Agatha Moreira sobre Ema e Ernesto: “Estão amando o casal"

Ela fala do desafio de viver a doce baronesa, com visões tão convencionais


  • 15 de julho de 2018
Foto: Globo/João Cotta


Por Redação

Há seis anos na Globo, Orgulho e Paixão marca a sexta novela de Agatha Moreira na casa. E a cada novo trabalho, essa jovem atriz de 26 anos surpreende. Após se destacar como a vilã Domitila, de Novo Mundo, em 2017, ela vem roubando cenas também como a Ema, da atual trama das 6. “A Ema é muito adorada, solar...”, ressalta

Tão doce e humana e, ao mesmo tempo com visões tão tradicionais, a personagem tem sido um desafio e tanto para Agatha. Até porque a atriz desde nova se considera uma “minifeministinha”.

Mas o que ela nunca esperava também era pelo mais novo momento de sua baronesinha na trama, que, além de ver a falência da família, ficou de noiva do filho de imigrantes italiano Ernesto (Rodrigo Simas). O casal ganhou a torcida do público e foi até shippado como “Erma”. “Não estava na sinopse! Estão amando o casal”, festeja.

Ernesto (Rodrigo Simas) e Ema (Agatha Moreira). Foto: Globo/Estevam Avellar

Como vai ficar a vida da Ema nos próximos capítulos?

Pois é, já tive três pares românticos nessa novela (risos). Eu acho que a curva da personagem está sendo muito legal por ter passado por diversas coisas, por ter mudado a forma dela de viver, a forma dela de olhar para o mundo também. Ela está passando por um processo difícil porque ela foi criada num mundo completamente burguês, a boronesinha, e agora está se vendo apaixonada pelo Ernesto, que não tem nada a ver com esse mundo.

O Ernesto também está despertando paixão em outras moças na trama, né?

Eu acredito que na maioria. Eu não sei o que acontece... Esse menino Rodrigo (Simas) tem muitas fãs, elas criam vários fã-clubes. Eu acho que nunca tive tanto fã-clube de casal na vida (risos).

Te surpreendeu a torcida do público para que a Ema fique o Ernesto?

A gente não esperava. Não sei como foi para o autor (Marcos Berstein), mas lendo os nossos capítulos foi acontecendo naturalmente. Não era uma coisa prevista, a gente não tinha na nossa sinopse, não era uma coisa esperada, e foi muito surpreendente a aceitação do público. No início até que não, algumas pessoas, fãs muito antigos nossos desde Malhação, falavam assim: ‘Eles são irmãos para sempre’. Mas eu acredito que todo mundo já mudou de opinião, está todo mundo amando o casal (risos).

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Como foi ter o Rodrigo Simas como parceiro de cena novamente?

De seis novelas, três foram com ele, então já são alguns reencontros. Eu amo trabalhar com ele. Somos muito amigos, isso é bom. Eu sempre falo que o clima atrás das câmeras faz total diferença na hora de ir para o ar. Essa novela, por exemplo, é uma em que eu não recebo críticas de galera que não está gostando, que está achando ruim. Eu não ouço ninguém falar mal da novela, eu não ouço ninguém falar mal de nada da nossa trama, isso é muito legal. Está todo mundo gostando, é praticamente unânime, e eu acho que isso tem muito a ver com o nosso clima por trás das câmeras com certeza. O elenco é nota 10!

Assim como a personagem, você já teve alguma mudança drástica na vida?

Eu acho que a única mudança drástica foi quando eu fui morar sozinha pela primeira vez. Eu acho que para todo mundo é assim, ainda mais eu que fui morar sozinha fora do país com 17 anos. É aquela fase que você tem duas opções: ou você amadurece ou você amadure (risos).

Analisando a Ema e a Domitila, sua personagem em Novo Mundo, houve uma mudança do tratamento do público com você?

Isso é engraçado porque eu acho que, de certa forma, muda um pouco como você se sente no dia a dia. A Ema é muito adorada, solar, e a Domitila só recebia palavras de ódio. Eu ficava assim, ai, que bom, estou fazendo meu papel bem, mas ia para a casa meio, ai (com aquele peso)... Mas era uma delícia!

Ema (Agatha Moreira). Foto: Globo/João Miguel Junior

Orgulho e Paixão é uma novela que fala bastante da força da mulher. Você tem lido, se informado mais sobre esse assunto, o feminismo?

Tem muita diferença em o que eu busco para a Ema. Tudo bem que eu me acho uma 'minifeministinha' desde criança (risos). Eu nunca pude entender porque meninos podiam fazer certas coisas e meninas não. Então, eu soltava pipa com os meus primos, jogava bola, passava cerol, enfim. Essas lutas e conquistas que a gente está tendo a cada dia estão cada vez mais presentes na minha vida agora que eu estou com 26 anos, agora realmente me formando como mulher. Só que eu estou fazendo uma personagem que é o oposto disso. Eu estou fazendo uma personagem em que tenho que acreditar completamente nos valores dela, que são completamente diferentes dos meus. Para fazer a Ema crível, eu também preciso acreditar muito no que ela está falando, preciso entender muito esse universo dela e não julgar. Entender a forma como ela foi criada e por que os pensamentos dela são tão convencionais.

Mas você tem estudado historicamente para entender essa forma de pensar da Ema?

É difícil, mas não precisa busca só em livros de história, também tem diversas séries antigas. Os próprios filmes baseados nos livros de Jane Austen já mostram muitas coisas sobre o que foi aquela época.

A Ema é uma personagem que já foi interpretada por grandes atrizes. Pintou um medo quando você recebeu essa missão?

Eu acho que é uma grande responsabilidade, eu também fiquei preocupada. Sei que são completamente diferentes, mas fazer duas novelas de época bate um medo de as pessoas ainda lembrarem da Domitila, que era tão odiada. Fazer a Ema ser tão humana e doce, mesmo com os absurdos que ela fala, para que as pessoas tenham algum pingo de compaixão foi um grande desafio.

As críticas positivas te surpreenderam?

Com certeza! Todos os medos que eu tinha foram por água abaixo porque o que eu recebi do público foi justamente o contrário, só respostas positivas.

Foto: Globo/João Cotta

Você gosta de se assistir atuando?

Gosto! Eu sou muito crítica comigo, mas eu acho que isso é essencial no nosso trabalho. Eu sei que cada um trabalha de uma forma, mas na minha cabeça, no meu ver, é essencial para eu saber o que estou fazendo.

O sonho das meninas da trama é casar. Você também tem esse desejo na vida real?

Nunca foi um grande sonho da minha vida casar, entrar na igreja, mas acredito em companheirismo, parceria. Eu tenho muita vontade de ter filhos, de formar uma família, mas eu acho que isso é completamente independente de um casamento que dure para sempre, ou não. Acredito muito mais na cumplicidade e parceria entre duas pessoas. O amor, isso vai muito além do sonho de ter véu e grinalda. É completamente compreensivo esse romantismo, não tenho nada contra, pode ser que um dia eu tenha muita vontade de me casar, eu acho lindo. Todo casamento que vou, eu choro. Eu acho que desde criança eu sempre sonhei mais em ser mãe do que em casamento.

Qual característica sua te agrada mais?

Eu acho que gosto muito de mim como amiga, amiga para todas as horas, e acho que sou muito divertida. Se eu tiver de mau humor, eu vou ficar em casa, não irei sair com você. Se eu for sair com você vai ser para te divertir (risos).



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