Bruna Marquezine: "Tenho que me permitir ter 22 anos”

Atriz brilha como a princesa Catarina, de Deus Salve o Rei, sua primeira vilã


  • 22 de janeiro de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Quando Bruna Marquezine estreou em novelas, aos 8 anos, cada choro da personagem Salete, de Mulheres Apaixonadas, de 2003, emocionava o Brasil afora. Já era um sinal de que a sua intérprete ia longe. E como foi! Atualmente, ela uma das atrizes mais requisitadas de sua geração para trabalhos e também na publicidade. Até porque só no Instagram tem quase 25 milhões de seguidores.

Nesse momento, vive um dos maiores desafios de sua carreira, dar vida à primeira vilã, a princesa Catarina, de Deus Salve o Rei. Usando de toda a sua sinceridade, Bruna confessa que não sabia se conseguiria segurar o papel. “É um papel desafiador. Em alguns momentos cheguei a dividir com os diretores de que eu quase não me sentia capaz de fazer...”, conta.

Mas a atriz, que namora o craque Neymar, encarou de frente e mais uma vez brilha na telinha. Na entrevista ao Portal ArteBlitz, a estrela, que enumera papeis de destaque, entre eles a Lurdinha de Salve Jorge, de 2012, a Luiza, de Em Família, de 2014, e a Marizete de I Love Paraisópolis, de 2015, além da Beatriz da série Nada Será como Antes, fala ainda de como lida com tanta exposição, críticas, e de como tudo isso a fez amadurecer.

"Em alguns momentos, cheguei a pensar que não me sentia capaz para viver a catarina, porque é um papel desafiador. Como acredito muito em Deus, sei que ele dá a cruz do tamanho que a gente pode aguentar."

Como a princesa Catarina. Foto: Globo/Sergio Zalis


Como está se sentindo debutando como vilã?

Um grande desafio, eu nunca pensei que fosse tão difícil, cada dia é uma sensação de uma conquista. A Catarina exige uma entrega e uma energia muito grande. É desgastante, mas prazeroso e muito divertido ao mesmo tempo. E ela é não contemporânea, é de época. Então, tem uma magia, é um conto. A gente tem permissão de ir um pouco além. Ela é uma mulher dissimulada, calculista, sabe o que quer. Nunca imaginei que fosse tão difícil e divertido também, te possibilita criar tanto, explorar lugares diferentes. E ela tem muitas cores, com cada personagem tem um comportamento. Isso para mim como atriz é muito rico.

Já estava na hora de receber o convite para essa vilã?

Tudo tem o seu momento certo. Algumas vezes, eu dividi com o Fabricio Mamberti (diretor artísticos) e os meus diretores, que eu quase não me sentia capaz para viver a Catarina, porque é um papel desafiador. Como acredito muito em Deus, sei que ele dá a cruz do tamanho que a gente pode aguentar. Se fui de certa forma abençoada com esse papel, tenho que me entregar totalmente a ele. Veio numa hora muito especial em que estou mais madura como mulher, jovem mulher, e muita sede de trabalhar.

Como a Salete, em cena com Vanessa Gerbelli, em 2003. Foto: Globo/Renato Rocha Miranda

O que mudou nessa Bruna mais madura?

Fui crescendo nesse mundo da TV. Quantas vezes a gente muda de pensamento, da maneira de se vestir, o comportamento. Todo mundo passa por transformações. A diferença é que me acompanharam e se sentem no direito de me cobrarem. Graças a Deus, todo dia eu acordo um pouco diferente (risos). Sou muito jovem, tenho apenas 22 anos. Estou justamente na fase de muitas descobertas, de autoconhecimento. É o que tenho buscado muito, estar cada vez me conectando cada dia mais com o meu lado espiritual, lidando com a minha alma que, realmente, é o que interessa. Quem eu sou como imagem, o que sou no meu trabalho, para as outras pessoas, o que represento na minha arte.

"Todo mundo passa por transformações. A diferença é que me acompanharam, cresci na TV, e se sentem no direito de me cobrar. Graças a Deus, todo dia acordo um pouco diferente. Tenho apenas 22 anos. Estou justamente na fase de muitas descobertas."

Com o namorado, Neymar. Foto: Reprodução Instagram

E você é ainda muito jovem...

Às vezes é meio cruel ser cobrada por algumas coisas. E é meio louco isso. Por causa desse mundo louco, às vezes, esqueço que tenho apenas 22 anos. Que tenho que me permitir ter 22 anos. Sou apenas uma menina.

O que está ajudando você nessa descoberta?

O que ajuda todo o mundo, fé é essencial. Sou uma pessoa de muita fé, independente de religião. Autoconhedimento de todas as maneiras. Acho que é dificil você evoluir como ser humano, sem momentos solitários, sem fazer meditação, momentos de reflexão, uma boa terapia, análise. Busco cuidar de mim, de verdade. Vivemos num mundo de aparências e quando ela (aparência) está do jeito que a gente quer, esquecemos do lado humano, do interior, e é isso que estou priorizando. Deus não une pessoas, une propósitos. Se uma pessoa entra na sua vida, é porque tem um propósito. Acredito muito em Deus.

Em lançamento da trama das 7. Foto: Globo/Luiz Renato Corrêa

Tudo o que você posta em suas redes sociais, repercute muito, isso às vezes incomoda?

Nessa era de instagram a gente nunca divide o lado ruim, as dificuldades. Por muito tempo me cobrei ser um modelo de perfeição, até perceber que jamais seria. Só nas minhas redes sociais seria perfeita, mesmo assim nem para todo mundo. Por que não falar das nossas dores, do que nos incomoda? Prefiro dividir hoje o que é real ou não dividir nada. Buscar hoje esse caminho na fé e com a ajuda de um excelente terapeuta. Até a moda hoje vejo como maneira de me expressar, de me descobrir e nada de ficar numa zona de conforto. Fico superfeliz quando sei que uma menina usou o que deu na telha.

"Nessa era de instagram a gente nunca divide o lado ruim, as dificuldades. Por muito tempo me cobrei ser um modelo de perfeição, até perceber que jamais seria."

Você faz uma vilã princesa, como é ser uma princesa?

Não sei, me perguntaram há pouco tempo...Nunca pensei em ser uma princesa. Me perguntaram isso gravando, eu estava com vestido. Acho que sempre me interessei mais pelas histórias de aventura. Tinha princesa preferida, fantasia, mas nunca me visualizei como uma princesa, até hoje, não, e vivendo a Catarina, mais ainda.

Na pré-estreia da novela. Foto: Globo/Raquel Cunha

Você sempre usa looks incríveis, diferentes, excêntricos, óculos, e, às vezes, há críticas, como lida com isso?

Se a gente se prender a todas as críticas positivas ou negativas, a gente se afasta do que de fato somos. Se você der ouvido demais a tudo o que as pessoas dizem a seu respeito, começa a construir a sua imagem a partir do olhar do outro e não de quem você é. E eu entendi isso há pouco tempo, graças ao meu terapeuta e minhas orações. E eu entendo que a moda é uma consequência do meu trabalho, e eu comecei a me divertir com ela. E a entender que também é arte, e arte me fascina. Vejo a moda como uma maneira de me expressar, de quem sou. E gosto de pensar que existe uma função maior. Enquanto todo o mundo está na zona de conforto, ah, eu vou usar isso porque todo o mundo usa, tem aceitação maior, a gente deixa de inspirar outras pessoas que gostariam de sair da zona de conforto e que não tem quem as represente. Acho que a gente vive essa época em que as pessoas estão se posicionando para que todo o mundo na sociedade tenha alguém com voz, que as represente. Isso, de todas as maneiras. Se eu souber que uma menina acordou e se sentiu livre um pouco mais livre para usar o que 'deu na telha', eu fico feliz.



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