Chay Suede, o Ícaro: De noveleiro a astro de trama do horário nobre

Sucesso na pele do jovem rebelde, ator avalia escolhas do personagem


  • 31 de maio de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Desde a sua primeira cena em que apareceu jogando capoeira em Segundo Sol, o nome de Chay Suede já estava entre os mais comentados nas redes sociais. A beleza, lógico, se destaca, mas o fato é que esse jovem ator descoberto no programa musical Ídolos da RecordTV, e que estreou em novelas na mesma emissora em Rebelde, vem provando seu talento a cada novo trabalho.

Em 2017, ele viveu o Joaquim Martinho em Novo Mundo. Agora, ele tem se sobressaído como o Ícaro da trama das 9. Criado pela tia, (Fabíula Nascimento), separado ainda novo da irmã, Manuela (Luísa Arraes), e crescendo achando que a mãe, Luzia (Giovanna Antonelli), é uma assassina e fugitiva, ele transforma-se num jovem rebelde. Mas mostra o lado doce na paixão por Rosa (Letícia Colin).

Além da repercussão positiva de sua performance, Chay vibra também em poder atuar pela primeira vez em uma trama de João Emanuel Carneiro. Até porque o ator confessa que sempre foi muito noveleiro. Na entrevista, ele conta qual a sensação de ter vários ídolos agora como colegas de trabalho. 

Ícaro (Chay Suede). Foto: Globo/João Miguel Júnior

Por toda a situação difícil que o Ícaro passou na infância, ele acabou sendo um jovem rebelde. Como foi a construção desse personagem?

A primeira infância dele é maravilhosa, ela começa a ficar difícil lá pelos 7 anos quando ele perde a mãe, ele não sabe exatamente o que aconteceu. Ele acha que ela matou o pai... Mas ele também não tem certeza do que aconteceu, se ela está presa, se fugiu. Então, o que acontece é que essas lacunas acabam causando coisas lá na frente, e ele se torna uma pessoa um pouco arredia, uma pessoa inacessível.

Mas ele foi o único que acabou escolhendo morar com a tia...

É, ele ficou com a tia, mas ficou muito ferido com essa tia a partir do momento que ela adotou a irmã para essa família rica. É uma família que ele não gosta e que nem mesmo a tia gosta, mas é a família que foi escolhida para adotar a irmã. Então, ele sentiu isso ainda como uma ferida aberta.

O personagem acaba virando mesmo garoto de programa?

Ele se prostitui em algum momento. Não sei se vira um garoto de programa, não sei se é esse o movimento, mas ele se prostitui.

E como é que foi isso, como é que foi a construção dessa parte?

Não construí nada, porque ele não é um garoto de programa. Porque ele briga com a tia, sai de casa, tem um amigo que já está na mamata, já dá o caminho das pedras para ele, ele precisa de uma grana para ontem e entra nessa. Ele não é um prostituto, nem um garoto de programa, ele é um garoto completamente como qualquer outro. Não que um garoto de programa não seja como qualquer outro, mas ele não vive isso há muito tempo, não é uma realidade dele há anos, nem nada do tipo, ele inaugura essa faceta e descobre que o buraco é mais embaixo.

Foto: Globo/João Cotta
 

Você diria que ele se perde em algum momento?

Não sei se perder é a palavra certa não, eu não diria que ele se perde.

É por uma necessidade, então?

Necessidade todo mundo tem, né? E nem todo mundo virou garoto de programa ou garota de programa. É uma coisa dele mesmo, ele achou que dava pé e foi.

O personagem pratica capoeira. Você já tinha feito antes?

 

Eu nunca tinha feito e foi uma coisa que eu gostei muito de fazer, descobrir, inaugurar na minha vida. Acho que vou continuar fazendo, aliás tenho feito sempre.

E você acha que é muito dificil?

A capoeira é um exercício completo. Até a década de 30, era uma prática proibida. Em 32, o Bimba, lá na Bahia, inaugurou uma academia chamada luta regional baiana e também era conhecido esse esporte como ginástica baiana ou brasileira. Realmente, eu acho que é uma ginástica brasileira, que a gente tem que se orgulhar muito. É um esporte completo e muito difícil, exige muito mais fisicamente do que a gente imaginava, e tem a parte musical muito linda, uma parte histórica. As aulas não são divididas, você aprende história enquanto aprende a lutar, enquanto aprende a tocar um instrumento novo, enquanto aprende o porquê de estar cantando aquela música.

Com a namorada, Laura Neiva. Foto: Reprodução Instagram
 

E como é que foi a questão prosódia para você?

Talvez tenha sido a parte mais divertida. A gente teve muitos estímulos diferentes para acessar a maneira baiana de se construir uma ideia ou, então, uma frase e isso se tornar algo identificável ao ouvido de qualquer pessoa. Mas desde a preparação com o Eduardo Milewicz, a gente já tinha a presença de uma fonoaudióloga. A gente estudou isso de diversas maneiras. Então, a gente foi descobrindo primeiro, como seria essa prosódia para cada personagem, porque, apesar de a Bahia ter um sotaque comum, dependendo da classe social ou de que região da Bahia, você está falando, essa prosódia muda, as gírias, a maneira de construir as ideias também. Então, acho que a gente ainda está nesse processo, acho que ele não tem fim, vai até o fim da novela. E tem sido muito prazeroso.

E como é que foi gravar na Bahia?

Foi foi muito bom. Eu gravei pouquinho tempo lá. Eu vou muito para Salvador, sempre, então, eu estou muito familiarizado com a cidade, com os lugares.

O que mais te encanta em Salvador?

Eu acho que a chegada. Nada que se constrói com a mente, mas é literalmente a energia, nada explica a chegada em Salvador.

Você mudou o visual um pouquinho, né?

Mudei, cortei o cabelo bem baixinho. Na verdade, eu já tinha mudado antes, e o visual que eu estava acabou ficando com o personagem. Eu já estava de cabelo curto, assim que acabou Novo Mundo, eu já cortei.

Mas você está mais forte...

Estou! Malhei bastante também.

Você é um ator jovem e tem feito muitos trabalhos um atrás do outro. O que acha que faz você ser tão querido, ser chamado por autores diferentes?

Não sei, na verdade, eu acho pouca coisa, eu fico mais agradecido do que achando coisas. Não fico especulando muito sobre o porquê me chamam ou não, mas eu fico sempre feliz quando lembram de mim.

Como está sendo trabalhar pela primeira vez com o João Emanuel Cardoso?

Muito bom, e ele é um autor muito generoso, humilde e brilhante. Ele não só é meu autor favorito de novelas, falando como espectador, como também é um dos mais simples e humildes que já conheci. Na primeira leitura, ele chegou para a gente e falou: ‘Galera, isso aqui é uma novela, a gente tem muitos capítulos pela frente, eu sou uma pessoa, escrevo bastante, nem tudo vai estar como gostaria que estivesse, sintam-se à vontade para incluir coisas de vocês no texto’. Ele deixou a gente muito livre para trabalhar com o texto dele, o que causou uma empatia imediata.

Ícaro (Chay Suede) e Manuela (Luisa Arraes). Foto: Globo/João Miguel Júnior
 

E qual o trabalho dele que você mais gostou?

Avenida Brasil, lógico, do início ao fim. Eu fui muito noveleiro durante a minha infância e adolescência. E se você falar um ano, eu falo a novela que estava passando, nesse nível. Então, eu sempre gostei, sempre fui um espectador de novela. Eu lembro de Cobras e Lagartos, quando passou me marcou, antes, Da Cor do Pecado, eu amei também, mas realmente Avenida Brasil acho que foi a melhor novela que eu já vi.

Mas por quê?


Eu gosto do jeito nada óbvio que ele monta os personagens, os personagens são muito contraditórios. A gente perde o básico disso de mocinho e vilão, que geralmente o melodrama tem como ponto de partida. Isso eu já acho muito legal, ele subverter o lugar dos personagens e, além de tudo, normalmente é um texto meio perigoso, né? Coisas perigosas acontecem, estão acontecendo e vão acontecer. Eu acho muito legal, acho que o audiovisual com risco e com perigo, funciona bem.

Você imaginava há anos atrás fazer uma novela com atores que admirava?

Todo mundo que eu era fã e conhecia o trabalho, hoje eu contraceno. Eu fui filho da Fernanda Montenegro com a Nathalia Timberg em Babilônia, e foi uma coisa de louco, foi a experiência de fazer o filho de ídolos. Por exemplo, nessa novela, Fabíula Nascimento, que eu vi a primeira vez em algum filme que hoje já nem me lembro qual, e fiquei completamente louco pelo trabalho dela. Emílio Dantas, eu sentia que iria gostar muito, sabe aquela pessoa que você sente que vai amar conhecer? Dito e feito, a gente está muito amigo e contracena também. A Giovanna Antonelli, desde que eu me entendo por gente, ela vai ficar puta comigo (risos), mas acho isso lindo de se dizer, eu conheço o trabalho dela, vejo ela trabalhar e admiro o que ela faz. Talvez em O Clone, ela era o meu 'crush', eu era criança, tinha uns 10 anos, e agora vou fazer o filho dela. A Luisa Arraes que está fazendo minha irmã, a gente já trabalhou em Babilônia, e fez agora um filme do Jorge Furtado também, Rasga Coração, e a gente virou tipo unha e carne. A Leticia Colin que tinha feito Novo Mundo’ comigo e agora está fazendo a Rosa... Enfim!

Foto: Globo/Paulo Belote

Você acha que Rebelde, na RecordTV, foi um marco importante no pontapé para a sua carreira?

Foi o meu primeiro trabalho e por isso é importantíssimo. Foi um divisor de águas com certeza, porque eu não era ator antes, e nem tinha pretensão de ser.

Mas você já cantava, não?

Eu cantava, mas também não cantava profissionalmente. Eu participei do programa Ídolos como candidato, e aí quando já estava mais para o final, eu recebi a proposta para fazer a novela. Eu não era ator, mas ainda assim eles achavam que eu poderia fazer. E apesar de eu ter ficado um pouco contra no início, meu pai nesse momento foi muito importante. Ele me incentivou a fazer, mesmo eu não estando à vontade com essa profissão, ele me incentivou, e fez toda a diferença na minha vida

Naquela época, na coletiva de Rebelde, você falava muito empolgado do seu personagem, parecia que tinha nascido para ser ator...

Que ótimo (risos)! Eu nasci para ser ator, só que naquela época eu ainda não sabia. Eu fui sentindo aos poucos, na verdade. Eu acho que talvez eu tenha tido essa consciência de trabalho, da importância desse trabalho na minha vida, acho que a partir de 2014, quando eu conheci o Eduardo Milewicz em Império. Ele era nosso preparador e ele me despertou para uma série de coisas que eu não estava atento e que nem achava que tinham a ver com a profissão.

Atuar agora é mais importante para você do que a música?

Eu não coloco dessa maneira, mais ou menos...



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