Armando Babaioff: “Diogo é um parque de diversões para qualquer ator”

Destaque como vilão da trama das 7 e premiado no teatro, ele festeja fase frutífera na carreira


  • 21 de agosto de 2019
Foto: Globo/João Cotta


Por Luciana Marques

*Entrevista completa disponível em vídeo, abaixo.

Na excelente trama das 7 Bom Sucesso, Armando Babaioff vem fazendo bonito como o vilão Diogo, que em breve mostrará sua face de psicopata. “Ele é amoral, tem comportamento muito irônico, sedutor, canalha. É um parque de diversões para qualquer ator”, conta Babaioff, que diz não ter buscado inspiração na ficção ou na vida real. “Esse personagem é um desafio, não sei muitas vezes como fazê-lo, mas esse lugar de criação me interessa muito, adoro criar”, diz.

Cria do teatro, onde iniciou aos 11 anos, Armando Babaioff é daqueles profissionais que saboreia cada conquista em sua trajetória nas artes. E ultimamente, o ator tem somado bons trabalhos nos palcos e na TV. No teatro, ele vê a premiada peça Tom na Fazenda, na qual atua e produz, ser indicada a mais uma prêmio: Aplauso Brasil de Teatro. “Talvez tudo o que eu fiz na vida até agora tenha me preparado para esse momento na minha carreira”, avalia.

Diogo (Armando Babaioff). Foto: Globo/Victor Pollak

Como está sendo viver o Diogo? O que tem me instigado mais nesse papel são as possibilidades. Ele é um personagem que, pela construção dele e pela forma como tem me chegado os roteiros, ele pode tudo. Ele é amoral. E se você quer dar algo para um ator se divertir, você pode ter certeza, é um personagem como esse, que é um parque de diversões. Então o que eu tenho tentado, na verdade, é traduzir da melhor forma possível cada cena para que ela chegue com humor, transmitindo todos o sentimentos e emoções que esse personagem possui da melhor forma possível.

A Fabíula Nascimento, que faz a Nana, o definiu como psicopata. Você também o vê assim? Nem todo o psicopata mata pessoas, então, existe uma psicopatia grande, ele é um personagem muito específico. Ele não gosta de muitas coisas que se eu for enumerar com qualidades de uma pessoa, aí você vai dizer de cara, esse sujeito é um psicopata. Ele tem esse lugar, ele tem esse comportamento, então você pode esperar dele um comportamento muito irônico, muito sedutor, muito canalha, mas porque na verdade ele está atrás de um objetivo maior, que é um objetivo pessoal. Para atingir o seu objetivo, ele não é capaz de medir esforços. E, sim, ele quer seduzir o público também.

Ele tem afeto por alguém? Sim, ele tem muito afeto por ele mesmo. Ele tem um amor próprio muito grande, ele se ama muito.

 

 

Qual a importância para você de fazer parte de uma obra que tem como tema a literatura, diálogos a partir de grandes clássicos? Uma coisa que eu aprendi desde muito novo é que você só consegue aprender a conjugar verbos na vida através da leitura. Você só consegue formular pensamentos e ideias e você só tem conhecimento, você só gera criação, imaginação através da leitura num primeiro momento. Você tem acesso a um mundo vasto e rico porque você leu e você está exercitando a sua imaginação. As pessoas estão pouco imaginativas, a vida já está muito cruel. As pessoas estão enfrentando um dia a dia muito sufocante, estressante de um país extremamente cruel, num governo cruel, que nos cansa diariamente. Então eu acho que num momento da vida a gente precisa se desligar um pouco disso, e talvez entrar um pouco no mundo da fantasia, da ficção para poder entender um pouco a si, como a gente pode encarar o mundo a vida. Quando era criança e ficava doente, a minha mãe me dava livros. E essa novela vai nesse lugar da literatura e não é enfadonho. 

Bom Sucesso também trata da efemeridade da vida, da linha tênue entre vida e morte. Como você encara isso, numa fase em que tudo é instantâneo, que a tecnologia afasta as pessoas? Eu não sou uma pessoa muito conectada nessa realidade aqui. Eu aproveito muito da liberdade que essa minha profissão me dá de poder ter contato com as pessoas de verdade. Eu ainda estou em cartaz com o espetáculo Tom na Fazenda, no qual a gente tem viajado pelo Brasil inteiro, por festivais. Então eu aproveito a oportunidade de fazer esse intercâmbio pessoal. Eu vou para o Projac de metrô. Essa relação que eu tenho, que eu gosto e procuro de curiosidade com o ser humano, faz parte do meu trabalho e o dia que eu perder isso, eu perco a conexão com a vida, com a minha essência. E a forma como se fala da finitude na novela é linda porque a gente sabe que tipo de relação estão se contando com o personagem do Antonio Fagundes, o seu Alberto. A gente sabe que ele tem uma doença terminal, que vai morrer e que ele é ranzinza, um pouco amargurado. E a gente vai entender a história dele, porque ele é desse jeito, e a chance que ele terá de encerrar esse ciclo aqui de uma outra forma. E eu acho que isso será uma lição para nós que estamos ali contando essa história e para quem está em casa que, assim como eu, também tem medo de morrer.

Foto: Globo/Estevam Avellar

Você já faz teatro há muito anos, está ainda em cartaz com a premiadíssima Tom na Fazenda, vem numa ascendência agora também na TV, com esse vilãozão em Bom Sucesso. Acha que tudo vem acontecendo como deve ser na sua carreira? Eu faço teatro desde os 11 anos. Eu sempre penso que cada um tem a sua própria história, eu não sou uma pessoa ansiosa. Eu na vida tenho pequenas certezas... Eu estou falando de um objetivo que se chama carreira. Carreira é uma trajetória, uma história, eu estou em busca na verdade dessa minha própria história. Eu não tenho inveja e ansiedade por personagem algum, novela alguma. Eu tenho ânsia em estar aprendendo. Talvez eu esteja no momento mais importante da minha carreira por conta do Tom na Fazenda, de Segundo Sol e agora por esse personagem em Bom Sucesso. E talvez tudo o que eu fiz na vida até agora tenha me preparado para esse momento. Então é a hora certa e o lugar certo de acontecer o que está acontecendo, esse desenrolar de mais uma página da minha vida.

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