Chan Suan: “Infelizmente ouço piadinhas como "arigatô" num país com povo tão diverso”

A Naomi de A Dona do Pedaço ressalta importância do respeito à diversidade


  • 29 de outubro de 2019
Foto: Lucio Luna


Intérprete da Naomi, secretária da construtora de Agno (Malvino Salvador) em A Dona do Pedaço, que precisou ouvir muitos desaforos calada quando Fabiana (Nathalia Dill) era sua chefe, Chan Suan, de 36 anos, também vem conquistando seu espaço com muita batalha. Nascida na China, mas morando no Brasil desde os cinco anos, ela conta que ainda tem que lidar diariamente com o preconceito. "Infelizmente eu ouço piadinhas como "arigatô" num país com um povo tão diverso. É triste perceber que as pessoas têm dificuldade em respeitar a diferença. Em São Paulo, o oriental é mais presente, então, talvez seja mais "normal" pra eles. Mas no Rio e no restante do país, somos chamados de "japa", "olho puxado", "xing ling", e isso é mega desrepeitoso”, diz.

E problemas deste tipo, ela enfrenta desde a adolescência, na época da escola, quando era do grupo dos nerds. "Ser nerd sempre foi motivo de orgulho pra mim. Mas como todo adolescente nerd, rolou um bullying, claro. Não por ser eu mesma, mas simplesmente pelo fato de andar com o grupo de nerds, que ainda por cima eram roqueiros grunges (risos). Recebi várias ligações em minha casa me chamando de “feia” e “chinesa”. E eu sabia exatamente quem era", lembra.

Naomi (Chan Suan). Foto: Reprodução Instagram

A atriz acredita no respeito às diferenças e ressalta a importância de autores como Walcyr Carrasco pensarem no tema quando escrevem uma novela. "Por ser oriental e ter idiomas, consigo pegar alguns trabalhos específicos. Mas muitas vezes fico limitada. O Walcyr Carrasco pensou nessa diversidade, sou grata demais a ele e ao produtor Guilherme Gobbi", conta.

E por acreditar nesta luta, ela participou recentemente do 1º Desfile #xôpreconceito. Na passarela, crianças “fora do padrão da moda”, como autistas, de baixo poder baixo aquisitivo, desfilaram com artistas da TV. "Acho que nós atores somos grandes comunicadores, e acredito que podemos usar isso para o bem. A inclusão é uma luta diária para muitos, e dar voz a eles é uma grande oportunidade de poder sermos humanos melhores. Saber que posso contribuir para a autoestima de alguém é engrandecedor" ressalta Chan.

Foto: Lucio Luna

Entre os trabalhos de Chan, ela atuou na quarta temporada de Pé na Cova, fez várias campanhas publicitárias, peças e 10 filmes. Entre os trabalhos no cinema, as produções internacionais como o longa português O Ornitólogo (The Ornithologist) e o americano Lady Bloodfight, uma co-produção com Hong Kong.



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