Conheça a história de Davi Benvindo: Violinista faz das ruas o seu palco de gala

Autodidata, ele conta como a sua música toca o coração das pessoas, do mendigo ao mais rico


  • 02 de fevereiro de 2020
Foto; Amon R.


O Portal ArteBlitz acredita que a arte transforma, provoca, toca a alma, faz a pessoa soltar sua imaginação e a ajuda a ter pensamento crítico. Estamos falando de todas as formas de arte... A de rua, então, pode ser insignificante para alguns, mas tem uma beleza e uma potência inimagináveis para outros. E é isso que nós tentaremos mostrar em algumas matérias aqui. O Davi Benvindo é um dos casos que encanta ao tocar o seu violino nas ruas do Rio de Janeiro.

Ele não tem um ponto fixo, mas o certo é que ele se prepara todos os dias para fazer a sua melhor performance. Tanto que não sai de casa sem a sua calça social, a camisa e o colete. Afinal, o palco de gala dele é ali, com milhares de pessoas circulando na sua plateia. “Quando começo a tocar o meu violino, as pessoas me veêm diferente, me abraçam. A minha música começa a tocar nessa pessoa. Às vezes, ela está triste, deprimida, precisando de um carinho, precisa viver algo espiritualmente... E a música ajuda.”, reflete ele.

Benvindo é praticamente autoditada, ele só teve três meses de aulas com o tio Wilson, que é maestro, e depois fez o seu próprio método de estudo, já que não tinha dinheiro para pagar curso. Depois de um tempo ele fez a prova para bolsista da orquestra sinfônica da Companhia Siderúrgia Nacional e tirou a maior nota. E lá ele começou a se envolver com o violino, estudar mais e mais... E já se vão 20 anos. E hoje ele toca também em festas de aniversário, casamentos, eventos em geral.

 

 

COM A PALAVRA, DAVI BENVINDO:

“Às vezes, até um andarilho na rua, ele para para ouvir o meu violino e ele tira todas as moedas que tem, que já aconteceu, e joga no meu case. Eu digo, não faça isso, você precisa mais do que eu. E ele diz, você é arte, você merece. E lágrimas desceram dos meus olhos porque uma ação destas é muito nobre.”

“Outro dia estava tocando numa passarela, a pessoa passa e diz, pôxa, eu estava tão triste e senti Deus quando você tocou. Isso é o que mais me toca, porque o violino é o meu instrumento de trabalho, mas também sou muito focado no lado espiritual. A música é muito importante para o lado espiritual”.

Foto: Amon R.

“Eu conhecia mais funk e outros ritmos. Até um dia que um amigo trouxe um CD de Beethoven e Vivaldi. Eu comecei a ouvir e nem acreditava que aquilo era som de violino, porque o meu era tão ruim. E eu disse, vou aprender e aí comecei a estudar violino. Eu não conhecia, nunca tinha ouvido ou apreciado música clássica. Comecei a me dedicar e depois virou vício.”

“O médico quando vai trabalhar coloca o seu jaleco, o policial, a farda. E eu sou músico, violinista, eu não posso chegar com uma bermuda, pegar o violino e fazer. Como eu toquei em orquestra sinfônico, quero manter o estilo, é um instrumento clássico, muito nobre. E não é porque você está tocando na rua, que tem que estar mal vestida.”

Foto: Amon R.

“Eu nunca passei fome, quando eu estou com fome, as pessoas pagam comida pra mim, me abraçam. Até querem que eu fique na casa delas, às vezes. Mas eu sempre dei um jeito trabalhando, nunca passei fome, nunca andei mal vestido.”

“Às vezes, um real, ajuda. Hoje você pode não precisar de uma boa música, mas amanhã, quando tiver triste, com depressão... Música também é terapia, então pensa um pouco na galera que faz o trabalho na rua”.

Foto: Amon R.

Davi Benvindo: Facebook – Davi Benvindo ; Instagram - @benvindodoviolino



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