Camila Morgado:“Não tenho rede social, por opção. Não entendo!"

A idealista professora Gabriela, de Malhação, festeja papel e troca com jovens


  • 08 de março de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Redação

O primeiro capítulo de Malhação: Vidas Brasileiras, exibido nesta quarta, 7, já mostrou que a professora Gabriela, vivida por Camila Morgado, é a “mulher”. Além de cuidar da casa, do marido, Paulo (Felipe Rocha), e dos filhos, os gêmeos Flora (Jeniffer Oliveira) e Alex (Daniel Rangel), e Mel (Maria Rita), está sempre disposta a ajudar a resolver os problemas e dramas de seus 17 alunos.

E a vocação de Gabriela vai além do ofício, tem como ideal uma boa educação para todo o mundo. "Ela quer formar jovens pensantes. Só peço licença por estar representando o professor, porque tenho muita admiração por essa profissão tão admirável, mas tão mal remunerada”, avalia ela.

Neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, Camila fala de sua empolgação com o papel e de como está sendo trocar com tantos jovens. Ah, e ela revela que, por opção, não tem rede social. Agora, em Malhação, a pergunta é: 'Até quando?'

"Pedi muito à Natália (Grimberg - diretora) para trazer uma leveza à Gabriela, para ter frescor, porque já fala de muitos assuntos sérios, da educação inclusiva. Então, ela é leve com a família, alunos, atrapalhada com esse amor do passado..."

A professora Gabriela e seus alunos. Foto: Globo/Sergio Zalis

Cite alguma outra característica interessante da Gabriela...

Ela não tem muitos limites, também é um ser completamente falível, ela erra e muito. Mas tenta modificar, entender o que está acontecendo com aquele aluno. E ela entende os erros que ela comete, acho que ela vai descobrindo esses limites. É normal também, o professor lida com muitas coisas, tem uma posição que é delicada. Ele é um professor, às vezes, quase um psicólogo, um agente social. Essas barreiras ficam muito próximas, então, é um aprendizado. Aqui você pode ir, aqui não pode. Acho isso normal, faz parte.

Você chegou a pesquisar muitas histórias de professores, se inspirou em alguém?

Eu tive várias referências, a Globo mesmo fez um encontro com vários professores, foi maravilhoso, lindo! Professores incríveis, que mudam a vida, mudam a vida da escola, que conseguem, né? Porque é muito difícil o meio que a gente vive, nem sempre a gente consegue, uma coisa é querer, outra é conseguir. Conversei com muita gente, mais isso não quer dizer que eu seja uma professora (risos). Só estou tentando parecer uma, mas é uma profissão admirável, tão mal remunerada. Só peço licença por estar representando o professor, porque eu tenho muita admiração pela profissão e sei que só estou parecendo, eu não sou.

E como está sendo o contanto com essa garotada jovem?

É lindo, maravilhoso, estou muito contente. Primeiro, porque eles tem uma energia, estão muito empolgados, ansiosos. Muitos já vieram do teatro, alguns já fizeram alguns filmes, mas a televisão tem um público muito grande. Então, eu vejo que eles estão ansiosos, animados, querem muito que dê certo. E vai dar certo! Porque o projeto está lindo, e eu acho que vai ser uma troca bacana, porque é um elenco todo muito jovem. E eu acho que a gente vai aprender muito junto. A nossa idade tem uma diferença grande, então, eles também vão me ensinar muita coisa do mundo deles, que, para mim, já está um pouco diferente.

Foto: Globo/Raquel Cunha

"O professor lida com muitas coisas, tem uma posição que é delicada. Às vezes, é quase um psicólogo, um agente social. Essas barreiras ficam próximas, então, é um aprendizado. E a Gabriela é um ser falível, erra e muito também. E vai descobrindo os seus limites."

Qual a sua relação com rede social, por exemplo?

Eu não tenho nada, por opção! Também não entendo muito. Eles mesmo falam umas coisas para mim, e eu falo: 'O que que é isso? E eles: 'Ai Camila!' Tipo, como você não sabe? Acho que vou abrir um instagram porque o mundo virou isso agora, todo mundo já me mostrou, me comprovou que o mundo é isso! Até para trabalhar eu acho que é bacana também. Não tenho mais por causa de tempo, isso acaba te consumindo um tempo, e eu estou trabalhando para caramba, nem penso nisso. A última coisa que eu ia querer é publicar alguma coisa, porque você tá tão cansada, tem tanto texto para decorar... E outra coisa é mais por privacidade mesmo, invade muito. E eu sou super reservada, eu fico meio pensando, 'Será que eu vou abrir?' Não sei! Eles falam que o instagram para começar é o melhor. Vou ver…

A Gabriela já mostrou que tem algo de cômico também, é isso mesmo?

Tem! Isso é uma coisa que a gente pensou, pedi muito para a Natália (Grimberg-diretora artística), de trazer essa leveza para ela, para ter um frescor, para ser uma professora que é jovem sabe? Ela é um pouco atrapalhada, quando encontra esse amor do passado, porque fala de assuntos tão sérios, sobre a educação que tem que ser igual para todos, ela tem isso como ideologia, dessa educação inclusiva. Ela pensa em trazer uma ONG para dentro de uma escola que é uma escola mais tradicional, então, para não ficar tudo muito sério, falei para a Natália, vamos deixar ela leve, assim com a família, com os alunos, com esse amor do passado. E eu acho que vai ficar bacana, porque eu acho que isso é uma característica boa. Acho que pelo canal da leveza e do humor você acaba conquistando mais. Se não, imagina, Vidas Brasileiras vai passar num horário à tarde, tem que tratar desses temas com frescor.

Uma das alunas sofre com o vazamento de nudes. O que acha disso?

É uma coisa complicada, se multiplica em questão de segundos. Eu mesma vivi isso agora há pouco tempo, saiu uma notícia a meu respeito totalmente fake. E de uma maneira que eu fiquei em choque, falei: 'O que é isso?' É muito rápido hoje, e para sair uma mentira, como saiu a meu respeito, é chato. Eu nem sabia, nem me consultaram, imagina se eu ia fazer uma coisa dessas. Mas, enfim, tem que tomar muito cuidado, muito cuidado com o que se coloca hoje em dia, porque sua privacidade é invadida mesmo!

A  atriz com a sua família da ficção. Foto: Globo/ Raquel Cunha

"Para ser sincera, nunca tive essa vontade louca para ser mãe, nunca bateu, como já aconteceu com várias amigas."

Na novela você é mãe de três filhos. E a questão da maternidade, como está isso para você hoje, pensa em ser mãe?

Para ser sincera, nunca tive essa vontade louca para ser mãe, nunca bateu, como já bateu em várias amigas, também tem outras iguais a mim, tranquilo.

Ela cuida do problema de cada aluno, mas tem ainda os três filhos em casa, o marido. Ela tem culpa de não estar tão presente em casa?

Ela fica dividida entre a família e a escola, porque são todos de uma certa maneira filhos dela também. Tudo bem, são alunos. Ela não é mãe, mas de certa forma, também tem esse peso, o professor tem um peso muito grande na nossa vida, né? Claro que não são nossos pais, mas eles nos educam, de certa forma, então ela é meio que ali mãe de todos. Ela tem essa vocação, mas eu acho que você vai ver sempre a Gabriela dividida entre esses espaços. Ela é bem essa mulher moderna. O relacionamento deles é muito divertido, leve, e a família também é muito divertida.

Você tem feito algo atualmente para cuidar da forma?

Malhação! (risos). A gente grava muito. Normalmente, chego ás oito e saio às oito, e ainda tenho que decorar muito texto. Estou na família, na escola, descubro a vida dos alunos. Ou seja, muito trabalho pela frente, mas eu procuro me alimentar bem, normalmente, já tenho uma alimentação legal, isso desde pequena. Então, não é um esforço, nunca foi. Mas procuro me exercitar quando dá tempo, quando ainda estou com força para chegar até a academia, ou tento me alongar em casa. Porque isso ajuda no trabalho. Esses dias eu estava fazendo umas flexões de yoga no camarim, para acordar, ficar mais forte, se não, vou ficando muito cansada, e aí tudo vai pifando. E não pode, você tem que estar bem de saúde, se cuidar.



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