Ana Cecília Costa: “Não torço por Elias, nem pelo Padre, mas por Missade ser bem amada”

Em atuação brilhante, atriz fala do desfecho de Órfãos da Terra e do papel de médium no longa Divaldo


  • 17 de setembro de 2019
Foto: Globo/Paulo Belote


Por Luciana Marques

*Veja a entrevista completa no vídeo, abaixo.

Atriz baiana com uma trajetória de destaque no cinema e no teatro, nos últimos anos Ana Cecília Costa tem deleitado o público com seu talento em trabalhos mais frequentes na TV. Seu atual papel, a Missade, é digno de prêmios pela potência e entrega da atriz para viver essa mulher síria sofrida que foi ao fundo do poço e renasce nessa reta final de Órfaos da Terra. “Foi um desafio tremendo pra mim por toda a carga dramática”, conta.

O mistério agora é sobre o desfecho da personagem, que após ser traída e deixada pelo marido, Elias (Marco Ricco), é disputada pelo próprio, e pelo Padre Zoran (Miguel Coimbra), com quem construiu uma relação muito bonita. “Não torço nem por um, nem por outro, vou torcer por ela”, diz Ana. Nos cinemas, a atriz também vive uma mulher forte e apaixonante, a Dona Laura, no filme Divaldo – O Mensageiro da Paz, em cartaz nos cinemas.

Quem é a Dona Laura no longa Divaldo? Uma personagem que me honrou muito. Essa mulher vai iniciar o Divaldo, um grande espírita brasileiro que merece ter a sua história divulgada entre o grande público. A Dona Laura é uma médium que vai perceber os dons mediúnicos dele. Enquanto jovem, vivido lindamente pelo Guilherme Lobo, ele vai morar com a Dona Laura. E ela vai conduzi-lo nos caminhos do espiritismo.

 Dona Laura (Ana Cecília Costa) no filme Divaldo. Foto: Divulgação

Qual a importância de um filme como esse ser lançado num momento pelo o qual o Brasil passa, com tanta intolerância, ódio, brigas? É fundamental! A gente está num momento difícil, de muita violência, ódio, intolerância, falta de respeito, de muita falta de entendimento do que se é o Brasil enquanto uma nação plural. Nós precisamos ser mais tolerantes. A mensagem do filme é de amor. Qualquer pessoa que se diga cristã ou que tenha o mínimo de entendimento do evangelho é muito simples. A máxima de jesus cristo é: “Amai-vos uns aos outros”. Então não existe um fato de você se dizer cristão e ser intolerante.

E essa reta final de Órfãos da Terra em que você deu vida a esta mulher tão potente, a Missade? Nos primeiros capítulos ela teve a sua vida completamente destruída pela guerra na Síria, então eu sempre falo que esta personagem está contando a história de várias mulheres vítimas da guerra. A Missade é uma heroína, uma mulher que teve que descer aos infernos, que sofreu uma dor maior, a perda de um filho, a perda da sua casa, da sua língua, da sua cultura, da sua condição financeira, a perda depois de um amor, do marido, e recomeçar.

E para você, como atriz, o que significou esse papel? Ela foi um desafio tremendo pra mim. Primeiro, em dar toda a carga dramática necessária. Foi uma personagem de muita entrega da minha parte. E ao mesmo tempo foi um trabalho de composição, de sotaque, interpretar uma mulher árabe sem caricaturas.

Missade (Ana Cecília Costa). Foto: Globo/Paulo Belote

E essa nova fase dela? Reconheço que ela está num momento muito bonito, em que ela está só. Passou aquele trauma maior da perda do marido, porque veja, não é simplesmente como qualquer um de nós que estamos em nossa vida cotidiana com família, é uma mulher que perde o marido  numa situação de guerra e que já perdeu tudo. E é nesses momentos que a gente volta a força a si mesmo. O que eu acho que está acontecendo com ela. Ela está se reconhecendo uma mulher forte, capaz de ir adiante, e eu acredito, não sei se ela vai ficar com o Elias, com o Padre...

 

 

O Elias quis voltar e o Padre se declarou, né? Isso, e o Padre se declarou. Ela está num momento em que talvez fique só. Eu acho também muito linda a relação dela com o padre porque é uma relação que foi construída através de uma delicadeza, de um respeito muito grande. Acho que qualquer um dos caminhos pode ser bonito. De virar uma amizade com o Elias e iniciar um novo amor com o Padre, que nesse caso deixaria a batina. Ou também se for a questão de voltar ao marido...

E qual a sua torcida? Eu, sinceramente, não vou torcer nem por um, nem por outro, eu vou torcer por ela. Eu sou apaixonada pela Missade, acho ela uma mulher que me ensina muita coisa. Eu aprendi muito com ela. E eu desejo que essa mulher seja muito feliz porque ela merece ser muito bem amada.

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