Cristina Lago estreia três séries: “Mercado mudou”

Atriz vê produções do gênero aquecendo o audiovisual


  • 14 de agosto de 2018
Foto: Sergio Baia


Por Luciana Marques

A paranaense Cristina Lago, de 36 anos, reconhecida por trabalhos no cinema como o longa Maré, Nossa História de Amor, de 2007, de Lúcia Murat, comemora uma fase especial na carreira. Até o fim do ano, ela poderá ser vista em três séries: Pacto de Sangue, do Canal Space, Magnífica 70, da HBO, e Lendas Urbanas, da Record TV, está última, de terror. “Este tipo de desafio, do desconhecido, me entusiasma”, conta.

Para Cristina, não há dúvidas de que o Brasil já produz esse formato com produção e roteiros de alto nível. E o melhor de tudo é ver o aquecimento do mercado para roteiristas, técnicos, atores e profissionais em geral da área. “Acho que antes nem podíamos dizer que havia um 'mercado' com tão poucos canais produzindo dramaturgia”, avalia ela, que atuou ainda em tramas na TV como I Love Paraisópolis, Sob Pressão, PSI e Os Gozadores, e longas como Bruna Surfistinha.

Confira abaixo esse papo ótimo com a atriz, que iniciou a carreira na dança e admite que a carreira artística é uma “batalha incessante”.

No longa Maré, Nossa História de Amor. Foto: Reprodução Youtube

Até o fim do ano, você estará no ar em três séries. Como tem visto a produção no Brasil desse tipo de formato. Acha que já estamos num nível quase como o lá de fora?

A produção das séries vem crescendo muito no Brasil, não só na quantidade mas na qualidade. E é visível nossa evolução em todos os departamentos, incluindo os roteiros. Temos excelentes profissionais que, agora com a abertura do mercado, encontraram um suporte maior para desenvolver seus projetos. Um bom roteiro precisa de tempo para ser elaborado e aprimorado, e tempo é dinheiro. Quanto mais acreditarmos na produção nacional e mais investirmos, melhor ela ficará. E digo com tranquilidade que o Brasil já produz séries de alto nível.

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O que mais instiga você como atriz nesse formato série?

A oportunidade de contar uma boa história sempre me instiga. Hoje, as séries estão inovando não só na forma de se contar uma história mas também na diversidade de gêneros. Acabei de protagonizar o episódio O Homem do Saco  da  série de terror Lendas Urbanas, algo que  nunca tinha feito antes. Foi um processo fascinante comandado pelo Fernando Coimbra, um dos melhores diretores de cinema da sua geração. Nunca tinha imaginado fazer terror, mas esse tipo de desafio, de trabalhar com o novo, com o desconhecido, me entusiasmava.

Há alguma série em que esteja “viciada” no momento?

Sim! Amo ver séries e estou terminando The Handmaid's Tale. Além de ter um elenco incrível e uma direção de fotografia impecável, fala de temas muito pertinentes. Quem ainda não conhece, vale a pena dar uma espiada.

No filme Bruna Surfistinha, com Deborah Secco. Foto: Divulgação

Além de séries, você também faz muito cinema. Na sua visão, o mercado mudou para os atores, que antes dependiam muito só da TV aberta?

Sim, o mercado mudou bastante. Muito em função da lei do audiovisual que obriga os canais fechados a terem um percentual mínimo de produção nacional. Além de movimentar a economia do país, essa lei ampliou consideravelmente o mercado de trabalho, não só para os atores, mas também para os técnicos do audiovisual. Acho que antes nem podíamos dizer que havia um 'mercado' com tão poucos canais produzindo dramaturgia. Esse mercado começa a aparecer e está em plena ascensão, e acho que ainda vai mudar muito com a forte chegada do streaming no Brasil. Vários canais nacionais e internacionais estão anunciando produções originais para suas plataformas. E o melhor disso tudo é que, além de aumentar a oferta de trabalho, a qualidade vem crescendo muito, por vários motivos, desde maiores investimentos até o exercício constante que nos aprimora no ofício.

Você é cria da dança, depois estudou teatro, chegou a iniciar a faculdade de direito... Como foi a sua batalha até chegar aqui, porque não é fácil a carreira de ator, né? Acha que tudo tem acontecido no momento certo?

Sim, acho que tudo acontece no momento certo! Mas realmente essa carreira não é nada fácil. Eu comecei a estudar direito e logo vi que aquilo não era para mim. Estava infeliz na faculdade, não me via sendo advogada e nem em outra carreira mais tradicional. Saí da cidade onde morava e vim para o Rio de Janeiro obstinada a batalhar o quanto fosse para viver de arte. Comecei na Angel Vianna que é uma escola de dança que recebe pessoas com diferentes formações, que tem uma filosofia mais ampla da dança e de suas possibilidades. Foi maravilhoso ter começado por ali. Acho que me trouxe um olhar mais livre para as artes. Paralelo à dança, fui estudar teatro. E o trabalho do ator me arrebatou de tal forma que até deixei a dança em segundo plano. Fui aos poucos passando nos testes e começando minha carreira. A primeira grande oportunidade como atriz veio no longa Maré, Nossa História de Amor, da Lúcia Murat. E depois os caminhos foram se abrindo. Mas o jogo nunca está ganho, é uma batalha incessante. A carreira do ator é por natureza inconstante, então temos que estar sempre nos reinventando para não deixar a peteca cair. E se cair, a gente vai lá, pega e levanta de novo.

Com Rodrigo Meirelles, na série PSI. Foto: Mijuca Saldanha

Você dança e já cantou também em trabalhos anteriores. Fazer um grande musical também seria um desejo? 

Cantei no meu primeiro filme, o Maré, e também em algumas peças de teatro que tinham música ao vivo mas que não eram exatamente musicais. Gosto do gênero, mas sei que teria de estudar mais canto para fazer um grande musical.

Você tem um currículo bom no cinema, com prêmios e trabalhos elogiados, como em Maré, Nossa História de Amor e Olhos Azuis. É uma vertente que te cativa muito e pode-se dizer que te ajudou a ter mais reconhecimento como atriz?

Certamente! Ter trabalhado com grandes diretores como a Lúcia Murat e o José Joffily me deram respaldo como atriz. Amo fazer cinema, amo muito, mas também amo fazer TV e teatro.  O que me move é estar em cena falando de um assunto que me afete, que nos faça pensar e questionar as coisas... De preferência junto de pessoas queridas!

Cristina por Cristina, como se definiria?

Nossa, muito difícil essa pergunta. Posso dizer que tenho aprendido bastante, mas ainda estou me descobrindo. 


 



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