Carlos Daniel, imitador de Xuxa, dribla bullying e realiza sonho

Destaque em rádio, ele participa de A Praça é Nossa: “Templo Sagrado”, diz.


  • 18 de março de 2018
Foto: Divulgação


Por Luciana Marques

A semelhança da voz de Carlos Daniel com a de Xuxa Meneghel chega a assustar. Fã da estrela, ele acabou usando isso em seus trabalhos como locutor de loja. “É divertido ver a cara do público que passa achando que é a Xuxa. Quando vê, sou eu ali fazendo os anúncios”, diverte-se. Natural de Boa Vista, Roraima, Carlos deixou sua terra natal em 2010 e foi para São Paulo, como diz, com a “cara e a coragem”.

Após participar de atrações de TV imitando a Rainha, ele foi convidado, há cerca de sete anos, para participar do Café com Bobagem, da Transcontinental FM, em que atende os ouvintes como o Xuxinha da Trans. Desde o ano passado, realiza um outro sonho, atuar no humorístico A Praça é Nossa. “Hoje, estou escrevendo uma nova história para a minha vida”, ressalta.

Para Carlos, que já teve a oportunidade de estar mais de uma vez diante de sua musa, os novos sonhos são ajudar a sua mãe e ter um contrato assinado. Na entrevista ao Portal ArteBlitz, que também pode ser vista em vídeo, ele lembra do bullying que enfrenta desde a infância. “Já sofri muito, mas sempre acreditei que um dia é melhor do que o outro. Por isso, não ligo. E o meu conselho é: respeito o próximo!”, afirma ele, que tem a conta do Instagram @xuxinhadatrans.

"Todo o mundo me faz essa pergunta... A sua voz é natural, não é natural, você força? Sofri muito bullying na escola, não foi fácil. Mas a minha voz sempre foi assim. É um presente de Deus conseguir imitar esse ser iluminado que é a Xuxa."

Foto: Arquivo Pessoal

- Como surgiu essa sua paixão pela Xuxa?

Eu tinha uns 6, 7 anos, quando eu via aquela loira, descendo daquela nave, linda, com aquele semblante, parecia um anjo. Foi amor à primeira vista. Me encantei com ela de cara, acho que não só eu, como o Brasil todo. Quando ela cantava aquela música, “Bom dia amiguinhos já estou aqui...”. Nossa, foi a partir dali que começou a minha grande paixão, a minha grande admiração por Maria da Graça Xuxa Meneghel.

- Você sempre teve o sonho de seguir a carreira artística?

Não. Isso foi uma coisa que aconteceu de repente. Eu queria só conhecer a Xuxa, era o meu grande sonho. E eu não imaginava que ia acontecer tudo isso na minha vida. Foi algo, de repente, eu não escolhi, não decidi nada, tudo foi acontecendo. E quando eu fui ver, já estava há bastante tempo no meio artístico.

- Conte um pouco de sua batalha até conseguir espaço na área artística...

Não é fácil. E essa história de locutor de lojas de varejo, que eu faço, aconteceu também de repente. Eu não esperarava trabalhar com locução. E foi muito bom, me ajuda até hoje. Eu estou trabalhando na rádio, mas continuou como locutor em várias lojas. E é muito divertido, a cara do público que passa na frente da loja, acha que é a Xuxa, quando vê, sou eu ali (risos). É eu ali, fazendo as propagandas, os anúncios. Mas não foi fácil, cheguei em São Paulo, não tenho parente aqui, só pessoas que conheci e se tornaram a minha família. E agora eu estou escrevendo uma nova história para a minha vida. Não é fácil, mas eu sempre acreditei em Deus, e quando a gente acredita nele, nada pode com a gente.

"Tem aquela pessoinha que passa na frente da loja onde estou trabalhando e diz: 'Fala que nem homem, fala grosso'. Já sofri muito, mas sempre acreditei que um dia é melhor do que o outro. Por isso, não ligo. E só dou um conselho: 'respeite o próximo'.

Com Moacyr Franco em A Praça é Nossa. Foto: Arquivo Pessoal

- A sua voz sempre foi assim mesmo, fina? Há quem pense que é um personagem, rs...

(risos) Olha, todo o mundo me faz essa pergunta. É natural, não é natural, você força? O que eu posso falar sobre isso... Sofri muito bullying na escola, não foi fácil. Mas sempre acreditei que um dia ia conhecer a Xuxa. E isso me dava mais força ainda de realizar esse sonho. Mas a minha voz sempre foi assim. Eu tenho uma voz rouca e fico pensando, como é que consegui fazer essa voz. Quando ouço, é muito parecida com a da Xuxa, e eu sou uma pessoa rouca. É isso que não dá para entender, é um presente de Deus conseguir imitar essa pessoa tão maravilhosa, esse ser iluminado que ensinou a gente a lutar pelos nossos sonhos, a nunca desistir do objetivo.

- Por ter essa voz fina, por ser tão fã da Xuxa, você já acabou alvo de certo preconceito?

Olha, já, viu? Passei por cada uma... Aquela pessoinha que passa pela frente de você e diz assim: 'Fala que nem homem, fala grosso. Você é homem, você é macho, fica falando com essa voz...”. Mas sabe o que eu ficava pensando quando alguém falava essa bobeira para mim? E eu estava trabalhando, e essa pessoa passando à toa. E eu fico pensando, será que vale a pena realmente, criticar, julgar. Quem somos nós para julgar os outros? Eu estou ali, trabalhando, ganhando o meu pão. Então, já sofri muito, mas sempre acreditei que um dia é melhor do que o outro. Por isso que eu não ligo. Entra por um ouvido, sai pelo outro. Continuo fazendo o meu trabalho com o maior carinho, respeito, porque muita gente fala assim, você representa a Xuxa em qualquer lugar que você vai. E quero mesmo representar e fazer bonito. Mas sempre tem aquelas pessoas bobas com um pensamento pequeno. Então, eu tenho um conselho para elas: 'respeite o próximo'.

 

 

- E como surgiu a primeira oportunidade de fazer humor?

Foi muito legal, e de repente, como as coisas acontecem na minha vida. Estava gravando o programa da Eliana e, na saída, encontrei no corredor o José Américo. Ele me cumprimentou, ele tinha me visto no Faustão. E me convidou para eu ir um dia no Café com Bobagem, na rádio Transcontinental FM. quando eu cheguei em São Paulo, eu já estava tentando conhecê-los. Porque eu conheço a história deles lá de Roraima, eu sou de Roraima, de Boa Vista. E eu admirava muito o humor deles, até hoje eu admiro. Estou lá trabalhando, participando do programa. Mas eu tenho uma grande admiração por todos, pelo Ivan, pelo Zé Américo, pelo Oscar Pardini, pelo Valmir Jorge, por todos. Então, foi isso, um convite do José Américo. Eu fui no programa, os ouvintes amaram e até hoje eu estou lá e muito feliz.

"Fiquei muito feliz de participar de A Praça é Nossa. Não é todo o mundo que pisa ali, porque aquele estúdio é sagrado, principalmente para o Carlos Alberto de Nóbrega."

- Você sempre teve a veia artística forte ou isso surgiu aos poucos?

Foi aos poucos. Eu estou participando do Café com Bobagem há uns seis, sete anos. Mas eu não aprendi... Passa o tempo e a gente acha que sabe e não sabe nada. Cada dia eu aprendo um pouco mais com eles, porque o Café com Bobagem é uma escola do humor. Eles que começaram tudo, essa coisa dos humoristas em rádio. Então, eu ainda estou aprendendo, se a gente acha que sabe de tudo, não sabe de nada.

Na rádio Transcontinental FM. Foto: Arquivo Pessoal

Fale um pouco de sua participação na rádio...

Ah, é maravilhoso estar no Café com Bobagem. Eu converso, interajo com os ouvintes. Tem a caixinha premiada do café, eu gravo os vídeos para o instagram da rádio, e é muito divertido. E os ouvinte gostam demais da personagem que eu faço que é a Xuxinha da Trans. Todo o mundo acha que está falando com a Xuxa e é comigo. E é muito divertido. Eu só tenho que agradecer a todos da Transcontinental, ao Cid Luiz, e ao Café com Bobagem, só agradecer, admirar e aplaudir.

- Agora você está também atuando na Praça É Nossa, um dos humorísticos de maior sucesso da TV. Como está sendo essa experiência para a sua vida e carreira?

Nossa, maravilhoso. Estar diante daquele grupo seleto, daqueles humoristas maravilhosos. Foi um convite do Zé Américo, estou participando do Falta Horas. E é muito legal! O nome da minha personagem é a O Doido que Pensa que é a Xuxa. Eu faço pergunta para a Laura Müller, para o Serginho Groismann, quem faz o Serginho é o Renê, e a Laura, o Zé Américo. Então, fiquei muito feliz, não é para todo o mundo que pisa ali, que vai ali, porque ali é sagrado, aquele estúdio é sagrado, principalmente para o Carlos Alberto de Nóbrega. Então, eu só tenho a agradecer ao Zé, ao Carlos Alberto, a toda a produção da Praça É Nossa.

- E qual é o seu sonho para a carreira?

O meu grande sonho é ser contratado, ter uma estabilidade, um contrato, carteiro assinada. E eu queria realizar os sonhos da minha mãe, poder ajudar às pessoas próximas que precisam, quem eu também não conheço (risos). E quero realizar todos os meus sonhos, e que, graças a Deus, sempre realizo.



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