pouco tempo, por exemplo, estava conciliando as gravações de Malhação com um longa. Eu gosto muito disso. Quando eu saí da filmagem do longa, o Rogerio Fróes, que é um ator maravilhoso, falou para mim: ‘Você saiu do cinema, agora vai para televisão e à noite vai para onde? Vai para o teatro?’. Aí eu falei: ‘Rogério, esse é o meu sonho. Vai ser meu sonho fazer cinema de manhã, Malhação à tarde e teatro à noite’. Então, meu sonho é isso, é conseguir conciliar essas três áreas e estar sempre trabalhando.



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