Ana Beatriz Nogueira diz que falar da esclerose foi “ir além do seu ego”

A atriz está no ar em Malhação e em cartaz com a comédia Mordidas


  • 15 de abril de 2018
Foto: Globo/Raquel Cunha


Por Luciana Marques

A grande atriz Ana Beatriz Nogueira está mais uma vez nos presenteando com o seu talento, agora na trama teen Malhação: Vidas Brasileiras. Ela interpreta a socialite Isadora Mantovani, que viu sua vida virar de ponta a cabeça com a prisão do marido, Eduardo (Edson Celulari), acusado de corrupção. 

Em conversa com o Portal ArteBlitz, ela falou sobre um assunto delicado de sua saúde. Em 2009, foi diagnosticada com esclorese múltipla, quando gravava a novela Caminho das Índias. A doença autoimune afeta o cérebro, nervos ópticos e a medula espinhal (sistema nervoso central), mas depende de cada caso.

Isadora (Ana Beatriz Nogueira). Foto: Globo/Estevam Avellar

DECISÃO DE TORNAR PÚBLICA A DOENÇA

Em entrevista à jornalista Patricia Kogut, de O Globo, em fevereiro deste ano, Ana revelou ser portadora de esclerose múltipla. A decisão de se abrir sobre o assunto, segundo a atriz, foi proposital. “Eu poderia não falar nunca, não tenho sequela, não tenho sintoma. Mas eu quis falar justamente por não ter. Acho que a gente tem que sair um pouquinho do umbigo da gente, do sucesso pessoal, de carreira... Tinha vontade de fazer isso há muito tempo, porque tem tanta gente que eu acho que estou ajudando, sabe?”, ressalta ela.

Apesar de não ter muito intimidade com rede social, a ideia de Ana agora é abrir uma página no Facebook para colocar ali informações da doença e trocar sobre o assunto. “São coisas que nesses nove anos que eu tenho o diagnóstico foram mágicas para mim. Quem sabe algo que foi legal para mim, também possa ser para uma outra pessoa? Não é não para responder perguntas, porque não sou médica, e a doença se manifesta de várias maneiras. Enfim, só posso dizer que me sinto uma sortuda, precisava fazer alguma coisa para além do meu próprio ego, e carreira e etc...”, conclui.

ELOGIO AOS JOVENS ATORES DE MALHAÇÃO

Com quase 35 anos de carreira, trabalhos importantes na TV, no cinema e, principalmente, no teatro, Ana faz questão de dizer que adora trabalhar com jovens. “Tem um frescor que faz a gente também sair de um lugar confortável, e olhar para eles e ver como é que vai fazer dessa vez. Porque a gente está fazendo junto com eles. A novela é do jovem, nós estamos aqui fazendo um apoio”, constata ela, que contracenou há poucos dias com Vera Fischer, que dará vida a uma amiga de Isadora.

Isadora (Ana Beatriz Nogueira) com a filha, Pérola (Rayssa Bratillieri). Foto: Globo/João Cotta

Ana também faz questão de elogiar a excelente preparação dessa garotada do elenco. “São jovens atores brilhantes. Parece que a gente está vindo ensinar alguma coisa, e não é bem assim, a gente aprende o tempo inteiro com eles”, diz. Na trama, a atriz é mãe de Pérola, vivida por Rayssa Bratillieri, que recentemente contou ser um pouco dramática como sua personagem. Para Ana, a maternidade não é o forte de Isadora. “Acho que uma característica dela na verdade essa falta de vocação para a maternidade. Não é que seja um defeito, às vezes, a pessoa faz o melhor, mas não é exatamente aquela mãe que a gente vê sempre, zelosa”, conta.

NO TEATRO COM A PEÇA MORDIDAS E CRISE NA CULTURA

Mesmo gravando a novela, Ana não deixa o palco de lado. Ela acabou de estrear a peça Mordidas, com direção de Victor Garcia Peralta, ao lado de Zélia Duncan, Regina Braga e Luciana Braga. “Eu gosto de férias de 15 dias, e quando dá, estou no teatro”, avisa.

A peça, uma comédia satírica, faz uma crítica à sociedade contemporânea, convidando o público a refletir sobre o modo como estabelecemos as relações humanas nos dias de hoje. O texto é todo construído em versos, o que torna tudo mais interessante e divertido, com as rimas engraçadas e surpreendentes.

Com as colegas da peça Mordidas: Luciana Braga, Zélia Duncan e Regina Braga

Quando o assunto é a triste crise que toma conta da cultura brasileira, Ana avalia que está muito difícil de colocar uma peça em cartaz. Mas que a paixão pela arte acaba fazendo o artista se virar. “Eu estou nessa de empréstimo do banco há algum tempo, para não deixar de fazer as minhas peças. Às vezes, a gente consegue, outras não. Mas vou estar sempre fazendo, nem que seja pegar uma que já fiz e viajar. Não acho que todo ator é obrigado a fazer teatro, mas é porque sinto falta mesmo. Acho que se eu não fizer, fico estagnada como atriz”, reitera.



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